Processo contra estudantes que ocuparam universidade do Paraná em 2016 só terminou em 2023

Universidade Tecnológica do Paraná, ocupada em 2016, pediu multa de R$ 10 mil por jovem

Por Bruno Fonseca, Agência Pública

Foi na noite de sexta-feira, dia 18 de novembro de 2016, que a decisão foi anunciada. Já passava das 22h quando estudantes da Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR) ocuparam o campus contra uma das principais bandeiras do então presidente Michel Temer (MDB) — a PEC do Teto dos Gastos. Continue lendo “Processo contra estudantes que ocuparam universidade do Paraná em 2016 só terminou em 2023”

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MPF recebe na próxima terça (13) em Porto Alegre (RS) primeira reunião da Coordenação de Fórum Nacional de Combate aos Impactos dos Agrotóxicos e Transgênicos

Durante evento, que também contará com palestras ao longo do dia, vai ocorrer eleição dos coordenadores adjuntos temáticos do Fórum

Ministério Público Federal no Rio Grande do Sul

O Ministério Público Federal (MPF) vai receber, em Porto Alegre (RS), a primeira reunião da Coordenação Ampliada do Fórum Nacional de Combate aos Impactos dos Agrotóxicos e Transgênicos na próxima terça-feira (13). Na ocasião, vai ocorrer a eleição dos coordenadores adjuntos temáticos do Fórum. Participarão do evento os integrantes da coordenação ampliada do Fórum Nacional. O encontro também será aberto aos integrantes do Fórum Gaúcho de Combate aos Impactos dos Agrotóxicos (FGCIA). Continue lendo “MPF recebe na próxima terça (13) em Porto Alegre (RS) primeira reunião da Coordenação de Fórum Nacional de Combate aos Impactos dos Agrotóxicos e Transgênicos”

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Incerteza, um ensaio. Por Eugênio Bucci

Em A Terra é Redonda

O incerto alguém e o dono da máquina

O nosso problema é que a máquina é um fator de incerteza muito maior para você do que você para ela. A maior parte das dúvidas a seu respeito seu smartphone já contabilizou e precificou. Os aplicativos e os algoritmos sabem quase tudo do que está por trás dos seus dedos que digitam e dos seus olhos que se movem de modo atarantado percorrendo cada milímetro quadrado da tela. É por isso que a máquina “adivinha”, no instante mesmo em que você digita o “v”, que você vai escrever “vazio”, ou “valor”, ou “vício”. Continue lendo “Incerteza, um ensaio. Por Eugênio Bucci”

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Racismo, perseguição e assassinatos nas instalações da CSN nos anos da ditadura

Entre prática de torturas e matar funcionário, empresa cometeu 11 tipos de violações aos direitos humanos

Por André Borges, Agência Pública

Eram 6 horas da manhã do dia 1° de abril de 1964, quando João Alves dos Santos Lima Neto, presidente do Sindicato dos Metalúrgicos, chegou na entrada da Usina Presidente Vargas, um complexo siderúrgico instalado na região sul do Rio de Janeiro. Poucas horas antes, os militares haviam declarado o golpe de estado no País. Lima Neto, com o apoio de algumas lideranças operárias, se mobiliza para somar resistência à tomada de poder. O plano era reunir os trabalhadores da usina e decretar greve geral na principal unidade de produção de aço do Brasil, uma cidade industrial erguida em Volta Redonda e conhecida como Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), à época, uma estatal. Continue lendo “Racismo, perseguição e assassinatos nas instalações da CSN nos anos da ditadura”

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Prende, que é preto! Por Ynaê Lopes dos Santos*

Heranças nefastas da escravidão ainda se fazem ouvir em muitas brechas da nossa vida republicana. Por aqui, todo camburão ainda tem um pouco de navio negreiro, afirma a colunista

em DW

O Coronel Miguel Vidigal entrou para a história da Polícia do Rio de Janeiro por implementar um “sistema de segurança” extremamente simples e profundamente eficiente: ele prendia qualquer pessoa preta que considerasse suspeita, e só averiguava a possível culpabilidade dela depois que a prisão tivesse sido executada. Continue lendo “Prende, que é preto! Por Ynaê Lopes dos Santos*”

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Dez anos de protestos: qual o perfil dos manifestantes que vão às ruas no Brasil?

Levantamento da Agência Pública revela semelhanças e diferenças do público nos protestos que marcaram o país desde 2013

Por Bianca Muniz, em Agência Pública

Um homem branco, com Ensino Superior completo e renda familiar de cinco a dez salários mínimos. Um homem negro, com Ensino Fundamental completo e renda familiar de até dois salários. Os dois perfis representam as características dominantes das pessoas que participaram de dois grandes momentos de protestos de rua no Brasil na última década. Continue lendo “Dez anos de protestos: qual o perfil dos manifestantes que vão às ruas no Brasil?”

