Ao contrário do bloco articulado por Washington, Brasil não tem defesas institucionais contra a cobiça sobre seus minerais estratégicos. Criar estatal é o primeiro passo – mas precisa ser seguido por novas medidas, e vasto debate nacional sobre o tema
No OutrasPalavras
O bloco mineral ocidental e os termos do debate no Brasil
Ao contrário dos países ricos articulados ao bloco mineral ocidental que, nas últimas décadas, construíram instrumentos regulatórios, financeiros e institucionais voltados à proteção de ativos estratégicos e à coordenação soberana de sua inserção nas cadeias produtivas globais, o Brasil ingressa no atual ciclo de disputa por terras raras e minerais estratégicos sem mecanismos equivalentes de segurança econômica, controle de investimentos ou supervisão sobre a aquisição de ativos sensíveis. Nesse contexto, a proposta de criação de uma estatal voltada à soberania mineral, como a Terrabrás, recoloca uma questão mais ampla e inescapável: como construir instrumentos nacionais capazes de proteger reservas estratégicas, definir soberanamente as condições de acesso ao território e orientar esses recursos em favor de um projeto nacional de desenvolvimento.
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