Janio de Freitas: Outra vez

Na Folha de São Paulo

Chegamos a mais uma encruzilhada. Vem de longe a motivação mais profunda que aí nos põe: democracia não é para qualquer um, e o Brasil não tem aptidão para vivê-la. É historicamente inapto, como provam suas poucas e vãs tentativas.

A democracia exige certo refinamento. Sua difícil construção exige, para os passos iniciais que jamais completamos, algum desenvolvimento mental da minoritária camada da sociedade que detém os instrumentos de direção do todo; e, para levá-lo a resultados razoáveis, alguma qualidade moral, a que podemos até chamar de caráter, dessa camada. Continue lendo “Janio de Freitas: Outra vez”

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Veríssimo: Questão de semântica

Para sempre, a imagem de Cunha no espelho.

Por Luís Fernando Veríssimo, em O Globo

Quando o Eduardo Cunha alegou que não tinha mentido sobre suas contas na Suíça porque o que tem na Suíça não são contas, mas trustes que pode acessar como se fossem contas, e ninguém riu, ou perguntou se era certo um cínico declarado presidir a Câmara nacional ou comandar um movimento pelo impeachment da presidente da República, estava, sem querer, dando o mote destes dias. Tudo se resume numa questão de semântica. Continue lendo “Veríssimo: Questão de semântica”

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Liderança do povo Truká é atingida por três tiros durante atentado de pistoleiros em Caruaru (PE)

No Cimi

A liderança indígena Ailson dos Santos Truká está internada em estado estável no Hospital Regional de Caruaru, município do agreste de Pernambuco, depois de sofrer atentado a mão armada na manhã deste sábado, 16. Yssô Truká, como é conhecido (na foto, ao microfone), foi atingido por três disparos e um dos projeteis se alojou na região pélvica – o indígena deverá passar por um procedimento cirúrgico para a retirada da bala. Yssô está no hospital sob proteção de escolta da Polícia Federal. Continue lendo “Liderança do povo Truká é atingida por três tiros durante atentado de pistoleiros em Caruaru (PE)”

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A responsabilidade da Vale no massacre de Eldorado dos Carajás

Na Justiça Global

O massacre de Eldorado dos Carajás foi uma ação das forças do Estado, que realizou uma operação policial para desobstruir uma via fechada em protestos pela reforma agrária, levando a morte de 21 trabalhadores, no dia 17 de abril de 1996. Essa ação, todavia, somente foi possível pela participação de uma empresa, a mineradora Vale. Segundo os autos do processo que analisou o crime, os policiais militares conseguiram chegar ao local do ato por meio de ônibus alugados pela empresa, na época uma estatal. Os 155 militares estavam em Paraupebas e Marabá, sendo levados até Carajás em ônibus da empresa Transbrasiliana, paga pela Vale em dinheiro. Nos 20 anos dessa chacina, é essencial lembrar a atuação e a responsabilidade da mineradora. Continue lendo “A responsabilidade da Vale no massacre de Eldorado dos Carajás”

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Qual é a cor da sua bandeira, trabalhador?

Por Átila da Rold Roesler, em Justificando

Em tempos de instabilidade democrática, onde se vive em verdadeiro frenesi de histeria coletiva numa batalha de convicções cegas e que nos divide como nação, se torna necessário pensar no que se passa nos bastidores da crise política. Conhecer a história é importante em momentos de crise institucional, mais importante ainda diante do quadro preocupante que se avizinha. Por isso uma reminiscência sobre o cântico que se ouviu nas manifestações do dia 13 de março de 2016: “A minha! Bandeira! Jamais será vermelha!” Ora, se por certo a cor vermelha está ligada a correntes ideológicas de esquerda ou socialistas, por outro lado, possui significados mais antigos e complexos. Reduzir uma cor a um determinado partido ou a um governo revela completo desconhecimento da história da humanidade. Continue lendo “Qual é a cor da sua bandeira, trabalhador?”

