Após o início da pandemia de Covid-19 ficou cada vez mais comum encontrar opções on-line para a prestação de serviços de saúde. As filas de espera deram lugar a um atendimento ao alcance do celular. No entanto, os serviços de saúde a distância estão longe de serem novidade e não se reduzem a aplicativos que podem ser baixados ou a teleconsultas. As atividades em teleconsulta ganharam impulso a partir de 2005, com a recomendação da Organização Mundial de Saúde (OMS) para que a modalidade fosse adotada. A partir daí surgiram vários programas de desenvolvimento de tecnologias na área, a maioridade deles vinculados a universidades públicas e voltados para o Sistema Único de Saúde (SUS). E apesar de regulamentada por portarias e resolução de conselhos profissionais, a telessaúde foi regulamentada em caráter permanente apenas em dezembro de 2022. Programas ligados a essa modalidade de atendimento ficaram a cargo da recém-criada Secretaria de Saúde Digital, que também tem sob sua alçada o Departamento de Informática do SUS (DataSUS). Nesta entrevista, a pesquisadora da Escola Nacional de Saúde Pública Sergio Arouca (Ensp/Fiocruz) Angélica Baptista Silva comenta a aprovação de lei que inclui a Telessaúde na Lei Orgânica do SUS, fala das diferenças de abordagem no âmbito público e privado e aponta os desafios para a nova secretaria.
Juliana Passos – EPSJV/Fiocruz
Em 2005, a OMS lançou uma recomendação para o uso da telessaúde. Em seguida, surgiram plataformas dessa modalidade no país. Qual o seu balanço do período e os desafios atuais?
Em meados dos anos 2000 iniciaram algumas ações importantes do governo. Uma foi a criação da Rede Universitária de Telemedicina. Houve outro projeto do Ministério da Saúde em que as universidades públicas ficaram responsáveis pelos núcleos técnico-científicos e dez estados que receberam a versão piloto do projeto puderam montar 100 pontos de telessaúde cada um. Essa etapa durou cerca de quatro anos e virou programa Telessaúde Brasil Redes, ainda no governo do PT [Partidos dos Trabalhadores]. Um programa idealizado por Ana Estela Haddad, atual Secretária de Saúde Digital. O legal do Telessaúde Brasil é que o programa foi criado para auxiliar a Atenção Primária em Saúde e fortalecer a equipe multiprofissional nos diagnósticos que porventura chegassem. Continue lendo ““A telessaúde deve estar a serviço do SUS””