Presidente assimila a cartilha de perseguição política dos anos 50. Reveste o racismo de patriotismo e busca sustentar o poder a partir do medo. Só trocou alguns espantalhos, como a ameaça comunista pelo marxismo cultural e imigração. Como antes, o excesso pode levá-lo à implosão
Por Celso Pinto de Melo, em Outras Palavras
Até os grandes palácios se desfazem no ar rarefeito. Como recorda Shakespeare em A Tempestade, toda glória humana é efêmera — e o mesmo destino aguarda projetos políticos erguidos sobre o medo. Em momentos de crise e transição, surgem fantasmas coletivos: nos Estados Unidos dos anos 1950, o comunismo; no presente, sob Donald Trump em sua segunda administração, o chamado “Estado profundo” (deep state) e o espectro de uma conspiração cultural global. Hoje, documentos estruturantes da Nova Direita norte-americana como o Project 2025 (Heritage Foundation, 2023) e o Project Esther (Coates, 2024; Abrams, 2025) retomam, sob novas formas, o mesmo propósito do macarthismo: reorganizar a vida pública pela manipulação do medo. Continue lendo “A ultradireita nos EUA: do macarthismo a Trump”