Pochmann: a possível reinvenção da política

Regressão produtiva do Brasil, nas últimas décadas, bloqueou a mobilidade social e feriu direitos. “Andar de baixo” desencantou-se com as instituições… Bolsonaro explora este vazio. Mas resposta pode ser democracia de alta intensidade

por Marcio Pochmann*, em Outras Palavras

“… tem que entender o que o povo quer.
 Se não sabe, volta para a base e vai procurar saber.”
(Mano Brown)

Na última década do século passado, o ingresso desastrado na globalização desencadeou a forma pela qual o “andar de cima” da sociedade brasileira foi desembarcando do projeto político emancipador de nação. Parcela significativa da burguesia industrial jogou a toalha, tornando-se rentista pela substituição dos lucros na produção pelo capital dependente dos juros elevadíssimos ou comerciante amante da supervalorização do real para auferir ganhos na venda de mercadorias montadas internamente a partir da importação de componentes e insumos externos.

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Bolsonaro planeja veto total a licença compulsória de patentes, diz jornal

por Leila Salim e Raquel Torres, em Outra Saúde

VAI OU NÃO VAI?

Termina na próxima quinta o prazo para sanção presidencial ao projeto de lei que prevê a concessão de licença compulsória  para que vacinas e outros insumos protegidos por patentes possam ser produzidos no Brasil enquanto durar a pandemia. E, segundo apurou o Valor, o governo Bolsonaro pretende seguir o script e criar obstáculos a mais essa medida que pode fazer a diferença no combate à pandemia. De acordo com fontes ouvidas pelo jornal, a ideia do Planalto é vetar integralmente o PL 12/21, aprovado no Senado no início de agosto após meses de tramitação (e negociação) no Congresso. 

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Não devemos recuar de ir às ruas dia 7 de setembro. Por Valério Arcary

“A ilusão ‘quietista’ de que é possível vencer sem correr riscos é um erro”, escreve Valério Arcary, professor aposentado do IFSP, em artigo publicado por A Terra é Redonda

IHU

“Lembre-se de cavar o poço bem, antes de sentir sede” (Sabedoria popular mediterrânea).

“Três coisas te serão boas em pequenas doses e nocivas em grandes: o fermento, o sal e a hesitação” (Sabedoria popular judaica).

Quem joga parado não pode vencer. Dizem os especialistas que, ao lado de Pelé, Coutinho era um “gênio” dentro da grande área: dominava a grande arte de “jogar parado”, e podia decidir o jogo com um drible de corpo, abrindo um espaço para o chute. Mas o futebol mudou. O jogo é muito mais atlético, rápido, intenso, cerebral, e a ocupação de espaços depende de um movimento coletivo com maior complexidade tática. O tempo em que um jogo podia ser decidido com um lance decisivo, com poucos toques na bola, apostando tudo no erro do adversário, ficou para trás.

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O que está em jogo no Brasil não é somente a destruição do futuro, mas a ruptura completa do pacto civilizatório de 1988. Entrevista especial com Luis Felipe Miguel

O avanço nas políticas de austeridade e a constante deslegitimação das instituições democráticas, atacadas sistematicamente pelo governo Bolsonaro, colocam em causa a possibilidade de um país menos desigual

Por: Ricardo Machado, em IHU

O clima de sucessão presidencial no Brasil está posto. Mas a tensão comum desses períodos, apesar de o debate estar bastante adiantado, com mais de um ano de antecedência em relação ao pleito, mostra que a escalada da violência política subiu mais alguns degraus. “Não há dúvida nenhuma de que temos uma combinação bastante perigosa, com uma militância extremista radicalizada e uma liderança disposta a tumultuar e melar o processo. Se não forem, desde já, tomadas medidas a fim de conter a campanha de Bolsonaro e seus principais aliados contra as eleições, nós corremos o sério risco de termos uma escalada de violência política, pior ainda do que aquela ocorrida durante a campanha das eleições de 2018”, pontua o professor e pesquisador Luis Felipe Miguel, em entrevista por telefone ao Instituto Humanitas Unisinos – IHU.

