APIB lança ‘Cumplicidade na Destruição IV’: Terras indígenas continuam no alvo das gigantes da mineração, aponta relatório

APIB

Nesta terça a Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib) e a Amazon Watch lançam o relatório ‘Cumplicidade na Destruição IV’, mostrando as mineradoras que têm interesses em territórios indígenas apesar de negarem publicamente. O documento traz ainda os financiadores que investiram 54,1 bilhões de dólares nessas empresas.

Em novembro de 2021 nove mineradoras possuíam um total de 225 requerimentos minerários ativos com sobreposição em 34 Terras Indígenas. Com o avanço de projetos de lei como o PL 191/2020 e o PL 490/2007 – pautas principais da agenda anti-indígena no Congresso – esses requerimentos podem garantir prioridade na exploração desses territórios. O documento lista ainda 19 recomendações para as empresas, bancos e gestores de investimento, governo brasileiro e comunidade internacional aumentarem seus esforços de forma a mudar esse cenário e atuar de forma efetiva na responsabilidade socioambiental.

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Nota dos Autores:

O relatório Cumplicidade na Destruição IV é publicado após um ano que foi histórico para a luta dos povos indígenas do Brasil. Dois mil e vinte um assistiu, por um lado, à ampliação das pressões e retrocessos contra os direitos dos povos indígenas, levados adiante pelas forças que cobiçam transformar seus territórios em áreas de exploração e lucro. Por outro lado, a mobilização dos povos indígenas do Brasil chegou a um nível sem precedentes. Com a liderança da Apib e de suas organizações regionais, a luta dos povos indígenas ganhou ainda mais visibilidade nacional e internacional, em uma disputa incessante contra o governo Bolsonaro, que elegeu os povos indígenas como seus inimigos prioritários. O governo brasileiro é aliado do agronegócio, da indústria da mineração, e do garimpo e da extração de madeira ilegais. Essa atual aliança representa a perpetuação da invasão colonial sobre as Terras Indígenas que conseguiram permanecer protegidas.

A mineração é uma atividade primária, que tem raízes ainda no princípio da invasão colonial e, até hoje, segue trazendo morte e devastação ao meio ambiente e aos povos indígenas. Ela destrói os territórios, envenena as águas e tudo que depende delas, e devasta as comunidades em seu entorno. A mineração industrial impõe um enorme custo a todos para gerar lucros que se concentram em poucas mãos. Em um momento de crise climática, no qual as grandes mineradoras se posicionam como atores centrais para a produção de energias renováveis, precisamos visibilizar os impactos desse extrativismo sem limites, especialmente sobre os territórios indígenas – áreas fundamentais para contenção do desmatamento e, portanto, para o equilíbrio climático de todo o planeta.

No momento em que o Congresso brasileiro discute projetos de lei como o PL 191/2020, que abre os territórios indígenas para a mineração e outras atividades extrativas, e o PL 490/2007, que muda as regras para demarcações de terras indígenas, todo o setor mineral, seus financiadores e a comunidade internacional precisam dar um passo além e garantir que a mineração fique fora desses territórios e de outras áreas protegidas. Essa é uma obrigação de todas e todos diante dos povos que a colonização tentou exterminar ao longo da história e que, apesar disso, seguem vivos e oferecendo alternativas ao modelo de exploração e devastação de nosso planeta.

Leia a nota completa no PDF

Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib)
Amazon Watch

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