“A força da resistência está na imaginação”. Entrevista com Françoise Vergès

Françoise Vergès está convencida de que quando a cultura está viva tem o poder de tecer solidariedades transfronteiriças. E é precisamente aí que o feminismo decolonial pode prosperar

IHU

O genocídio israelense em Gaza reabriu debates sobre a limpeza étnica que as democracias liberais consideravam encerradas após o fim do apartheid na África do Sul. Eventos como esse não podem ser compreendidos sem levar em conta como os avanços tecnológicos foram colocados a serviço do complexo militar-industrial dos EUA e seus aliados. Enquanto o Norte Global reforça seu poder de segurança através de tecnologias de vigilância biométrica,  reconhecimento facial e inteligência preditiva, no Sul Global a extração e o desapossamento se intensificam, acelerando o ritmo da acumulação violenta que sustenta o capitalismo contemporâneo. Essa lógica de guerra também permeou os movimentos emancipatórios: alguns movimentos feministas acabaram por reproduzi-la, apoiando-se no Estado e na democracia liberal como os únicos pilares que garantem a igualdade e negando sua aliança histórica com o colonialismo e o capitalismo racial. Continue lendo ““A força da resistência está na imaginação”. Entrevista com Françoise Vergès”

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Setor elétrico: por que a saída é reestatizar

Passados 30 anos da privatização, “eficiência”, investimentos e inovação nunca foram entregues. Tarifas aumentaram e manutenção despencou, como mostra caos em SP. Mas governo renova concessões. Brasileiro tem de decidir: reagir ou viver comprando velas

Por Heitor Scalambrini Costa*, em Outras Palavras

Uma das lendas que ainda persistem em nosso país é a ideia que o setor privado é naturalmente superior, ou mais eficiente, que o setor público. Para refutar tal colocação é necessário analisar a complexidade e os fatores que levam a esta assertiva. A primeira distinção consiste nos objetivos distintos que movem estes setores. Continue lendo “Setor elétrico: por que a saída é reestatizar”

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Medo e censura nas escolas do Brasil

Nas redes pública e privada, cruzada contra os docentes. Temem por sua integridade física e emocional. Mais da metade relata adoecimentos. 76% já sofreram perseguição. E autocensura virou sobrevivência: abordar temas vitais é arriscado. Eis os reflexos da paranoia direitista

Por Porvir, no Outras Palavras

Lançada neste começo de dezembro, a pesquisa “A violência contra educadoras/es como ameaça à educação democrática”, que analisa o avanço das tentativas de censura e perseguição a educadoras e educadores desde 2010 e seus impactos na saúde, na carreira e no clima escolar, passa longe de trazer boas notícias. Continue lendo “Medo e censura nas escolas do Brasil”

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Brasil, entre potência e fragilidade. Por Reynaldo Aragon Gonçalves*

Análise de um “teorema brasileiro”: país combina raras qualidades que poderiam afirmar sua soberania. Teria tudo para liderar diplomaticamente o Sul global. Mas, com elites sabotadoras, tudo pode ruir a qualquer momento – e isso gera vasta hesitação internacional

Em Outras Palavras

O Brasil no espelho do mundo

O mundo olha para o Brasil com uma mistura de expectativa e inquietação. Há décadas, governos, diplomatas, analistas e estrategistas enxergam no país todas as condições objetivas de potência — uma combinação rara de território, recursos, população, ciência, energia, indústria e legitimidade diplomática que nenhum outro país grande do Sul Global reúne. O Brasil é, para muitos observadores internacionais, o país que deveria ter assumido papel central na reorganização do sistema internacional após o fim da Guerra Fria. E quando Lula está no comando, essa percepção ressurge com força: ele é visto como uma das poucas lideranças capazes de falar pelo Sul Global sem hesitação, negociar com grandes potências sem submissão e articular agendas ambiciosas de desenvolvimento e soberania. Nas mesas discretas da diplomacia global, há consenso: o Brasil de Lula é confiável, previsível e estrategicamente maduro. Continue lendo “Brasil, entre potência e fragilidade. Por Reynaldo Aragon Gonçalves*”

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Fim da escala 6×1: O diabo mora nos detalhes

PEC que reduz a jornada avança no Senado e reanima a mobilização histórica. Mas requer atenção: em que condições a mudança constitucional será efetiva sem ser neutralizada pelos efeitos dos desmontes introduzidos pela Reforma Trabalhista?

