Por que povos indígenas estão fechando o PA para tentar impedir dragagem do rio Tapajós

Contra privatização do rio, 700 indígenas ocupam empresa e fecham acesso a aeroporto em escalada de atos desde a COP30

Por Isabel Seta | Edição: Ed Wanderley, em Agência Pública

“Revoguem esse decreto, suspendam qualquer situação que venha a ferir nossos direitos e pronto, estamos resolvidos”. É assim que a liderança Auricelia Arapiun resume a principal demanda de mais de 15 povos indígenas: a revogação de um decreto do presidente Lula de agosto do ano passado que prevê a instalação de hidrovias em três rios amazônicos: o Tapajós, o Madeira e o Tocantins. Continue lendo “Por que povos indígenas estão fechando o PA para tentar impedir dragagem do rio Tapajós”

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Terras raras: A estratégia que falta ao Brasil

Em torno de materiais do futuro, emerge disputa geopolítica. EUA tentam submeter Américas à Doutrina Donroe. China acena com pactos voltados ao Sul Global. Alheias a este cenário, políticas brasileiras ainda estão pautadas pela financeirização

Por Edna Aparecida da Silva*, em Outras Palavras

Desde 2018, no primeiro governo Trump, minerais críticos passaram a integrar explicitamente a agenda de competição tecnológica, industrial e estratégica entre Washington e Pequim. Ao longo de 2025 e início de 2026, essa rivalidade ganhou densidade institucional: controles de exportação, acordos internacionais, estoques estratégicos, triagem de investimentos e participação estatal direta passaram a operar de forma coordenada. A disputa bilateral transforma-se, assim, em arquitetura de blocos e zonas de alinhamento, nas quais acesso a mercado, financiamento e tecnologia tornam-se instrumentos de contenção ou exclusão da China em setores sensíveis à competitividade e à segurança nacional dos Estados Unidos. Continue lendo “Terras raras: A estratégia que falta ao Brasil”

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O cálculo de Caiado e Kassab

Aparente fragmentação da direita revela algo a mais. Centrão aposta em reorganizar a direita e se libertar dos Bolsonaro, pensando em 2030. No curto prazo, busca ampliar bancada, projetar candidato próprio e testar sua força – para negociar, com Lula ou Flávio, o segundo turno

Por Glauco Faria, em Outras Palavras

No final de janeiro, o governador de Goiás, Ronaldo Caiado, anunciou sua saída do União Brasil e, em seguida, sua filiação ao PSD. A justificativa foi o fato de sua hoje ex-legenda, dentro da recém-formada e ainda não oficializada federação União Progressista, inviabilizar sua possível candidatura à Presidência da República. Continue lendo “O cálculo de Caiado e Kassab”

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A máquina de histeria moral das elites

Predatórias, porém hipócritas, elas evocam o combate à corrupção sempre que ameaçadas. A cada pleito, o discurso moral retorna para camuflar e legitimar seus privilégios e dominação – com apelos à intervenção das forças “puras” contra a “bandidagem” no poder

Por João Carlos Loebens, em Outras Palavras

Um discurso tem se repetido nos momentos de crise política da história brasileira: o combate à corrupção como imperativo moral supremo. Cabe lembrar que o discurso moral sempre é verdadeiro, mas a prática cotidiana pode estar completamente dissociada do discurso, como na famosa hipocrisia dos fariseus descrita na Bíblia. Esse discurso moralista é a ferramenta predileta da elite (na verdade, oligarquia econômica e midiática), para justificar aquilo que ela sempre executou quando perde o jogo democrático eleitoral: o Golpe de Estado. Continue lendo “A máquina de histeria moral das elites”

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Saúde mental, cidadania e cidades que cuidam

Aos 25 anos da Lei da Reforma Psiquiátrica, uma pergunta: direitos estão sendo de fato garantidos? Se cidades são cenário de vida comum e onde se realiza a liberdade, é preciso derrubar muros concretos e relacionais para encontrar respostas às necessidades coletivas

Por Cláudia Braga, em Outra Saúde

“A aplicação dessa normativa será tanto mais possível quanto mais se agregar, a partir da base, nas administrações locais, nas instituições singulares, nas articulações periféricas de trabalhadores e de usuários, nos movimentos políticos e sindicais, (…) a vontade de superar carências e atrasos (ausência de serviços, privatização da assistência em saúde, rigidez da classe médica, inércia dos políticos) e, do lado da população, a histórica ausência ou distância em relação à gestão das instituições. Uma normativa pode permitir isso, mas jamais poderá garanti-lo.”

Franco Basaglia, sobre a Lei 180, aprovada em 13 de maio de 1978, que determinou o fim dos hospitais psiquiátricos na Itália

Pedra angular normativa: direito à liberdade

Em abril de 2026, o Brasil celebrará 25 anos da Lei nº 10.216, que instituiu a reorientação do modelo de atenção em saúde mental e reconheceu os direitos das pessoas com condições de saúde mental. Continue lendo “Saúde mental, cidadania e cidades que cuidam”

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Eleições: A ameaça invisível das big techs. Por Reynaldo Aragon e Eden Cardim

A dez meses das urnas, resta um ponto cego: qual será o papel das redes sociais, turbinadas por IA? Corporações têm meios técnicos para desviar votos manipulando os medos e desejos de cada eleitor. Para impedi-las, é preciso ação política. Haverá?

