SP: Movimentos sociais resistem a despejo de ocupações em Mauá

Há quatro anos o espaço abriga a Casa Helenira Preta, que já atendeu mais de 600 mulheres em situação de violência, e a Ocupação Manoel Aleixo, lar de 50 famílias. Terreno foi arrematado em leilão e posse pode ser emitida a qualquer momento

Por Júlia Pereira, Rede Brasil Atual

O Movimento de Luta nos Bairros, Vilas e Favelas (MLB) e o Movimento de Mulheres Olga Benário irão se reunir, na tarde desta terça-feira (9), em um ato contra o despejo da Ocupação Manoel Aleixo e da Casa Helenira Preta, em Mauá, na região do ABC Paulista. As duas ocupações estão localizadas no terreno de uma escola pública que havia sido abandonada pela prefeitura há mais de 10 anos. No final de abril deste ano, o espaço, contudo, foi colocado e arrematado em leilão, mas a posse ainda não foi emitida. 

A preocupação dos movimentos é que, assim que ela for autorizada, o despejo seja imediato. Diante dessa situação, as 50 famílias da Ocupação Manoel Aleixo se reuniram em assembleia no final do mês passado e deliberaram pelo ato. O protesto está confirmado para às 15h, no endereço das ocupações, de onde os manifestantes caminharão até a prefeitura para entregar os cadastros das famílias e pressionar por uma política de habitação permanente.

História de resistência

“Quando o leilão foi arrematado a juíza não emitiu posse e a gente avalia que isso é muito por conta da mobilização que temos feito e da nossa articulação institucional”, observa a coordenadora do Movimento de Mulheres Olga Benário e da Casa Helenira Preta, Luiza Fegadoli.

“Mas é claro que a pessoa que comprou o terreno tem muito mais poder do que tem qualquer família pobre que está lutando pela sua moradia, e ela faz pressão no Poder Público, no Judiciário e no Executivo para que a gente saía logo. Sabemos que assim que emitida a posse, já vem o despejo. É diferente de outras reintegrações de posse que vem o processo, é muito mais rápido quando se trata de leilão. Então estamos muito preocupados com essa situação. Mas nós também não estamos dispostas a desistir do trabalho que a gente desenvolve, porque salvamos vidas todos os dias”, adverte a coordenadora.

A primeira ocupação do terreno foi realizada pelo movimento de mulheres em 2017. A luta resultou na secretaria de Políticas Públicas para Mulheres de Mauá e na criação da Casa Helerina Preta. O espaço, desde então, já atendeu quase 700 mulheres vítimas de violência doméstica. Um cenário que se agravou ainda mais durante a pandemia, quando 17 milhões de mulheres já foram vítimas de algum tipo de violência no período, de acordo com o Fórum Brasileiro de Segurança Pública. 

Famílias não têm para onde ir

A falta de moradia no país também é um problema que se intensificou durante a crise sanitária. A Campanha Despejo Zero mostra que, de março de 2020 a agosto deste ano, 19,8 mil famílias perderam suas casas. Parte delas precisou ser acolhida por ocupações como a Manoel Aleixo, criada em setembro do ano passado pelo MLB. 

O movimento alerta que as famílias da ocupação não sabem como pagarão um aluguel caso sejam despejadas. “Foi muito importante a nível nacional a Ocupação Manoel Aleixo. Principalmente para o nosso movimento, o MLB, porque isso ajudou a gente a ver como a situação é grave. De um ano para cá, nós realizamos pelo Brasil mais de 14 ocupações em diferentes estados. E a Manoel Aleixo foi esse início, apesar do movimento fazer ocupações há mais de 20 anos”, explica o coordenador estadual do MLB, Matheus Troilo.

O terreno das ocupações está localizado na Rua Almirante Barroso, em Mauá.

Confira mais detalhes na reportagem:

Imagem: Com os despejos na pandemia, 50 famílias foram acolhidas na Ocupação Manoel Aleixo, criada em setembro do ano passado pelo MLB, e não têm para onde ir caso a ordem de posse seja emitida – Foto: MLB

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