Mulheres Sem Terra seguem mobilizadas na Bahia

“Precisamos aglutinar forças enquanto classe e avançar na luta”, afirma dirigente nacional do MST

Por Coletivo de Comunicação do MST na Bahia

“Vivemos um momento de mudanças e de grandes retrocessos nos direitos de cada trabalhadora e trabalhador. Por isso, precisamos aglutinar forças enquanto classe e avançar na luta”, afirmou João Paulo Rodrigues, da Direção Nacional do MST, nessa segunda-feira (13), durante a ocupação no Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), realizada pelas Mulheres Sem Terra desde o dia 06.

Com elementos gerais sobre a Jornada Nacional de Lutas das Mulheres Sem Terra e apontando questões sobre o atual cenário político brasileiro, João Paulo falou dos avanços e desafios que a classe trabalhadora possui, com foco nas lutas do 08 de março.

Para ele, nessa data foi possível construir grandes mobilizações em torno de pautas diversas, porém sem perder de vista a denúncia ao Capital e às medidas golpistas do governo Temer, como a reforma da Previdência.

“No dia 8, mais de 40 mil trabalhadoras ocuparam as ruas de 20 estados”, destacou Rodrigues. Na Bahia, a Direção Estadual do MST avalia que cerca de 2,5 mil mulheres Sem Terra estavam em luta, gritando “Fora Temer!” e exigindo o fim da violência de gênero.

“Por outro lado, a repressão do Estado também foi forte”, avalia o dirigente, e continua, “exemplo disso foi a prisão de três companheiros no estado de Tocantins e o encarceramento de diversas companheiras dentro de um ônibus pela polícia, para impedirem de fazer a luta”.

Avanços e desafios

“Compreendendo a correlação de forças, o governo golpista vem atuando com quatro estratégias: a Lava-Jato, o avanço do Conservadorismo [com pautas que retiram direitos], o uso da classe média raivosa contra os movimentos sociais e organizando os partidos de direita”, explicou João Paulo.

“Porém, segundo o dirigente, não podemos deixar de falar da amplitude das lutas que estamos fazendo, já que a esquerda destacou bandeiras no bojo da unidade, como as pautas feministas, a questão racial e os LGBT dentro de diversas organizações”.

E conclui: “essas questões ainda são grandes desafios que precisam estar na centralidade das lutas no campo interno das organizações, e externo, no enfrentamento às estruturas de opressão”.

João Paulo falou ainda de duas tarefas que cabem a cada sujeito no processo de construção dos enfrentamentos diários aos retrocessos constitucionais vigentes. A primeira delas está no campo do trabalho de base, com o objetivo de mobilizar e trazer os trabalhadores e trabalhadoras que não possuem vínculo com nenhuma organização social a ocuparem as ruas em defesa de seus direitos.

O segundo é a criação de uma pauta de caráter reivindicatório, apontando as bandeiras dos movimentos populares, para assim, conseguir mobilizar e construir maior unidade nas frentes de articulação e lutas de massa.

A Jornada segue

O MST da Bahia deu o pontapé inicial à Jornada de Lutas das Mulheres Sem Terra e as mobilizações seguem em todo o estado.

Dando continuidade a esse processo, e ainda sem previsão de saída do Incra, o MST inicia os debates nessa semana questionando a morosidade do governo do Estado em atender a pauta de reivindicações do movimento. Questões como educação, saúde e infraestrutura para os assentamentos de Reforma Agrária não são solucionadas desde 2015, mesmo diante das diversas lutas realizadas pelo movimento camponês.

Nesse sentido, foi solicitada uma reunião com o governador Rui Costa para realizar um balanço e discutir as pautas de reivindicações. Até o fechamento dessa matéria, não houve retorno a essa solicitação. Enquanto isso, as trabalhadoras seguem mobilizadas.

*Editado por Leonardo Fernandes

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