Aprender a aprender: um slogan para a ignorância. Entrevista com Demerval Saviani

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Essa ideia da liberdade do aluno, liberdade de aprendizagem, é um enunciado ideológico. O aprendiz nunca é livre. Ele só é livre depois de dominar o objecto de aprendizagem; e quando domina deixou de ser aprendiz», afirma o pedagogo marxista brasileiro Dermeval Saviani, numa entrevista que lhe fizeram Raquel Varela e Sandra Duarte para a Rubra n.º 3 e que fui repescar para contribuir para este interessante debate sobre a educação iniciado pela Mariana Canotilho.

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A saga de uma mãe pelos escuros porões da Justiça paulista

Ianni Scarcelli, mãe de Gabriel, detido por sete meses em uma prisão de São Paulo, relata a experiência vivida pelos dois, compartilhada por 1 milhão de pessoas que cumprem pena, aguardam julgamento ou visitam seus parentes no superlotado sistema penitenciário do Estado

Por Bruno Paes Manso, na Ponte

O sistema penitenciário do Estado de São Paulo abriga atualmente mais de 220 mil presos. Seus familiares, além de os visitarem regularmente e levarem alimentos e itens pessoais (os “jumbos”), lutam para manter seus laços e reintegrá-los ao mundo do lado de fora dos muros. Isso significa que cerca de um milhão de pessoas está, de alguma maneira, vinculada à rotina das prisões paulistas. Continue lendo “A saga de uma mãe pelos escuros porões da Justiça paulista”

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Brasil: Mitos fundadores

Embora desgastadas pelo tempo, as narrativas sobre um Brasil manso e acolhedor com as diferenças sobrevivem e são invocadas para maquiar a secular dificuldade em conviver com o diverso

Por Fábio Rodrigues, em Página 22

Composta em 1939, a emblemática Aquarela do Brasil , que se tornaria a matriz para o  samba-exaltação [1], representa, logo de cara, o Brasil como um “mulato inzoneiro”. Ainda que fique meio escondida por trás do vocabulário pouco acessível de Ary Barroso, há – nesse verso e nessa canção – uma concepção precisa de brasilidade destilada em conformidade com conceitos que haviam entrado no campo de ideias poucos anos antes. Especialmente o de democracia racial desenvolvido com base em estudos de Gilberto Freyre em Casa-Grande & Senzala e o de homem cordial introduzido por Sérgio Buarque de Holanda em Raízes do Brasil. Continue lendo “Brasil: Mitos fundadores”

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Racismo no Brasil: “O crime perfeito”. Entrevista com Djamila Ribeiro

“Na verdade, o racismo é um elemento estruturante, ou seja, ele estrutura todas as relações sociais no Brasil. Mas a gente não encara esse assunto da maneira como deveria. Até hoje, se vemos algum caso de racismo, por exemplo, com um artista, as pessoas acham que é um caso isolado, acham que o racismo se resume somente às ofensas e não percebem que o racismo é um sistema opressor que nega direitos a um determinado grupo conferindo privilégios a outro”.

Por Fernanda Macedo e Magali Cabral, no Página 22

Durante a reunião de pauta desta edição, alguém sugeriu convidar para a Entrevista “aquela colunista da CartaCapital”, cujo nome não lembrava. “Dá um Google e coloca: colunista, CartaCapital, filósofa.” Assim foi feito. Mas o Google em resposta logo perguntou: “Você quis dizer filósofo?” – substantivo masculino. Continue lendo “Racismo no Brasil: “O crime perfeito”. Entrevista com Djamila Ribeiro”

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São Tomé e Príncipe: Não podiam ser chefes. Resistiam a ser escravos

São Tomé e Príncipe tem o peso de um tempo em que os casais mistos eram proibidos – homens negros a quem os pais brancos não quiseram dar o apelido, mulheres mestiças que viveram toda a vida amantizadas. A miscigenação fazia-se na clandestinidade.

Por  (texto), Dário Pequeno Paraíso (retratos) (vídeo), em Público

Um dia, a mãe de Isaura Carvalho decidiu, à revelia dos avós, ir viver com o homem por quem se apaixonara. Ela, negra, era a única filha. O avô não queria que vivesse como amante de um português branco, destino mais que provável para um casal misto naquele tempo. Mas os pais de Isaura “bateram de frente” um no outro e apaixonaram-se. Nessa altura não era permitido socialmente em São Tomé e Príncipe um branco e uma negra casarem-se, constituírem família, deixarem descendência mestiça.  Continue lendo “São Tomé e Príncipe: Não podiam ser chefes. Resistiam a ser escravos”

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Intelectuais e artistas, como Chico Buarque, assinam carta aberta pela renúncia de ministro da Cultura na Argentina

Intelectuais, escritores e diversos artistas assinaram a petição endereçada ao presidente Maurício Macri e ao prefeito de Buenos Aires, Horacio Larreta

