Movimentos do Tapajós realizam seminário para discutir resistência aos grandes projetos

O seminário reuniu indígenas, quilombolas, ribeirinhos, pescadores, agricultores e atingidos por barragens somando cerca de 100 lideranças da bacia do rio Tapajós e Rodovia BR 163

No Mab

Entre os dias 09 e 11 de dezembro, foi realizado o seminário “Povos do Tapajós construindo resistência em defesa da Amazônia” em Itaituba (PA). O evento foi organizado pela Comissão Pastoral da Terra (CPT), Conselho Indigenista Missionário (CIMI), Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB), Sindicato das Trabalhadoras e Trabalhadores Rurais de Itaituba (STTR) e Terra de Direitos.

O seminário contou com várias mesas de debates. Uma delas foi coordenada pelo Bispo da prelazia de Itaituba, Dom Wilmar e o Padre José Boing, de Trairão. Eles relataram como foram os debates no encontro do Sínodo da Amazônia no Vaticano bem como reafirmaram o compromisso do papa Francisco com os povos da Amazônia.

Outra Mesa foi composta por Tatiana, do Instituto de Estudos Sócio-Econômicos (INESC), o professor da UFPA Jhondison e Jackson Dias, da coordenação estadual do MAB. Essa mesa provocou os debates em torno das ameaças de construção do complexo de cinco hidrelétricas no rio Tapajós, bem como a ameaça da construção da ferrovia para transporte de grãos (Ferrogrão) na mesma região.

A importância da resistência

A quilombola Lídia Amaral é secretária da Federação das Organizações Quilombolas de Santarém (FOQS), organização que representa doze quilombos. Ela contou que essas comunidades estão sofrendo com a construção dos portos. Segundo Lídia, os quilombolas irão continuar lutando contra esses grandes projetos “para manter o nosso território intacto, com as nossas ancestralidades, raízes e o Bem Viver”.

O agricultor e ribeirinho Eldeir Azevedo é presidente da Associação Comunitária dos Moradores e Pescadores do Pimental, comunidade às margens do rio Tapajós, em Trairão (PA). Para ele “é importante resistir para existir, por isso temos que lutar contra a construção das hidrelétricas na bacia do Tapajós e em todo Brasil”.

No último dia houve a troca de experiências e ações que fortalecem a luta. Os Munduruku apresentaram o Protocolo de Consulta Livre, Prévia e Informada, instrumento que tem fortalecido a luta deles contra a construção das hidrelétricas.

O MAB e a Associação de Desenvolvimento Agrícola Interestadual (ADAI) apresentaram o Projeto de Produção Agroecológica Integrado e Sustentável (PAIS), que beneficia 30 famílias nos municípios de Itaituba, Rurópolis e Trairão, com o objetivo de incentivar a produção agroecológica, reflorestamento com o plantio de 100 mudas por família e irrigação a partir da energia solar.  No total, são beneficiadas 240 famílias no Pará, Rondônia, Mato Grosso e Tocantins.

Para Pedro Martins, assessor jurídico da Terra de Direitos, a realização do seminário foi importante porque “foi uma reunião de vários segmentos sociais do alto ao baixo Tapajós e que nesse final de 2019 precisam reorganizar suas pautas de lutas e suas formas de organização popular, de maneira a conseguir enfrentar esses retrocessos que o Bolsonaro vem trazendo para o Tapajós e Amazônia”.

Para Fred Vieira, da coordenação estadual do MAB no Pará, o seminário foi muito positivo “para fazer um planejamento em comum para o enfrentamento contra as grandes empresas que tem violado os direitos da classe trabalhadora nessa região do Tapajós”.

Imagem: Garimpo ilegal desativado na região da Terra Indígena Munduruku, no sul do Pará. Foto: Vinícius Mendonça/Ibama

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