Parte da esquerda comete erro analítico: a conciliação petista teria levado à ascensão da ultradireita. Diagnósticos inflados como este, muitas vezes, tornam-se álibi para a incapacidade de construir alternativas reais. Resultado: o derrotismo político
Por Edgar Silva dos Anjos, em Outras Palavras
Este texto retoma um percurso iniciado em duas peças já publicadas em Outras Palavras, na seção Estado em Disputa. Em “2026: por que não basta apenas vencer eleições”, publicado em 18 de março, sustentei que vitórias eleitorais, por si sós, não reorganizam a base social do país nem desfazem automaticamente a presença material do adversário na vida cotidiana. Em “O perigo não é a repetição de Bolsonaro, é sua adaptação”, publicado em 16 de abril, avancei um passo: o problema já não era apenas a insuficiência da vitória institucional, mas a capacidade ativa da direita de recalibrar linguagem, ajustar forma, ampliar circulação e ocupar materialmente a vida social sem abandonar seu núcleo regressivo.
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