Por Fabiana Frayssinet, da IPS, na Envolverde
Ao entardecer no rio Tapajós, um dos principais afluentes do Amazonas, os indígenas munduruku reiniciam o ritual da pesca nessa bacia rica em peixes, seu alimento tradicional. Mas o “espírito do mal”, como eles denominam a hidrelétrica São Luiz do Tapajós, pode deixá-los órfãos.“O rio é como nossa mãe. Nos dá alimentos e dele tiramos o pescado. Uma mãe alimenta com leite materno, o mesmo ocorre com o rio”, afirmou Delsiano Saw, professor na aldeia Sawré Muybu, localizada entre os municípios de Itaituba e Trairão, no Estado do Pará.
“Vão encher o rio, e os animais, os peixes, acabarão. As plantas que os peixes comem, as tartarugas, também acabarão. Tudo desaparecerá quando fizerem a inundação por causa da hidrelétrica”, destacou Saw à IPS. Com uma represa de 722 quilômetros quadrados e queda de 35,9 metros, a hidrelétrica inundaria uma área de 330 quilômetros quadrados, incluindo essa aldeia de 178 habitantes. Continue lendo “Indígenas resistem ao “espírito do mal””