No Opera Mundi

“Na Argentina não houve 30 mil desaparecidos. Foi uma mentira que se construiu em uma mesa para obter subsídios que eram dados”. Com essas declarações, o ministro da Cultura da Cidade de Buenos Aires, Darío Lopérfido, gerou uma ampla polêmica na Argentina. Na versão do ministro, foram oito mil os desaparecidos. A declaração gerou protestos em diversos setores sociais do país, como a Associação das Avós da Praça de Maio, o Prêmio Nobel da Paz Adolfo Pérez Esquivel e artistas em todo o mundo, entre eles o cantor brasileiro Chico Buarque. Continue lendo “Intelectuais e artistas, como Chico Buarque, assinam carta aberta pela renúncia de ministro da Cultura na Argentina”

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Comitê Popular da Copa do Mundo e Olimpíadas lança vídeo em resposta ao ataque do Prefeito

No RioOnWatch

Comitê Popular da Copa do Mundo e Olimpíadas acaba de lançar um vídeo respondendo ao comentário do Prefeito Eduardo Paes de que seus dossiês são propensos a “dramatização com exagero” e “fraudulentos”. Os comentários de Paes foram feitos durante uma reunião fechada do OsteRio há duas semanas, ao ser perguntado sobre o futuro da Vila Autódromo e seus moradores. O vídeo apresenta os membros do Comitê explicando o seu trabalho “porque, ao contrário do prefeito, nós não temos nada a esconder”. Eles acabam com cada integrante repetindo a afirmação “Não temos nada a esconder”. Continue lendo “Comitê Popular da Copa do Mundo e Olimpíadas lança vídeo em resposta ao ataque do Prefeito”

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Aedes: ‘estamos dando milho aos bodes’, por Altair Sales Barbosa

Diz um velho ditado: ‘quando o homem matou tamanduá, formiga tomou conta do lugar’. A natureza cobra caro quando entra em estado de desequilíbrio

No Carta Maior

Diz um velho adágio popular: “quando o homem matou tamanduá, formiga tomou conta do lugar”. Quase nada sabemos sobre o criador deste ditado, mas sem sombra de dúvidas, este deveria se pautar por um grande senso de observação da natureza. Esta pessoa tinha também pleno conhecimento de como a natureza funciona, sabia que não é boazinha, como muitos pensam. Cobra caro e se vinga com fúria, quando entra em estado de desequilíbrio. Continue lendo “Aedes: ‘estamos dando milho aos bodes’, por Altair Sales Barbosa”

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Vale do Javari: Sucateamento da Funai é a maior ameaça às etnias isoladas da Amazônia

A declaração é do sertanista Antenor Vaz, que esteve na área do conflito entre índios Matís e Korubo, em 2015. Para ele, é lamentável que a fundação não apresente à sociedade as informações sobre os contatos com os Korubo

Por Elaíze Farias, em Amazônia Real

Físico, educador e sertanista, Antenor Vaz atuou nas políticas públicas para índios isolados e de recente contato na Amazônia brasileira pela Fundação Nacional do Índio (Funai) desde 1987. Foi coordenador da Frente de Proteção Etnoambiental Vale do Javari, entre 2006 e 2007, que fica dentro da Terra Indígena Vale do Javari, na fronteira do Brasil com o Peru. Ele deixou a fundação em 2013, e atualmente trabalha como consultor do Departamento de Saúde Indígena da Secretaria Especial de Saúde Indígena (Sesai), do Ministério da Saúde, por meio da Organização Pan-Americana de Saúde/Organização Mundial da Saúde (OPAS/OMS). Continue lendo “Vale do Javari: Sucateamento da Funai é a maior ameaça às etnias isoladas da Amazônia”

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Índia: Suicídio de jovem pesquisador dalit gera onda de protestos contra discriminação por castas

Sem terra, escola ou respeito, ‘os intocáveis’ são discriminados de todas as formas e, na maior parte das vezes, impedidos de buscar qualquer ascensão

Por Luis A. Gómez | Calcutá, para Opera Mundi

Na centenária cidade de Hyderabad, antiga capital de reinos muçulmanos e hoje núcleo da indústria da tecnología na Índia, na noite do dia 17 de janeiro Rohith Vemula decidiu escrever suas últimas palavras. “Amava a ciência, as estrelas, a natureza, e depois amava as pessoas sem saber que as pessoas se divorciaram faz muito tempo da natureza”, escreveu o jovem doutorando da Universidade de Hyderabad. “O valor de um homem foi reduzido à sua identidade imediata, à sua mais próxima possibilidade [de ser]”. Rohith organizou suas coisas, se despediu pedindo não perturbar seus amigos e inimigos e se enforcou no pequeno quarto da residência estudantil onde um amigo estava lhe dando alojamento. Continue lendo “Índia: Suicídio de jovem pesquisador dalit gera onda de protestos contra discriminação por castas”

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