Sob Constante Ameaça: documentário mostra como o medo influencia a forma como mulheres ocupam a cidade

Pesquisa feita pela Agência Pública revela que 93% das mulheres evitam andar à noite pela cidade; documentário acompanha a caminhada pelos locais onde elas se sentem ameaçadas

 Agência Pública

O documentário “Sob Constante Ameaça” acompanha a caminhada de algumas mulheres por São Paulo e revela como o medo da violência de gênero influencia a forma de ocupar a cidade. Coproduzido pela Agência Pública e pela SPCine, o curta-metragem é dirigido pela repórter Andrea Dip e pelo artista plástico Guilherme Peters.

Sob uma perspectiva interseccional, os diretores entrevistaram mais de 20 mulheres de diversas regiões de São Paulo. Essas entrevistas se transformam em uma única narrativa em off, que aborda a violência de gênero sofrida nas ruas sob diferentes recortes e acompanha as imagens das mulheres caminhando por ruas escuras, passarelas e becos da cidade.

Para além dos lugares, as entrevistas revelam outras preocupações das mulheres ao sair de casa, como o horário e as roupas que estão usando. Enquanto os homens tendem a não se preocupar com essas questões, em uma pesquisa feita com mais de 2.500 mulheres, Andrea e Guilherme apuraram que 93% das pesquisadas evita andar na rua a noite.

As pesquisas para o documentário começaram em 2015, quando a pauta ganhou uma das votações do Reportagem Pública, projeto da Agência Pública financiado por crowdfunding que permite que os apoiadores escolham o que será investigado pela equipe. Em 2016, a pauta foi transformada em um projeto contemplado por um edital da Spcine.

Um dos passos iniciais para a produção de “Sob Constante Ameaça” foi a elaboração e divulgação da pesquisa que contou com as respostas de 2590 mulheres. À pergunta “Você já mudou seu trajeto para evitar algum tipo de violência de gênero?”, 63,1% respondeu que sim e 21,6% respondeu que muda o trajeto com frequência. Com base nesses e em outros números obtidos através da pesquisa, a equipe passou às entrevistas para entender e revelar como mulheres tão diferentes ocupam a cidade tendo o medo da violência de gênero como denominador comum.

A equipe que produziu o documentário é formada em sua maioria por mulheres (confira a ficha técnica abaixo), incluindo a direção de fotografia de Camila Cornelsen. Além disso, o filme tem desenho de som e trilha sonora originais criados por Bruno Palazzo – algo muito importante já que o filme propõe ao espectador caminhar pela cidade junto com as personagens e cria paisagens sonoras que envolvem o espectador em um suspense continuo – vivenciado pelas mulheres em suas rotinas reais e traduzido na fala de uma delas: “Uma das coisas que é muito comum é eu não saber se vou voltar inteira pra casa”.

“Sob Constante Ameaça” será lançado em São Paulo no dia 21 de junho, na Sala Antônio de projeção, dentro da Galeria Vermelho (Rua Minas Gerais, 350). Às 19h30 tem início a primeira sessão do documentário, que será seguida por uma entrevista ao vivo de Andrea Dip com a urbanista Haydee Svab. Uma segunda sessão ocorre às 21h.

Ficha Técnica:

Direção: Andrea Dip e Guilherme Peters

Direção de Fotografia: Camila Cornelsen

Produção: Didi Lima

Som direto: Guilherme Peters

Assistente de Fotografia: Yale Oliveira

Operador de steadicam: Francisco Orlandi

Desenho de som e trilha: Bruno Palazzo

Produção Executiva: Didi Lima e Roberta Carteiro

Pesquisa: Andrea Dip

Montagem: Andrea Dip e Guilherme Peters

Entrevistas: Andrea Dip

Motorista: Gerson Rodrigues

Finalização e Correção de cor: Francisco Orlandi

Projeto Gráfico: Guilherme Peters

Assistência Jurídica: Eduardo Correa Kissajikian

Serviço

Local: Sala Antonio/ Galeria Vermelho

Rua Minas Gerais, 350. São Paulo, SP

Tel: +55 11 31381520

Data: 21 de junho de 2018

Sessões: 19h30 e 21h

Duração: 25’40’’ min

Debate: 20h (60’)

Capacidade: 40 Lugares

Entrada Gratuita

Sobre a Agência Pública: A Agência Pública foi fundada em 2011 e tem como missão produzir reportagens de fôlego pautadas pelo interesse público, sobre as grandes questões do país do ponto de vista da população – visando o fortalecimento do direito à informação, à qualificação do debate democrático e a promoção dos direitos humanos. Em 2017 a Agência Pública foi vencedora dos prêmios Vladimir Herzog e Prêmio República e duas vezes finalista do Prêmio Gabriel García Marquez. https://apublica.org/

Sobre Andrea Dip: Começou no jornalismo de direitos humanos em 2001 na revista Caros Amigos e desde então já escreveu para diversos veículos. Na Agência Pública de Jornalismo Investigativo é repórter especial e cobre temas relacionados à gênero, sistema carcerário, infância, entre outros. Tem 5 prêmios de jornalismo em direitos humanos e em 2013 ganhou o Prêmio Tim Lopes de Jornalismo Investigativo da ANDI para produzir, ao lado do quadrinista Alexandre de Maio, a primeira grande reportagem investigativa feita totalmente em quadrinhos no país. A matéria foi finalista do Prêmio Gabriel Garcia Marquez em 2015. Em 2016 recebeu o Troféu Mulher Imprensa na categoria site de notícias. É autora do livro reportagem “Em nome de quem?” da Editora Civilização Brasileira, que investiga o projeto de poder da bancada evangélica.

Sobre Guilherme Peters: Artista plástico com trabalhos que transitam entre o vídeo, performance e instalação. Participou de exposições como 8ª Bienal do MERCOSUL Ensaios de Geopoéticas – 2011- Porto Alegre – Brasil, Panoramas do Sul – 17° Festival Internacional de Arte Contemporânea Videobrasil – 2011 – SESC Belenzinho – São Paulo – Brasil, FLAM III [Forum of Live Art Amsterdam] – Arti et Amicitiae – 2012 – Amsterdam – Holanda – São Paulo – Brasil, Amor e ódio a Lygia Clark – 2013 – Zacheta National Gallery – Varsóvia – Polônia, La Historia la escriben los vencedores – 2014 – Espacio OTR – Madri –  Espanha, The part that doesn’t belong to you, Wiesbaden – 2014 – Kunsthaus –  Wisbaden Alemanha, The buling point – 2015 –  PSM gallery –  Berlim –  Alemanha. Realizou exposições individuais como Palácio da Eternidade e a Valsa dos Esquecidos – 2013 – Palácio das Artes –  Belo Horizonte –  MG –  Brasil e U=RI – 2013, Galeria Vermelho –  São Paulo –  Brasil. Em 2011 dirigiu o curta “Inimigo invisível” 16’17’’, em 2014 co-dirigiu junto com Roberto Winter o o longa-metragem Proxy Reverso, que recebeu três prêmios no Festival “Semana dos Realizadores”: Montagem e Invenção, Prêmio ABD – Audiovisual Independente, Premio Especial do Júri.

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