A ascensão do Judiciário ao poder

Por Pedro da Conceição, no Justificando

O intenso controle judicial sobre políticas públicas, as decisões de supremas cortes sobre temas morais como aborto e casamento, os atos de instrumentalização do processo penal como artifício político pelas mãos de Moro e o ridículo jogo de tira e põe acerca da nomeação de Lula como Ministro são todos fenômenos profundamente relacionados.

Uma relação profunda porque sedimentada e fomentada por anos de decantação e prática forense, a qual sempre permaneceu às sombras da política mainstream – uma relação que pode e precisa ser compreendida, mas não sem um esforço que exija de nós uma torção de pensamento. Continue lendo “A ascensão do Judiciário ao poder”

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A faca de Moro no pescoço do STF

Por Frederico de Almeida, no Justificando

A essa altura, parece-me desnecessário dizer que a quebra de sigilo de interceptações telefônicas do ex-presidente Lula praticada pelo juiz Sergio Moro na semana passada é ilegal e politicamente irresponsável. Ilegal porque contraria expressamente a Lei n. 9296/96, que dispõe que gravações inúteis à investigação devem ser destruídas, e não reveladas, e porque parte delas foi obtida quando não vigia mais ordem judicial. Politicamente irresponsável porque serviu deliberadamente para inflamar os ânimos políticos em um momento de já alta e perigosa conflituosidade, e para oferecer munição de ataque de atores políticos à nomeação de Lula como ministro do governo Dilma. A justificar tanto sua ilegalidade quanto sua irresponsabilidade, Moro apela demagogicamente para um suposto e difuso “interesse público” no conhecimento do conteúdo das gravações, mesmo que elas não fornecessem indícios da prática de crimes, como o próprio magistrado admite. Continue lendo “A faca de Moro no pescoço do STF”

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Manifesto de todos os Governadores do Nordeste pela Democracia

Em vez de golpismos, o Brasil precisa de união

Na Adital

“Diante da decisão do Presidente da Câmara dos Deputados de abrir processo de impeachment contra a Exma Presidenta da República, Dilma Rousseff, os Governadores do Nordeste manifestam seu repúdio a essa absurda tentativa de jogar a Nação em tumultos derivados de um indesejado retrocesso institucional.

Gerações lutaram para que tivéssemos plena democracia política, com eleições livres e periódicas, que devem ser respeitadas. Continue lendo “Manifesto de todos os Governadores do Nordeste pela Democracia”

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Entidades católicas e protestantes pedem respeito à democracia no Brasil

Por Tatiana Félix, na Adital

Diante do atual cenário de intensas manifestações e de polarização política no Brasil, instituições religiosas divulgam manifestos pedindo paz, diálogo e discernimento para a garantia do processo democrático no país. A Igreja Povo de Deus em Movimento (IPDM) ressalta a importância da defesa da democracia e conclama o povo a “repudiar qualquer ato de intolerância e ódio que está se espalhando sobre as nossas cidades, contra pessoas de movimentos sociais e da esquerda, por insuflar uma convulsão social e a barbárie”.

Em manifesto público, a IPDM pede que a população fique atenta às verdadeiras vias de informação e justiça e condena o vazamento seletivo de informações nos processos de investigação que envolvem suspeitos e réus de várias vertentes políticas, na Operação Lava Jato. Critica a tentativa de se fazer sensacionalismo visando a promover “um ou outro herói da nação”. Continue lendo “Entidades católicas e protestantes pedem respeito à democracia no Brasil”

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“Lava jato” mostra descontrole do país sobre grampos telefônicos

Por Marcos de Vasconcellos, no Consultor Jurídico

Mais de 100 horas de telefonemas de advogados com seus clientes estão indevidamente nas mãos no Ministério Público Federal. Usando o artifício de listar o número do escritório Teixeira, Martins e Advogados como se fosse de uma empresa do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o MPF conseguiu que segredos e estratégias de defesa em centenas de casos chegassem às mãos dos acusadores antes de serem levadas aos tribunais. A medida foi autorizada por Sergio Moro, na operação “lava jato”. O MPF diz que foi por engano, mas silencia a respeito da destruição das conversas.

O caso não é inédito, nem isolado. A escalada da vigilância mostra como a bisbilhotagem se fantasiou de segurança pública. Em 2010, o Conselho Nacional de Justiça listava 10,5 mil interceptações telefônicas em todo o país. A então juíza auxiliar da Corregedoria do CNJ, Salise Monteiro Sanchotene, disse que o número era pequeno: “Não é nada para um país de 180 milhões de habitantes”. Sua fala foi levada a sério. Em 2013, outro levantando oficial, feito pelo Conselho Nacional do Ministério Público, mostrava já 16 mil grampos feitos só pelos MPs, sem contar os feitos só pela polícia. Continue lendo ““Lava jato” mostra descontrole do país sobre grampos telefônicos”

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Boaventura: Brasil ainda pode evitar o “novo” golpe