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Reforma agrária é instrumento para a conservação da biodiversidade

Na contramão das áreas exploradas pelo agronegócio, os assentamentos da reforma agrária do Paraná tem em média 29,4% de vegetação nativa

Por Claudia Sonda*, na Página do MST

Dados recentemente publicados pelo Instituto Água e Terra – IAT sobre o Cadastro Ambiental Rural (CAR) dos assentamentos de reforma agrária do estado do Paraná são reveladores. Trata-se de um estudo que se fundamentou nos resultados parciais do CAR dos 333 assentamentos rurais cadastrados, pelo INCRA, no Sistema de Cadastro Ambiental Rural – SICAR. Esse estudo calculou a área de cobertura de vegetação nativa em todos os assentamentos rurais com base no mapa de vegetação do estado de 2021. Os resultados mostraram a quantidade de vegetação nativa por assentamento, disponível na página do site o IAT. Continue lendo “Reforma agrária é instrumento para a conservação da biodiversidade”

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“Ocupar a terra é defender a natureza porque o MST tem um projeto: a reforma agrária”

Em entrevista, Renata Menezes fala sobre a Jornada da Juventude e de Vivências com o MST, trazem reflexões sobre o Meio ambiente

Por Fernanda Alcântara, na Página do MST

Junho começou com o MST exaltando a importância reforma agrária popular e, junto da Juventude Sem Terra e a partir do Plano Nacional Plantar Árvores, Produzir Alimento Saudável, alertando para possibilidades no campo para a construção de um futuro possível e saudável. Continue lendo ““Ocupar a terra é defender a natureza porque o MST tem um projeto: a reforma agrária””

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Funcionário da Funai foi sócio de cooperativa indígena, representou fazendeiros em negociação de multa e confirma “lavagem de soja” de ruralistas

Servidor confirma que indígenas vendem soja de área não licenciada para uma empresa que mistura com grãos dos fazendeiros

Por Tatiana Merlino, em O Joio e o Trigo

Um servidor da coordenação regional da Funai em Mato Grosso vem extrapolando suas atribuições como funcionário público do órgão indigenista onde atua: representou ruralistas e associações indígenas em uma negociação de multa e foi diretor administrativo e sócio de uma cooperativa indígena. Continue lendo “Funcionário da Funai foi sócio de cooperativa indígena, representou fazendeiros em negociação de multa e confirma “lavagem de soja” de ruralistas”

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A ‘governabilidade’ tem as mãos sujas de sangue. Por Eliane Brum

O Congresso do Brasil, com maioria formada por predadores, não ‘emparedou Lula’, mas a humanidade

em Sumaúma

Nas últimas semanas assistimos ao Congresso desmatar gravemente o Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima e decidir que o Ministério dos Povos Indígenas não tem competência para tratar da demarcação das terras indígenas. Assistimos a tudo isso acontecer com o aval do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Assistimos a ministros petistas e deputados e senadores da base do governo nem sequer fingirem que tentavam barrar a destruição. E assistimos à maior parte da imprensa reduzir todos esses movimentos ao jogo de uma política de tabuleiro pequeno. Não é Lula que “foi emparedado pelo Congresso”. Somos nós e todos os outros.

Essa é parte significativa da desgraça. Parece não existir maneira de tirar a crise climática do gueto e trazê-la para o centro do debate. É reduzido demais o número de pessoas que compreendem que os atos do Congresso comprometem a sobrevivência da nossa e de outras espécies ao arrancar dos dois ministérios diretamente ligados à proteção da natureza e dos povos-natureza a capacidade de protegê-los. E isso – talvez – na última chance de impedir que a floresta amazônica chegue ao ponto de não retorno.

As pessoas ainda não entenderam que os dias para barrar o aquecimento global estão contados – e acham que tudo se resume a um jogo de quem ganha e quem perde, uma rotina já vista muitas vezes no palco pobre de Brasília. Ora, dizem os petistas e parlamentares da base aliada, “não tinha alternativa, é a governabilidade”. Quem não tem alternativa somos nós. É preciso resistir à vontade de dizer que o nome desses políticos – os que fizeram, os que compactuaram e os que permitiram – irá para a história como vilões, porque pode não haver história.

Quantas catástrofes, isso que é chamado de “eventos extremos”, serão necessárias para que compreendam que quase não há mais tempo para impedir a aceleração da crise climática e da extinção da biodiversidade, que nos condenarão a um planeta hostil à espécie humana e a muitas outras? De quantas secas e alagamentos, quantas migrações em massa, quantas espécies exterminadas precisaremos para tirar a crise climática da periferia do debate e nos levantarmos contra aqueles que decretam nossa morte?

Não, não nos venham falar em “governabilidade”. A governabilidade já avalizou horrores demais no Brasil em anos recentes. A governabilidade tem sangue nas mãos. Alegar governabilidade não vai salvar ninguém da extinção.

