Expedição traça caminho da lama no Rio Doce, um ano depois da tragédia em Mariana (MG)

Repórter fotográfico Joka Madruga, do Terra Sem Males, e Thomas Bauer, que atua em projetos audiovisuais, contam com apoio financeiro de entidades para viabilizar o projeto

Atualização livre de texto de Paula Zarth Padilha, em Terra Sem Males

Desde o dia 18 de outubro, uma nova expedição segue de carro pelo leito do Rio Doce, de Regência (ES) a Mariana (MG), para verificar como estão os moradores afetados pela lama do rompimento da barragem de rejeitos de mineração da Samarco/Vale/BHP Billington, crime que completa um ano de impunidade dia 5 de novembro.

O projeto do repórter fotográfico Joka Madruga, editor do Terra Sem Males, e do agente da Comissão Pastoral da Terra Thomas Bauer, que faz a cobertura audiovisual, conta com o apoio financeiro de algumas entidades para viabilização do transporte e da alimentação. A intenção  é que a expedição esteja em Mariana na semana do dia 05 de novembro, quando o Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB) fará atos e mobilizações para que a tragédia dessas famílias não seja esquecida.

A intenção da expedição fotográfica e audiovisual é denunciar, publicar e fornecer materiais de trabalho de base a partir da visão dos atingidos sobre o impacto e consequências da lama de minérios na vida das populações ribeirinhas.

“Espero poder contribuir para manter a memória deste crime sócio-ambiental vivo a partir dos registros e relatos das atingidas e atingidos, deixando falar aqueles e aquelas que não têm voz. Assim espero que seja possível atualizar as informações e denúncias para alertar toda sociedade sobre a situação um ano depois deste crime anunciado e avaliar se de fato vale a pena saquear a natureza a qualquer custo”, explica Thomas Bauer, austríaco que mora há 20 anos no Brasil atuando na Comissão Pastoral da Terra (CPT), recentemente no campo audiovisual e documental.

O repórter fotográfico Joka Madruga esteve na região de Mariana no período pós tragédia, a convite do Movimento dos Atingidos por Barragens, para documentar através da fotografia os impactados. Joka ouviu muitas histórias de pessoas simples que perderam tudo. As reportagens fotográficas destes dias podem ser conferidas AQUI.

A dupla realiza um projeto documental com vídeos e fotos, refazendo o caminho da lama para saber o que foi feito e o que ainda se tem a fazer desde o dia do crime. Vai ouvir as histórias dos que ficaram para trás e os que anseiam justiça e até mesmo os sonhos dessas pessoas.

Nessa primeira viagem do projeto, o objetivo é captar as imagens e ouvir as histórias. Com o resultado, pretendem produzir material didático para outras comunidades que correm o mesmo risco e até mesmo para ganhar a solidariedade da sociedade como um todo. E a segunda ida, que deve acontecer no primeiro semestre de 2017, será para devolver  o resultado de todo este trabalho. A ideia é deixar uma exposição fotográfica permanente em cada comunidade que passarem, junto com um DVD do documentário. Também será feito um material didático.

Solidariedade

Se você faz parte de uma entidade que queira contribuir com a expedição, entre em contato com o Terra Sem Males AQUI. Ou faça uma doação direta na conta:

Caixa Econômica Federal 
Agência 4520
Conta Corrente 386-0
Comissão Pastoral da Terra
CNPJ 02.375.913/0001-18

Solicite depósito identificado ou envie para o e-mail administracao@cptnacional.org.br o comprovante de depósito.

O projeto pode ser acompanhado na fanpage do Facebook: lamaquemata.

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Abaixo, os primeiros documentos em vídeo feitos pela equipe:

Relato de Dona Alda, moradora do distrito de Regência, em Linhares-ES, sobre a lama da Samarco/Vale/BHP-Billiton

Mesmo com o esvaziamento da antes muito badalada vila de pescadores Regência, em Linhares-ES, Alessandro Pescador não perde a esperança de dias melhores. A lama da Samarco/Vale/BHP-Billiton não os derrotará.

O questionamento da enfermeira Suelen da comunidade Povoação na beira do Rio Doce, no município de Linhares – ES, atingido pela lama da SAMARCO, é a pergunta de muitos: Quando vamos ver nosso rio recuperado?

O pescador Simeão, da praia Povoação, em Linhares-ES, fala sobre o crime da Samarco/Vale/BHP-Billiton

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