Os psicodélicos podem tratar a depressão?

por Alessandra Monterastelli, em Outra Saúde

Ao descer uma montanha com um ski, forma-se um caminho delimitado pelo escorregar do equipamento na neve. Poderíamos dizer que uma trilha foi criada e há uma tendência de que, ao descer a montanha novamente, um outro ski fará o mesmo percurso. É mais ou menos assim que funciona o comportamento depressivo: a repetição, devido a doença, de pensamentos e ações nocivas. “O psicodélico limparia essa trilha formada, e daria a oportunidade de novas trilhas serem percorridas” , explica Iago Lôbo, redutor de danos e psicólogo, a Outra Saúde. Continue lendo “Os psicodélicos podem tratar a depressão?”

Ler maisOs psicodélicos podem tratar a depressão?

O governo entre austeridade e novo projeto nacional. Por Paulo Kliass

Uma contradição marca o mandato de Lula, agora em seu quinto mês. Presidente mantém promessa de enfrentar desigualdade e regressão do país. Não parece se dar conta de que “arcabouço” preparado pela Fazenda impedirá cumprimento da promessa

Ao que tudo indica, o presidente Lula ainda não foi bem alertado a respeito dos riscos embutidos no texto sobre o arcabouço fiscal que a equipe econômica lhe entregou para que ele encaminhasse oficialmente ao Congresso. A matéria ganhou a forma do Projeto de Lei Complementar PLP 93/2023 e que já começou a tramitar n Câmara dos Deputados. O deputado Cláudio Cajado (PP/BA) será o relator. O parlamentar do bloco conservador já tem dado declarações e tomado inciativas que visam arrochar ainda os critérios da austeridade fiscal. Continue lendo “O governo entre austeridade e novo projeto nacional. Por Paulo Kliass”

Ler maisO governo entre austeridade e novo projeto nacional. Por Paulo Kliass

Pochmann: comentário sobre a cegueira nacional

Assim como na segunda metade do século XIX, país fecha os olhos às transformações e acomoda-se à mediocridade. Joaquim Nabuco estudou o fenômeno de forma pioneira, mas foi Saramago quem o expôs, com a lâmina aguda da literatura

por Marcio Pochmann, em Outras Palavras

A passagem da segunda para a terceira década do século 21 atendeu a uma espécie de viagem às trevas. Força disso tem sido a quarentena da cegueira nacional que parece aprisionar o Brasil à mediocridade das superficialidades e de inconsistências dos discursos e práticas dominantes. Continue lendo “Pochmann: comentário sobre a cegueira nacional”

Ler maisPochmann: comentário sobre a cegueira nacional

Território Ribeirinho, criado para reparar Belo Monte, é alvo da extrema direita

Ao atrasar o reassentamento da população tradicional expulsa pela hidrelétrica, Norte Energia se beneficia de uma campanha articulada entre ruralistas da região de Altamira e senadores da base bolsonarista

por CLAUDIA ANTUNES, em Sumaúma

Passados sete anos de sua expulsão das margens e das ilhas do rio Xingu para dar lugar ao reservatório da hidrelétrica de Belo Monte, cerca de 300 famílias ribeirinhas da região de Altamira, no Pará, ainda esperam pelo território no qual pretendem recuperar seus modos de sustento e de vida. A criação do chamado Território Ribeirinho, aprovada em 2019 pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) como maneira de reparação a essa comunidade tradicional, é uma das condições do órgão ambiental no processo em que, neste momento, se examina a renovação da licença de operação da usina. No entanto, a falta de providências efetivas da Norte Energia, empresa concessionária da hidrelétrica, para a criação do Território Ribeirinho, por um lado, e de cobranças efetivas do Ibama para que ela cumpra essa condicionante, por outro, está alimentando uma nova ofensiva dos ruralistas locais e de seus aliados em Brasília contra o projeto, que exige a desapropriação de terras. Continue lendo “Território Ribeirinho, criado para reparar Belo Monte, é alvo da extrema direita”

Ler maisTerritório Ribeirinho, criado para reparar Belo Monte, é alvo da extrema direita

Syngenta foi dona de fazenda sobreposta à TI Porquinhos, no Maranhão

Multinacional fabricante de agrotóxicos vendeu imóvel de 900 hectares incidente no território do povo Canela-Apãnjekra; UOL contou que funcionários da empresa conspiraram para esconder amostras de insumos altamente poluentes durante inspeção do Ibama

Por Bruno Stankevicius Bassi, em De Olho nos Ruralistas

Dona de um quarto do mercado mundial de agrotóxicos e 9,2% da produção global de sementes transgênicas, a holding sino-suíça Syngenta tem uma história marcada por fatos desabonadores. Da perseguição a cientistas que questionaram a segurança do pesticida Paraquate à condenação pelo assassinato de um sem-terra no Paraná, são várias as denúncias de movimentos sociais, imprensa e grupos de pesquisa contra o modus operandi da multinacional. Continue lendo “Syngenta foi dona de fazenda sobreposta à TI Porquinhos, no Maranhão”

Ler maisSyngenta foi dona de fazenda sobreposta à TI Porquinhos, no Maranhão

Itaú nega conexão com empresários donos de fazendas em terras indígenas no MS

Dossiê “Os Invasores” levantou quatro sobreposições no Mato Grosso do Sul cujos titulares tiveram relações econômicas com o banco; conexões vão de investimento de R$ 400 milhões do fundo Kinea a ex-sócio de Walther Moreira Salles em latifúndio no Pantanal

