Famílias são retiradas à força e tem suas casas demolidas pela UHE Baixo Iguaçu, no Paraná

No MAB

Numa ação injusta, o consórcio responsável pela UHE Baixo Iguaçu, com o aparo da polícia militar acaba de desapropriar famílias atingidas no município de Capitão Leonidas Marques, região oeste do Paraná.

A maioria dos trabalhadores, que viviam em suas propriedades há mais de 10 anos, viram suas casas serem demolidas, ainda com alguns de seus pertences dentro.

“Espero que ninguém passe o que estamos passando, apesar de ter amigos passando por isso também. A situação é muito preocupante, ao todo são mais de 200 famílias que ainda não foram indenizadas, porém as águas ameaçam expulsá-las de suas residências. Faltam menos de 20 dias para o enchimento do lago. Lamentavelmente neste momento o Governo do Estado do PR se omite diante desta situação, afirma Romeu Antonio, atingido pela UHE Baixo Iguaçu.

Atingidos registraram as ações em vídeo:

A estimativa é de que cerca de 200 famílias estejam na mesma situação, sem ter seus direitos reconhecidos pelo consórcio e sem perspectiva de resolução do problema.

Maristela da Costa Leite, militante do MAB na região, denuncia a falta de diálogo do Poder Judiciário com a população afetada. “Os juízes das comarcas, tem ouvido só o lado da empresa e que, sem nenhum diálogo com as famílias, ocorre as ordens de desapropriação. Então hoje é um fato concreto que está acontecendo com duas das famílias que estão judicializada”, explica.

Maristela explica que existem famílias que estão enquadradas para as áreas de reassentamento, porém a empresa não adquire essas áreas. Para além, também há a situação das famílias que estão nas áreas de remanso: “Agora que começou o processo de entrega dos laudos, porém, há famílias que já contestam os valores deles e nem todos ainda foram entregues. Também não começaram os processos de indenização que são para mais de setenta família”.

Para o MAB, é um cenário muito complexo e difícil: “Há uma necessidade muito grande, tanto do Ministério Público quanto da Defensoria, agir aqui na região do Baixo Iguaçu. E lógico que não podemos deixar de falar do órgão licenciador, que é o Instituto Ambiental do Paraná (IAP), onde também encontramos limites no que diz respeito a intermediar essa conversa com a empresa”, explica Maristela.

Os atingidos pela usina hidrelétrica já organizaram diversos protestos e ações para denunciar os descasos de direitos das empresas, mas as violações seguem acontecendo.

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