Política das imagens, ecologia do olhar e memória ativa são contrapontos aos regimes de anestesia que banalizam o horror, o esquecimento acelerado e a saturação, convertendo tudo em “circulação descartável”
Por: Márcia Junges, em IHU
“A cultura é insurgente quando desnaturaliza hierarquias, desloca o centro, produz contranarrativas e restitui visibilidade a sujeitos, memórias e sensibilidades que a ordem dominante tenta rebaixar, folclorizar ou apagar. No Brasil, isso aparece de forma exemplar no carnaval, que faz da rua uma pedagogia estética e política, um lugar em que o ‘baixo’ se torna uma forma sofisticada de elaboração do comum”. A reflexão é da pesquisadora Ivana Bentes na entrevista concedida por WhatsApp ao Instituto Humanitas Unisinos – IHU. Em sua análise, o carnaval brasileiro expõe um paradoxo: “a sociedade que demoniza terreiros, desqualifica práticas afrorreligiosas e administra racialmente o espaço social é a mesma que busca, na avenida, o esplendor estético e afetivo produzido por essas matrizes. O desfile não resolve essa violência, mas a expõe e a desloca”.
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