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O Brasil no Beco da Bosta, por José Ribamar Bessa Freire

Bo Taqui Pra Ti

O Brasil inteirinho cabe no Beco da Bosta, no bairro de Aparecida, em Manaus. Quer ver? Lá, no quintal compartilhado por várias casas, havia um banheiro com sentina, de uso comum, devassável através das frestas na parede de ripas. Cada vez que a Das Dores ali entrava, o sapateiro Ceariba ia brechá-la, fazendo justiça com as próprias mãos. Até que um dia cruzou no quintal com o filho dele, Etelvino – o Téo Xarope – e deu-lhe uma surra com cinturão de couro, deixando-o exangue com marcas da fivela por todo o corpo. E ainda fez um discurso moralista para todo o bairro ouvir: Continue lendo “O Brasil no Beco da Bosta, por José Ribamar Bessa Freire”

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Dilma ou Temer? O Brasil que amanhece após a votação do impeachment

Para professor da UFFS, Dilma não pode mais tentar se apoiar apenas nas coalizões governamentais baseadas na entrega de cargos e de verbas; um eventual governo Temer seria bastante instável

Apesar de enfrentar uma enorme coalizão oposicionista, ainda ninguém sabe ao certo se o impeachment da presidenta Dilma Rousseff será ou não aprovado. O cientista político Danilo Martuscelli, da UFFS (Universidade Federal da Fronteira Sul), acha que, caso o governo Dilma consiga vencer a votação, não poderá mais tentar se apoiar apenas na entrega de cargos e verbas para emendas parlamentares para restaurar a governabilidade: ele precisará se apoiar nas forças de esquerda para implementar um programa de reformas sociais. Se o afastamento for aprovado, Martuscelli prevê que um governo encabeçado por Michel Temer enfrentará grandes dificuldades: “Não é um nome de consenso para substituir Dilma e dificilmente terá capacidade de governar diante de um quadro político em que a resistência ao golpe e às contrarreformas neoliberais cresce nas ruas”. Continue lendo “Dilma ou Temer? O Brasil que amanhece após a votação do impeachment”

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Mentes perigosas: o Brasil sob Estado de Exceção

Por Márcio Sotelo Felippe, em Justificando

Em 1934 Carl Schmitt, o príncipe dos juristas nazistas, escreveu um artigo denominado “O Fuhrer protege o Direito”.

A adesão de Carl Schmitt ao nazismo não foi produto do oportunismo ou de ocasião. Antes da ascensão de Hitler já era um teórico renomado, havia escrito parte de sua obra, até hoje celebrada pela direita e por alguns intelectuais de esquerda. Não à toa uma importante biografia teórica sua tem o sugestivo título de A Dangerous Mind, por Jan-Werner Müller (“Uma mente perigosa”). A adesão de Schmitt ao nazismo tinha perfeita coerência com seu opúsculo Teologia Política, de 1922, publicado quando Hitler ainda era praticamente um vagabundo. A edição brasileira tem apresentação de Eros Grau, que não esconde seu entusiasmo pela Filosofia do Direito de Schmitt. Continue lendo “Mentes perigosas: o Brasil sob Estado de Exceção”

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Notas da Articulação Semiárido Brasileiro (ASA) e do Movimento de Organização Comunitária (MOC)

Nota do Movimento de Organização Comunitária – MOC contra o Golpe

O Movimento de Organização Comunitária (MOC) diante da instabilidade política, econômica e social vivenciada no Brasil, vem explicitar sua oposição e repúdio aos discursos e práticas de ódio crescentes advindos de uma elite burguesa e ressentida que conspira contra a democracia, que rasga a Constituição, que bate panelas protestando contra direitos e conquistas sociais, inclusive contra o direito básico de que outros/as brasileiros/as tenham suas panelas cheias de alimentos, realidade recente nesse país. Continue lendo “Notas da Articulação Semiárido Brasileiro (ASA) e do Movimento de Organização Comunitária (MOC)”

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Nota do CONSEA em Defesa da Democracia e pelos Direitos Humanos

O Conselho Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (CONSEA), espaço de diálogo entre a sociedade civil e o governo voltado para garantir a soberania e segurança alimentar e nutricional e o direito humano à alimentação adequada e saudável para toda a população brasileira, cumpre com seu dever ao vir a público se manifestar sobre uma das mais graves crises da história recente do Brasil.

Somos testemunhas e partícipes de importantes conquistas que permitiram eliminar a fome endêmica no Brasil, melhorar as condições para a produção de alimentos pelos agricultores e agricultoras familiares, povos indígenas, quilombolas, povos tradicionais de matriz africana, e demais comunidades tradicionais; construir instrumentos de proteção social em regiões historicamente desfavorecidas como o Semiárido, e muitos outros avanços na progressiva realização dos direitos humanos. Continue lendo “Nota do CONSEA em Defesa da Democracia e pelos Direitos Humanos”

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