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Dois marcos temporais, duas visões do passado e um só futuro

Por Ruben Caixeta de Queiroz e Juliana Neuenschwander Magalhães, na Conjur

O conceito político-jurídico de “marco temporal” não encontra respaldo no corpo de quase todos os textos constitucionais que foram até aqui formulados, desde o tempo colonial, passando pelos regimes ditatoriais, nos quais se reconheciam de forma cristalina o indigenato, o direito originário dos povos indígenas. Na nossa compreensão, o dito marco temporal quer apagar o passado dos indígenas (inclusive aquele que lhes foi instituído e demarcado pela colonização), impondo-lhes uma espécie de “solução final”: no lugar da reparação (a demarcação da terra indígena) por uma perda violenta (a terra espoliada), a imposição de uma adesão ao estilo de vida e ao mercado (de terras) capitalista e o abandono compulsório de uma relação ancestral e indissociável com o território e com um modo de vida particular.

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Os ecos do Orvil em 2021, o livro secreto da ditadura

Documentos inéditos indicam que, mesmo com veto de José Sarney, os ideais do Orvil foram divulgados dentro das instituições militares e reverberam no discurso bolsonarista

Por Lucas Pedretti, Agência Pública

No início de 1989, o chefe do Centro de Informações do Exército (CIE), general Sérgio Augusto de Avellar Coutinho, mudou o formato dos Relatórios Periódicos Mensais (RPM) do órgão para a “difusão de conhecimentos destinados ao seu público interno”. Com alterações na diagramação, na linguagem e na distribuição, o militar tentava ampliar a influência dos chamados RPMs na formação da tropa. Era um tempo de transformações no país, e o Exército se estruturava para o novo momento: a redemocratização. 

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Temos de discutir a realidade do país, e não a agenda de Bolsonaro, diz sociólogo

Ao trazer fuzil ao lugar do feijão, presidente foge da perda de renda. “Temos que olhar menos para ele, mais para a realidade”, diz Cândido Grzybowski

Por Eduardo Maretti, da RBA

As falas de Jair Bolsonaro, aparentemente insanas e absurdas, como as desta sexta-feira (27), escondem debates estruturais que a sociedade brasileira deveria ter como prioridade. “Tem que todo mundo comprar fuzil, pô. Povo armado jamais será escravizado. Eu sei que custa caro. Aí tem um idiota: ‘Ah, tem que comprar é feijão’. Cara, se você não quer comprar fuzil, não enche o saco de quem quer comprar”, disse o chefe de governo de um dos mais importantes países do mundo, a apoiadores em frente ao Palácio da Alvorada. A agenda de Bolsonaro de hoje também repetiu ataque ao Tribunal Superior eleitoral, afirmando que “o câncer já foi lá para o TSE”. Em tom de ameaça, continuou: “Tem que botar um ponto final nisso”.

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MPF alerta: comerciantes não podem reter cartões de benefícios de indígenas, sob pena de prisão em flagrante

Casos de retenção ocorreram em Altamira

Ministério Público Federal no Pará

O Ministério Público Federal (MPF) alertou os comerciantes de Altamira, no oeste do Pará, que eles não podem realizar a retenção de cartões de benefícios previdenciários de indígenas, sobretudo idosos, que vão até a cidade para fazer o saque de aposentadorias e outros valores a que têm direito. Casos de lojistas e taxistas que retinham os cartões dos indígenas preocupam a Fundação Nacional do Índio (Funai) e fizeram o MPF abrir um inquérito civil para investigar a questão.

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MPF realiza audiência para discutir políticas públicas em comunidade indígena Xerente

Reunião acontecerá no próximo dia 10 de setembro, no Centro de Ensino Médio Indígena Xerente Warã, em Tocantínia (TO)

Procuradoria da República no Tocantins

Com o objetivo de acompanhar a implementação de políticas públicas voltadas às comunidades indígenas, o Ministério Público Federal realizará, no próximo dia 10 de setembro, audiência pública com as comunidades indígenas da Terra Indígena Xerente/Funil.

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MPF pede suspensão de instituições financeiras que compraram ouro ilegal no Pará

Ações contra três empresas pedem pagamento de R$ 10,6 bilhões por danos

Ministério Público Federal no Pará

O Ministério Público Federal (MPF) iniciou ações judiciais pedindo a suspensão das atividades de três instituições financeiras acusadas de despejar no mercado nacional e internacional mais de 4,3 mil quilos de ouro ilegal nos anos de 2019 e 2020. O ouro extraído de garimpos ilegais na região sudoeste do Pará foi comercializado pelas distribuidoras de valores mobiliários FD’Gold, Carol e OM. Agora, além de terem as atividades suspensas especificamente nessa região, as empresas podem ser condenadas a pagar um total de R$ 10,6 bilhões por danos sociais e ambientais.

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