Empresa despeja dejetos em rio de João Pessoa, formando uma gosma de cerca de 0,5 km

População da região metropolitana da capital paraibana depende da água do rio Gramame

Cida Alves, Brasil de Fato

Mais uma vez o Rio Gramame foi vítima da atuação de empresas que usufruem daquela água para produção de suas mercadorias. Desta vez ,a empresa Conpel (Companhia Nordestina de Papel), identificada como autora do crime ambiental, assumiu a responsabilidade pela poluição de cerca de 0,5 km do leito do rio, ao passo que justificou como decorrência de problemas na sua bacia de contenção.  

Segundo Ivanildo Santana, gestor ambiental da Escola Viva Olho do Tempo e coordenador da Campanha Permanente “O Rio Gramame Quer Viver Em Águas Limpas”, esses dejetos, que foram lançados na madrugada de segunda-feira (16), permanecem parados sobre as folhas ao longo do rio. Três dias depois, o material ainda continua lá.

“Houve a convocação de órgãos como Sudema, Semam e Ibama, que fizeram a fiscalização e levaram material para fazer análise, além de autuarem a empresa Conpel para que retirasse o material do rio. No entanto, há dificuldades, porque após a incidência de três dias na água, ao tentar retirar o material com a ‘concha’ do trator, ele se dilui”, explica.

As comunidades ribeirinhas, juntamente com a Escola Viva Olho do Tempo, fizeram algumas ecobarreiras para evitar que boa parte do material escoasse rio abaixo, e agora aguardam as análises para verificar qual tipo de autuação será feita à indústria. 

“A gente filmou na virada do domingo para segunda, e agora falta retirar esse material e ver que tipo de toxicidade existe na água para sabermos que tipo de responsabilidade será designada a essa indústria”, declara Ivanildo.

Ele afirma que o despejo de efluentes no rio é constante: o riacho Mussuré, que passa no meio do estreito e recebe todo o rejeito das indústrias é um dos afluentes, que deságua no rio Mumbaba, e que deságua no Rio Gramame, resultando em conexões naturais que interferem diretamente na bacia do Rio Gramame. Todas as empresas que não têm a bacia de contenção jogam dejetos diários nos vários tipos de afluentes, e toda a qualidade de toxinas que vai pro Mumbaba, que vai pro Gramame, impactando toda a biodiversidade.

“Esses mananciais estão dentro do complexo da Bacia do Rio Gramame, então, o impacto é muito grande para esse rio que vai até o mar, até a desembocadura do rio: a situação vai da Nascente até a Foz”, complementa Ivanildo.

Pela legislação ambiental, cada indústria que trabalha com a coleta de água de rio deve dispor de um tanque chamado bacia de contenção. Cerca de 58 Indústrias fazem uso das águas da bacia do Rio Gramame, e no entanto, a maioria não tem este equipamento para poder tratar os dejetos que caem nas vias fluviais.

O Rio é vital para a região

O Gramame é o rio mais importante da capital porque abastece toda a cidade. “A cidade não sobrevive sem esse rio que fornece água aos sete municípios, e João Pessoa é o que mais se beneficia dele, com toda a captação e distribuição de água. Cerca de um milhão de pessoas dependem dessa água para sobreviver, então convidamos a todos para serem co-responsáveis e defender o Rio”, afirma Ivanildo.

A Campanha Permanente “O Rio Gramame Quer Viver Em Águas Limpas” faz o monitoramento do Rio Gramame há 17 anos e é uma realização da Escola Viva Olho do Tempo, juntamente com as comunidades ribeirinhas.

Edição: Redação BdF.

Imagem: Rio Gramame inundado por dejetos de empresa de papel / Ivanildo Santana

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