Por Hugo Souza e Tonsk Fialho, em De Olho nos Ruralistas

Lançado no dia 19 de abril, o relatório “Os Invasores: quem são os empresários brasileiros e estrangeiros com mais sobreposições em terras indígenas”, produzido pelo De Olho nos Ruralistas, divulgou o nome das pessoas físicas e jurídicas por trás de 1.692 casos de sobreposição de fazendas em territórios delimitados pela Fundação Nacional do Índio (Funai), com base nos registros fundiários do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra). Além da participação de fazendeiros e de multinacionais do agronegócio, o relatório revela a presença expressiva do setor financeiro em conexão com os proprietários de imóveis sobrepostos a terras indígenas. Continue lendo “Itaú nega conexão com empresários donos de fazendas em terras indígenas no MS”

Ler maisItaú nega conexão com empresários donos de fazendas em terras indígenas no MS

Lançamento: Soja, milho e pecuária dominam 60% de território do povo Avá-Guarani (PR), revela estudo

Diagnóstico mostra impactos da monocultura de grãos à TI Tekoha Guasu Guavira, como fome, intoxicação por agrotóxicos, ameaças à agrobiodiversidade, esbulho, desmatamento e confinamento

POR COMISSÃO GUARANI YVYRUPA / CIMI

Mais de 60% de uma Terra Indígena no Oeste do Paraná está dominada pelo agronegócio, enquanto o povo Avá-Guarani resiste em 1,3% da área, com roças tradicionais. É o que revela o diagnóstico Impactos da produção de commodities agrícolas às comunidades Avá-Guarani da Terra Indígena Tekoha Guasu Guavirá/Oeste do Paraná, produzido pela Comissão Guarani Yvyrupa (CGY) e lançado na manhã de quinta-feira (27/4), durante o Acampamento Terra Livre (ATL). Continue lendo “Lançamento: Soja, milho e pecuária dominam 60% de território do povo Avá-Guarani (PR), revela estudo”

Ler maisLançamento: Soja, milho e pecuária dominam 60% de território do povo Avá-Guarani (PR), revela estudo

Carta ATL 2023: sem demarcação, não há democracia

Em documento entregue a Lula, Apib expressa preocupação perante posição da AGU sobre o marco temporal

Cimi

Entre os dias 24 e 28 de abril, cerca de seis mil indígenas participaram do 19º Acampamento Terra Livre (ATL), em Brasília, com uma mesma missão: cobrar a devida demarcação dos territórios, derrubar projetos anti-indígenas que circulam nos Três Poderes e pôr fim na escalada de violência que afetam a vida dentro dos territórios. Continue lendo “Carta ATL 2023: sem demarcação, não há democracia”

Ler maisCarta ATL 2023: sem demarcação, não há democracia

Com população de 62 pessoas, Karipuna de Rondônia resistem a invasões

Comunidade se organiza apenas em torno de uma aldeia, a Panorama

Por Letycia Bond – Repórter da Agência Brasil

Um dos menores e talvez mais antigos povos indígenas do Brasil, os karipuna de Rondônia têm atualmente apenas 62 integrantes e sua luta por direitos não tem ganhado visibilidade. Conforme o Instituto Socioambiental (ISA), em 2004, o povo karipuna era composto por apenas 14 “sobreviventes”. O termo define com precisão o que se passou com eles e os assombra até hoje, já que resistiram ao ciclo da borracha, à gripe, à pneumonia e a inundações de seu território, localizado entre os municípios de Porto Velho e Nova Mamoré. A primeira inundação ocorreu em 2014 e a última, recentemente, em março deste ano, provocando a queda de uma das pontes de acesso à comunidade, informou o Ministério Público Federal (MPF). Continue lendo “Com população de 62 pessoas, Karipuna de Rondônia resistem a invasões”

Ler maisCom população de 62 pessoas, Karipuna de Rondônia resistem a invasões

Como a polícia utiliza a fé pública para matar e lucrar

Quando o sangue é derramado em qualquer operação policial, a voz do agente segue tendo valor de prova quase absoluto em relação a todos os outros relatos. Essa boa vontade excessiva com a polícia tem nome e sobrenome jurídico: fé pública

Matheus de Moura e Thales Cruz, Le Monde diplomatique

Nota-se, em algum momento entre a infância e a adolescência, que há, na forma como a luz reflete em nossas peles, algo que dita o lugar que ocupamos na sociedade. É caminhando pelas ruas gélidas de um inverno em Florianópolis ou sentindo os órgãos serem esmagados pelos outros corpos num ônibus atolado de São Gonçalo no calor dissipado do fim de tarde de veraneio fluminense que, eventualmente, você se entende enquanto o “outro”. Um outro que equivale a mais de 50% da população; o negro, preto, pardo, marrom, retinto, jambo, enfim um personagem racial no teatro de poder do cotidiano brasileiro. Quando a ficha cai, o sentimento de estranheza para com a polícia se aflora. Os olhares suspeitos, a sensação de que o coração deverá sair pela boca, de que é irremediável o conflito celeste entre sua vida ensimesmada, seguindo reto para um objetivo obscuro, e a vida dele, que veste uma botina grossa, um uniforme ridiculamente quente para nosso espectro tropical-subtropical e carrega consigo um brinquedo de furar moletom. É quando o medo da polícia, que supostamente deveria protegê-lo, quando o asco pelo fardado ultrapassa mera noção midiática e ganha significado pleno que você entende, mesmo que sem sabê-lo, que a polícia não detém “monopólio legítimo da violência”, que de legítimo há pouco, a depender do caso. Continue lendo “Como a polícia utiliza a fé pública para matar e lucrar”

Ler maisComo a polícia utiliza a fé pública para matar e lucrar