Judiciário e mídia ferem democracia. Lava Jato não é comparável a Mãos Limpas. Na raiz da crise, ilusão grosseira do PT. Guerra não está perdida, mas é preciso mudar já

Por Boaventura de Sousa Santos, em Outras Palavras

Quando, há quase trinta anos, iniciei os estudos sobre o sistema judicial em vários países, a administração da justiça era a dimensão institucional do Estado com menos visibilidade pública. A grande exceção eram os EUA devido ao papel fulcral do Tribunal Supremo nas definições das mais decisivas políticas públicas. Sendo o único órgão de soberania não eleito, tendo um caráter reativo (não podendo, em geral, mobilizar-se por iniciativa própria) e dependendo de outras instituições do Estado para fazer aplicar as suas decisões (serviços prisionais, administração pública), os tribunais tinham uma função relativamente modesta na vida orgânica da separação de poderes instaurada pelo liberalismo político moderno, e tanto assim que a função judicial era considerada apolítica. Continue lendo “Boaventura: Brasil ainda pode evitar o “novo” golpe”

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Nota da Diretoria da Associação Brasileira de Antropologia em defesa do Estado de Direito e da Democracia

A Diretoria 2015-2016 da Associação Brasileira de Antropologia (ABA), diante da grave conjuntura política com que nos defrontamos nesse momento da vida pública brasileira, vem externar sua radical defesa do Estado de Direito e da Democracia em nosso país, construídos em anos de árdua luta contra o sempre redivivo autoritarismo, e contra as forças produtoras da desigualdade social.

Trata-se de defender a pauta mais abrangente dos direitos humanos com a qual a Associação Brasileira de Antropologia (ABA) e os antropólogos têm compromisso histórico. A ela nos mantivemos atentos e atuantes ao longo do regime ditatorial militar instalado em 1964, na conjuntura da redemocratização, em especial no processo de elaboração da Carta Constitucional de 1988, na luta pela assinatura de diplomas internacionais em prol de minorias, bem como no fornecimento de bases científicas para a construção de um aparato legal que buscasse resguardar os direitos inarredáveis da condição humana, em caráter individual ou coletivo. É toda essa construção, ainda que imperfeita, partilhada com muitos outros segmentos sociais que agora ostensivamente demonstra-se estar em risco de ruir. Continue lendo “Nota da Diretoria da Associação Brasileira de Antropologia em defesa do Estado de Direito e da Democracia”

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Chico Buarque e Slavoj Zizek assinam manifesto em defesa da democracia

Texto foi assinado por mais de mil escritores e intelectuais

Por Mariana Filgueiras, O Globo

Foi publicado, no início da tarde desta segunda-feira, o texto final do manifesto que reúne assinaturas de cerca de mil autores e profissionais do mercado livreiro em defesa da democracia. Desde sábado, um grupo no Facebook vem recolhendo assinaturas do setor em prol dos “valores democráticos” e o “exercício pleno da democracia em nosso país, de acordo com as normas constitucionais vigentes, no momento ameaçadas”.

Capitaneado pelos escritores e editores Alberto Schprejer (Ponteio), Daniel Louzada (Leonardo da Vinci), Haroldo Ceravolo (Alameda), Ivana Jinkings (Boitempo), Marcelo Moutinho e Rogério de Campos (Veneta), o manifesto reúne, até o momento, nomes como Antonio Candido e Chico Buarque. Continue lendo “Chico Buarque e Slavoj Zizek assinam manifesto em defesa da democracia”

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Seminário marca construção de proposta da Universidade Camponesa no Sergipe

A proposta surgiu de grupos pertencentes aos movimentos sociais e sua metodologia perpassa por um espaço de convergências das experiências e intensa troca de conhecimentos.

Por Luiz Fernando, da Página do MST

Com o objetivo da implantação da Universidade Camponesa no estado de Sergipe é que nos dias 17 e 18 de março, educadores e representantes de movimentos sociais se reuniram para debater os princípios, propósitos, objetivos e a proposta político pedagógica da Universidade. Continue lendo “Seminário marca construção de proposta da Universidade Camponesa no Sergipe”

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Jaci Paraná: entre a dor e a incerteza

Depois de anos sofrendo com impactos de Jirau e Santo Antônio, em Porto Velho-RO, Governo Federal define o remanejamento da população do distrito e a comunidade é a última a ser informada

No MAB

Conforme o ofício nº 330/2015/AA-ANA (Documento nº 000000.054960/2015-84) de 18 de setembro de 2015, encaminhado pelo diretor-presidente da Agência Nacional de Águas (ANA) ao diretor-presidente do consórcio Santo Antônio Energia (SAE), Eduardo de Melo Pinto, a área urbana de Jaci Paraná abaixo da cota de 77,10m deverá ser realocada e a cota mínima para a BR 364 nos trechos sob influência do reservatório da UHE Santo Antônio será de 77,40m. Continue lendo “Jaci Paraná: entre a dor e a incerteza”

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