Queda abrupta do apoio ao governo expõe opção desastrosa, que precisa ser revertida. Presidente priorizou a governança via arranjos com o Congresso, frágeis e instáveis – e deixou de construir governabilidade, por meio de projetos e ações capazes de mobilizar as maiorias. É (ainda) hora de virada!
por Sonia Fleury, em Outras Palavras
1 – Os EUA não precisam da América Latina e do Brasil?
Na primeira parte deste artigo[1], analisei as enormes incertezas globais paroxisticamente acentuadas na primeira semana do governo Trump, em uma estratégia megalômana de se colocar como único poder imperial no mundo, por meio de uma enxurrada verborrágica ameaçando a anexação de territórios, de decretos de taxação de produtos estrangeiros e ações como a deportação e perseguição a imigrantes, além de ações concretas de perseguição a funcionários e cortes de verbas para programas sociais e ambientais. Além da retirada dos EUA da OMS e do Tratado de Paris, o que vai afetar a população mundial. Aumentou seus poderes decretando zona de emergência na fronteira sul e de emergência estratégica, e outras medidas com as quais procurou intimidar governantes, oposição, minorias, imigrantes, funcionários, cientistas etc. Como prevíamos, o aumento de tarifas de produtos do México, Canadá e China abriu um processo de pressão e negociação em curso. Ameaças foram feitas de taxação de 100% dos produtos do Brics – cuja presidência do Banco do Brics é atualmente exercida por Dilma Roussef –, caso os países adotem outra moeda que não seja o dólar em suas transações comerciais. O Brasil foi mencionado algumas vezes por Trump, como país que não é amigo dos EUA, mas a existência de um pequeno déficit comercial do Brasil, provavelmente adiará medidas imediatas de taxação de nossas mercadorias exportadas para aquele país. No entanto, a guerra comercial afetará o câmbio e poderá aumentar a inflação no Brasil, caso não sejam aproveitadas as melhores estratégias para estabelecer alianças comerciais com os demais países afetados em todos os continentes. Continue lendo “Lula 3: Por onde começar a mudança”