Em Outras Palavras

A Eleição Invisível

A eleição brasileira de 2026 já começou — e ela não está acontecendo no território físico, mas no território cognitivo. Enquanto o debate público olha para pesquisas, candidatos e alianças partidárias, a disputa real se desenrola em outra camada da realidade: a arquitetura invisível das plataformas digitais, onde algoritmos e capital privado constroem aquilo que chamo de gerrymandering digital. Trata-se de uma técnica sofisticada, capaz de reorganizar o eleitorado não por regiões geográficas, como no gerrymandering clássico, mas por regiões emocionais, grupos de comportamento, padrões de vulnerabilidade psicológica e tendências de engajamento afetivo. Em vez de redesenhar distritos no mapa, as plataformas redesenham o mapa mental do país. Continue lendo “Eleições: A ameaça invisível das big techs. Por Reynaldo Aragon e Eden Cardim”

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Romaria da Terra do RS convoca reflexão sobre a ecologia integral e a terra sem males

Atividade no 17 de fevereiro na região das Missões transforma o feriado de Carnaval em um momento de fé e luta

Por Marcos Antônio Corbari | Brasil de Fato, em CPT

No dia 20 de janeiro, foi realizada a última reunião da comissão organizadora ampliada da 48ª Romaria da Terra do Rio Grande do Sul, que acontecerá na terça-feira de Carnaval, dia 17 de fevereiro, no Santuário do Caaró, município de Caibaté, na região das Missões. O encontro consolidou os encaminhamentos pastorais, organizativos e políticos de uma das mais importantes manifestações populares de fé e luta social do estado. Além de lideranças da diocese, estiveram presentes no encontro preparatório movimentos populares, pastorais sociais, sindicalistas e representantes dos poderes públicos locais. Continue lendo “Romaria da Terra do RS convoca reflexão sobre a ecologia integral e a terra sem males”

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Ataque a acampamento do MST na Chapada Diamantina

Invasão ocorreu no acampamento Rosimeire Araújo, em Piritiba. Além de incendiar barracos, policiais militares colocaram em risco crianças, idosos e mulheres, segundo relatos

Da Página do MST

Famílias denunciam que, na manhã desta quarta-feira (4), duas viaturas da Polícia Militar adentraram as áreas do acampamento Rosimeire Araújo, no município de Piritiba (BA), na região da Chapada Diamantina. Os policiais invadiram o local sem mandado de reintegração de posse ou qualquer ordem judicial, e durante o ataque, ameaçaram os moradores e incendiaram barracos, colocando em risco a integridade física das famílias, incluindo mulheres, crianças e idosos. Continue lendo “Ataque a acampamento do MST na Chapada Diamantina”

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Indígenas do Acre e do Amazonas e mulheres camponesas denunciam ameaças e fortalecem resistência à Amacro

Povos do Acre e sul do Amazonas e Movimento de Mulheres Camponesas participaram da oficina “Amacro, Georreferenciamento e Troca de Sementes”, organizada pelo Cimi Regional Amazônia Ocidental

Rio Branco, Acre – Em um cenário de crescentes ameaças aos territórios e modos de vida tradicionais, povos indígenas do Acre e do sul do Amazonas, juntamente com o Movimento de Mulheres Camponesas (MMC), se reuniram em Rio Branco para a oficina “Amacro, Georreferenciamento e Troca de Sementes”. Organizado pelo Conselho Indigenista Missionário – Cimi Regional Amazônia Ocidental, o encontro, realizado entre 28 e 31 de janeiro de 2026, serviu como um espaço crucial para aprofundar o debate sobre os perigos da Amacro e fortalecer as estratégias de resistência e autonomia. Continue lendo “Indígenas do Acre e do Amazonas e mulheres camponesas denunciam ameaças e fortalecem resistência à Amacro”

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Crédito de carbono para florestas: – 7. Conclusões

Em texto de encerramento da série, os autores alertam que embora o REDD+ ofereça potencial teórico para promover a conservação e o desenvolvimento sustentável nos trópicos, é crucial avaliar criticamente seus impactos no terreno. Segundo eles, não existem intervenções de conservação que sejam “soluções milagrosas”, e que os impactos dependem do desenho e do contexto da intervenção

Por Thales A.P. West, Kelsey Alford-Jones, Philippe Delacote, Philip M. Fearnside, Ben Filewod, Ben Groom, Clemens Kaupa, Andreas Kontoleon, Tara L’Horty, Benedict S. Probst, Federico Riva, Claudia Romero, Erin O. Sills, Britaldo Soares-Filho, Da Zhang, Sven Wunder e Francis E. Putz, em Amazônia Real


As narrativas romantizadas em torno de projetos de redução de emissões de desmatamento e degradação (REDD+) no mercado voluntário de carbono (VCM) parecem emergir de uma combinação injustificada de compreensão insuficiente das limitações dos atuais protocolos de crédito e conflitos de interesse — onde a conveniência é priorizada em detrimento da integridade, alimentando assim os escândalos recentes destacados na mídia e na literatura acadêmica. Esses escândalos têm consequências que vão muito além de resultados questionáveis de projetos e emissões que não foram compensadas. Eles expõem falhas sistêmicas profundas, porém ignoradas, no REDD+ em um momento crucial, à medida que as negociações se desenrolam sobre sua potencial inclusão no Acordo de Paris. Continue lendo “Crédito de carbono para florestas: – 7. Conclusões”

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