Quem percebe o tamanho da emergência que chamamos “climática” acorda em pânico porque nossa existência está nas mãos de gente que diz asneiras deste tipo: os indígenas “não vivem de comer minhoca” ou “são escravizados pela esquerda” ou “querem viver como os brancos”. Frases como essas foram ditas por parlamentares ao aprovarem a atrocidade chamada “marco temporal” na Câmara. Quem descobre que a vida está nas mãos dessa estirpe de gente, que arrota ignorância com a certeza de que está arrasando, nem sequer acorda porque não dorme.

Só a tese de demarcar apenas as terras indígenas dos povos que estavam em seus territórios em 5 de outubro de 1988, data da promulgação da Constituição, já é uma perversão que merece estudos psiquiátricos. Se os indígenas não estavam nas terras em que seus ancestrais viviam fazia séculos ou mesmo milênios não é porque foram dormir nas sarjetas da cidade mais próxima porque gostam de lixo, mas porque foram expulsos por grileiros ou pelo próprio governo ou porque fugiram para não ser exterminados.

Se Lula é o presidente, os fatos mostram que quem segue determinando nossa caminhada para o abismo climático é um Congresso de mentalidade bolsonarista. O atual Congresso, ainda pior do que o anterior, é um constrangimento. Assistir às sessões é um caminho seguro para a depressão, porque não é apenas que grande parte dos parlamentares vote pensando no bem próprio – e não no bem comum, como se deveria esperar. É que também uma parcela significativa é estúpida, diz coisas inacreditáveis, encena um espetáculo patético. Precisamos parar de chamar homens que pensam apenas em lucro próprio e vantagens pessoais de “conservadores”. Autoproclamarem-se conservadores é um truque barato para dar um verniz ao projeto pessoal de locupletação. Seria ótimo se fossem conservadores de fato, porque aí haveria convicção, princípios e inteligência para travar um debate real. Mas não é o caso da maioria. A maioria deste Congresso – Câmara e Senado – é composta não de conservadores, mas de predadores.

É importante, porém, lembrar que eles – a maioria são homens – foram eleitos e portanto têm legitimidade para estar ali. É lamentável, mas a população escolheu esse tipo de gente para representá-la. Seria infinitamente pior se fosse uma ditadura, rumo que tomava o governo do extremista de direita Jair Bolsonaro (PL), porque aí nem sequer haveria os contrapesos. E foram justamente os contrapesos que Bolsonaro e sua quadrilha tanto tentaram eliminar, assim como também queriam os golpistas de 8 de janeiro.

É porque ainda existem contrapesos que nesta quarta-feira o Supremo Tribunal Federal retoma o julgamento do marco temporal e temos uma chance de essa aberração ser sepultada em vez do planeta. É comprovado que a Amazônia e também os outros biomas – o Cerrado, o Pantanal, a Caatinga, a Mata Atlântica, o Pampa – resistem onde há indígenas e populações tradicionais. Dessa decisão, portanto, também depende a nossa vida.

Estamos num momento crucial. Não apenas os indígenas, não apenas os brasileiros, mas a humanidade. Não apenas as pessoas humanas, mas também as pessoas não humanas. Deve ser assustador viver em qualquer outro país do mundo e saber que a sobrevivência da Amazônia, grande reguladora do clima, está nas mãos de homens que não entendem o básico da crise climática nem estão interessados em entender. Se pudéssemos compreender a linguagem das outras espécies, talvez conseguíssemos escutar seus gritos de pavor.

Ao ver o menino de 4 anos chegar sozinho para comprar um picolé, a moça do clube perguntou: “Onde está sua mãe?”. O menino respondeu: “Está ali”. Ela então questionou: “Onde está seu pai?”. E o menino retrucou: “Morreu na guerra”. O menino é filho de Bruno Pereira, indigenista assassinado há um ano, em 5 de junho de 2022, junto com o jornalista britânico Dom Phillips, no Vale do Javari, na Amazônia. Sua mãe é a antropóloga Beatriz Matos. Ela contou essa história numa conversa com Alessandra Sampaio, viúva de Dom, promovida por SUMAÚMA.

O menino está certo. Seu pai morreu na maior guerra do nosso tempo, possivelmente de todos os tempos, a guerra movida contra a natureza. Seu pai estava na linha de frente, como estão os indígenas que hoje ocupam Brasília. Só será possível reduzir o número de órfãos se mais gente se juntar a eles já, agora, nas trincheiras da natureza contra os predadores de terno.

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O CONGRESSO NACIONAL PREPAROU UMA OFENSIVA CONTRA A AGENDA AMBIENTAL DO GOVERNO LULA, DESMATANDO OS MINISTÉRIOS DO MEIO AMBIENTE E MUDANÇA DO CLIMA E DOS POVOS INDÍGENAS. FOTO: FERNANDO MARTINHO/SUMAÚMA

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