Ele existe há poucas décadas. Suas falhas e imprecisões, amplamente conhecidas, induzem a um “crescimento” que devasta sociedade e natureza. As lógicas capitalistas impõem sua sobrevivência. Dois movimentos as questionam
Por Marcos Barbosa de Oliveira, em Outras Palavras
Este ensaio trata do PIB (Produto Interno Bruto), sua história (seção1) e seus defeitos enquanto indicador do bem estar das populações (seção2), com destaque para as externalidades ambientais negativas (seção 3). Tais defeitos substanciam um número enorme de críticas ao PIB, algumas bem radicais, que motivam a criação de indicadores alternativos (seção 4). Uma característica importante das críticas é a de que elas são reconhecidas pelo establishment; mais precisamente pelas instituições internacionais responsáveis pelo estabelecimento de normas e métodos para a medição do PIB (seção 5). Esses fatores dão origem a um paradoxo: apesar da unanimidade no reconhecimento das disfuncionalidades do PIB, ele continua firme em seus papéis de parâmetro para a condução de políticas econômicas, variável a ser maximizada, critério de avaliação do desempenho de governos, etc. A explicação para o paradoxo é exposta na seção 6, com base no conceito de força do capital. A seção 7 retoma os temas da seção 3, analisando a relação entre o crescimento do PIB e os problemas ambientais. A seção 8 trata dos dois principais movimentos de esquerda no enfrentamento da crise ambiental, o do decrescimento e o ecossocialismo. A tese defendida é a de que, embora compartilhem diversas propostas, há pelo menos três fatores que dificultam a associação dos dois movimentos, do ponto de vista do ecossocialismo. Continue lendo “PIB, história de um índice-zumbi”