Por Sidnei Machado*, em Outras Palavras

O debate sobre a duração do tempo de trabalho ocupa, historicamente, posição central nas transformações sociais e econômicas. No Brasil, a regulação permanece fortemente marcada pela Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) de 1943, inspirada nas convenções da OIT e consolidada pela Constituição de 1988, que reduziu a jornada semanal de 48 para 44 horas. Esse modelo, tradicionalmente distribuído em seis dias consecutivos de trabalho e um de descanso (“6×1”), segue predominante em diversos setores produtivos e constitui a base normativa da organização do tempo de trabalho no país. Continue lendo “Fim da escala 6×1: O diabo mora nos detalhes”

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Dinâmicas territoriais e conflitos socioterritoriais na Amazônia Sul Ocidental

Região conhecida como Amacro, formada pelos estados do Acre, Rondônia e sul do Amazonas, é palco de expansão da fronteira agrícola e concentra o maior número de conflitos agrários do território brasileiro

por Amanda Michalski*, Para ‘adiar o fim do mundo’ | Vozes da terra na COP30, em Le Monde Diplomatique Brasil

A Amazônia Sul Ocidental brasileira é formada pelos estados do Acre, Rondônia e sul do Amazonas. Essa região geográfica localizada ao noroeste do bioma amazônico abrange dezesseis microrregiões, formada por 84 municípios, distribuídos da seguinte maneira: 52 em Rondônia, 22 no Acre e 10 no sul do Amazonas (IBGE, 2022). Ao todo, a Amazônia Legal é formada por nove estados e composta por 772 municípios. Dessa maneira, a Amazônia Sul Ocidental representa 10,88% da Amazônia Legal. Continue lendo “Dinâmicas territoriais e conflitos socioterritoriais na Amazônia Sul Ocidental”

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Crédito de carbono para florestas: – 2. Proteção de florestas ameaçadas pelo desmatamento

Artigo aborda como as modelagens da eficácia dos projetos de crédito de carbono podem ser imprecisos e pouco confiáveis. Para os autores, é preciso um exame cuidadoso dos projetos propostos

Por Thales A.P. West, Kelsey Alford-Jones, Philippe Delacote, Philip M. Fearnside, Ben Filewod, Ben Groom, Clemens Kaupa, Andreas Kontoleon, Tara L’Horty, Benedict S. Probst, Federico Riva, Claudia Romero, Erin O. Sills, Britaldo Soares-Filho, Da Zhang, Sven Wunder e Francis E. Putz, em Amazônia Real

Os projetos de compensação de carbono baseiam-se no princípio da adicionalidade: a diferença mensurável no desmatamento entre o cenário de base — o futuro hipotético sem a intervenção — e o estado real da floresta na área do projeto. Para garantir a integridade das compensações pelo desmatamento evitado, os créditos de carbono devem ser originários de florestas comprovadamente em risco de desmatamento. É improvável que esta estipulação seja cumprida nos casos dos muitos projetos em áreas remotas ou de outra forma inacessíveis [1]. Continue lendo “Crédito de carbono para florestas: – 2. Proteção de florestas ameaçadas pelo desmatamento”

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Direito de Resposta exercido por BLAU FARMACÊUTICA S.A.

“Direito de Resposta exercido por BLAU FARMACÊUTICA S.A. (“Blau Farmacêutica”), na forma da lei n.o 13.188/15, quanto às afirmações contidas na matéria intitulada “Lobista de farmacêutica blindada por Hugo Motta foi sócio de sua esposa1”

A Blau Farmacêutica vem a público corrigir informações inverídicas e ilações contidas em reportagem veiculada no site no dia 21 de outubro de 2025. Continue lendo “Direito de Resposta exercido por BLAU FARMACÊUTICA S.A.”

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16ª Feira Estadual Cícero Guedes movimenta 10 mil pessoas e 45 toneladas de alimentos agroecológicos

Evento ofereceu mais de 200 tipos de alimentos agroecológicos, entre frutas, legumes, verduras, sementes, plantas e produtos artesanais, além de doar 2 mil mudas de árvores nativas a organizações de luta

Por Jéssica Lima, da Página do MST

A Feira Estadual da Reforma Agrária Cícero Guedes do Rio de Janeiro, organizada pelo Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) encerra sua 16ª edição nesta quarta-feira (10), com números expressivos e uma programação intensa. De acordo com o balanço do evento, durante três dias, cerca 10 mil visitantes passaram pela Feira, em uma grande tenda montada em frente à estação do metrô, no Largo da Carioca. Continue lendo “16ª Feira Estadual Cícero Guedes movimenta 10 mil pessoas e 45 toneladas de alimentos agroecológicos”

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MST no Rio de Janeiro lança Jornada da Natureza

Iniciativa que ocorreu durante a 16ª Feira Estadual da Reforma Agrária, articula plantios, solidariedade e atividades educativas para defender os biomas e enfrentar a crise climática no estado

Por Jéssica Lima, da Página do MST

A Feira Estadual da Reforma Agrária Cícero Guedes chega ao último dia de sua 16ª edição com o lançamento da Jornada da Natureza no Rio de Janeiro. A atividade realizada nesta quarta-feira (10), é uma articulação como o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) no Paraná, que incentiva ações de cuidado ambiental, mobilização popular e recuperação de biomas. Em diferentes estados, promove plantios, semeaduras e debates e atividades educativas que unem estudantes, camponeses, pesquisadores e movimentos populares. Continue lendo “MST no Rio de Janeiro lança Jornada da Natureza”

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