Mapa de Conflitos da Fiocruz aponta impactos das chuvas intensas e inundações no RS

Por Suzane Durães (VPAAPS/Fiocruz)

O Mapa de Conflitos envolvendo Injustiça Ambiental e Saúde no Brasil iniciou o ano de 2026 com a inclusão em sua plataforma de um estudo que analisa os impactos das chuvas intensas e inundações registradas em 2023 e 2024 no Rio Grande do Sul (RS). A análise é resultado de uma parceria da Fiocruz com a Ouvidoria Externa da Defensoria Pública do Estado do RS e com organizações gaúchas, que elaboraram um relatório sobre os efeitos da crise climática no estado. A partir desse documento, a equipe do Mapa de Conflitos da Fiocruz sistematizou e organizou as informações que deram origem ao estudo intitulado Rio Grande do Sul no contexto da Crise Climática: eventos extremos no Vale do Taquari e na Bacia do Lago Guaíba

Coordenado pela Vice-Presidência de Ambiente, Atenção e Promoção da Saúde (VPAAPS/Fiocruz), o Mapa foi criado em 2008 pela Fase e a Fiocruz, com apoio do Departamento de Saúde Ambiental e Saúde do Trabalhador do Ministério da Saúde (MS). Foi disponibilizado na internet em março de 2010, com 297 conflitos mapeados, e registra, atualmente, um total de 691. O objetivo é dar visibilidade às informações e permitir o monitoramento de ações e de projetos que enfrentam situações de injustiças ambientais relacionadas à saúde em diferentes territórios e populações das cidades, campos e florestas, além das zonas costeiras.

O novo documento aponta que as enchentes e eventos climáticos evidenciaram a vulnerabilidade ambiental da região e revelaram limitações das políticas públicas para reduzir riscos, prevenir danos e garantir medidas efetivas frente à crise climática. O desastre teve um impacto devastador na vida de milhares de pessoas, comprometendo seriamente a segurança, a saúde e o bem-estar da população afetada.

De acordo com boletins divulgados pela Defesa Civil do Rio Grande do Sul, a população potencialmente afetada chegou a 2,4 milhões de pessoas. A partir de um cruzamento entre a mancha de inundação e a geolocalização da população, o Laboratório de Inovação (Singed Lab) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) contabilizou 876.565 pessoas diretamente afetadas pelo fenômeno climático extremo de 2023 e 2024.

A crise ambiental no Rio Grande do Sul atingiu de forma direta 75% da população gaúcha (em 425 dos 497 municípios) e a totalidade da economia regional, em perspectiva de longo prazo. No entanto, as enchentes atingiram de forma mais severa comunidades historicamente marginalizadas, como indígenas, quilombolas e afrodescendentes, expondo a desigualdade social e o racismo ambiental.

Segundo dados do Adapta Brasil, plataforma do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) que avalia os riscos dos municípios brasileiros às mudanças climáticas e orienta a tomada de decisões, o Rio Grande do Sul é considerado vulnerável: 41% das cidades gaúchas têm capacidade adaptativa – ou seja, de se ajustar e responder a possíveis desastres geo-hidrológicos de inundações, enxurradas e alagamentos.

O estudo também aponta impactos socioambientais relacionados ao desastre climático e reúne efeitos sobre a saúde das populações atingidas. As alterações no ciclo reprodutivo da fauna, alterações no regime tradicional de uso e ocupação do território, assoreamento de recurso hídrico, contaminação ou intoxicação por substâncias nocivas, erosão do solo, falta ou irregularidade na demarcação de território tradicional, ausência de saneamento básico e a poluição estão entre os diversos impactos elencados.

Os danos à saúde citados são acidentes, desnutrição, doenças mentais ou sofrimento psíquico, doenças não transmissíveis ou crônicas, doenças respiratórias, falta de atendimento médico, insegurança alimentar, piora na qualidade de vida e violências sofridas no território.

 

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