Brasil: há espaço para a Soberania Digital

Atraso do país nas tecnologias do século XXI pode ser encarado. Caíram os argumentos contra a tributação das big techs. É possível obter os necessários – e livrá-los do “ajuste fiscal”. Há luta política adiante – mas, agora, um horizonte viável

Por James Gorgen, em Outras Palavras

Em 5 de janeiro, a Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE) anunciou a alteração em um acordo que pode representar a maior oportunidade tributária do Brasil na era digital. Após negociações com a administração Trump, 147 países aprovaram a exclusão de multinacionais americanas do imposto mínimo global de 15% estabelecido pelo Pilar 2 do Base Erosion and Profit Shifting Project (BEPS) em um acordo de 2021. Comentando o feito, o Secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent, foi direto ao ponto: o acordo reconhece “a soberania tributária dos Estados Unidos sobre as operações mundiais de empresas americanas e a soberania tributária de outros países sobre a atividade comercial dentro de suas próprias fronteiras”1. (mais…)

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Terrabras – uma estatal necessária

De olho nas terras raras, EUA agem em surdina por participação em mineradoras nacionais. E multiplicam-se requerimentos de pesquisa para especular com terras. Por que o momento é único para o Brasil. E qual papel de uma empresa pública nesta estratégia

Por Arthur Oscar Guimarães, em Outras Palavras

A urgência do tema terras raras exige grande atenção do Brasil. Em tempos do discurso fácil em relação à privatização, normalmente apresentada como um remédio infalível para todos os males nacionais, em particular na área econômica, aos mais apressados (quiçá aos equivocados) pode parecer que a defesa da estatização de um setor seja um total contrassenso, ainda mais quando se defende a estatização aliada à criação de uma nova empresa estatal. Pois é isso mesmo que propomos nesse artigo: a criação da TERRABRAS – Terras Raras do Brasil S/A. E vamos explicar as nossas razões. (mais…)

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Cidade partida: geografia da desigualdade

O que explica moradores de periferia de SP viverem 24 anos menos do que os de bairros ricos? Por que a desigualdade de gênero é a maior do Brasil? Como o transporte rouba tempo de vida das maiorias? Uma análise da dominação através do espaço urbano

Por Erik Chiconelli Gomes, em Outras Palavras

São Paulo completa 472 anos carregando em sua paisagem urbana as marcas profundas de uma formação social desigual. A metrópole que se consolidou como principal polo econômico do país exibe, paradoxalmente, contrastes que desafiam qualquer noção simplificada de progresso ou desenvolvimento. Os dados apresentados pela reportagem do Valor Econômico, publicada em janeiro de 2026, revelam que a média salarial paulistana de R$ 4.587 supera em quase dois terços a média nacional de R$ 2.851. Contudo, este número abstrato esconde realidades radicalmente distintas vividas por trabalhadores e trabalhadoras que habitam territórios diferentes da mesma cidade. A capital ocupa apenas a 31ª posição no ranking de rendimentos do Brasil, demonstrando que a riqueza concentrada na metrópole não se traduz em bem-estar generalizado, mas antes consolida um padrão de acumulação excludente que marca historicamente a urbanização brasileira. (mais…)

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O Sul Global como laboratório de investigação sobre a extrema-direita. Entrevista especial com Tatiana Vargas Maia

Modelo analítico do Norte Global para compreender o recrudescimento de novos autoritarismos não pode ser padronizado para nossa região do mundo, pondera a pesquisadora. Heterogeneidades de cada país devem ser levadas em consideração, observando a extrema-direita do Sul Global a partir do Sul Global

Por: Márcia Junges, em IHU

“A experiência da extrema-direita no Sul Global parece nos apresentar um processo de radicalização que é mais forte e duradouro de setores conservadores das nossas sociedades, com elevados níveis de intensidade e violência, bem como consequências institucionais de longo prazo”, analisa a historiadora Tatiana Vargas-Maia. Organizadora do livro The Rise of the Radical Right in the Global South (Routledge, 2023) junto de Rosana Pinheiro-Machado, ela acentua que a abordagem do estudo “começa com um diagnóstico das insuficiências que observávamos na literatura dominante, que tende a explicar acontecimentos em países como Brasil e Índia como parte do mesmo fenômeno, idêntico àquele observado nos EUA e Europa Ocidental, o que produz uma homogeneidade epistemológica e metodológica que consideramos insuficiente”. (mais…)

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CPT São Paulo faz defesa da moradia digna e pauta diligência no Ministério Público e audiência na Secretaria de Habitação em Bauru (SP)

Por CPT São Paulo

Nesta terça-feira, 10, representantes de pastorais sociais e movimentos populares participaram de uma diligência no Ministério Público em defesa do direito à moradia digna. A atividade contou com a participação de Maurício Cunha e Eduardo de Macedo, da CPT São Paulo; Cíntia Zaparoli e Japonês, lideranças do MST; e da Rede Nacional de Advogadas e Advogados Populares (Renap), representando a Pastoral da Favela e Moradia. A ação possibilitou o diálogo sobre as medidas jurídicas e institucionais necessárias para a proteção das mais de mil famílias que vivem na Ocupação Acampamento Aliança, coordenada pelo MST, em Bauru. (mais…)

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Psol – coligação sim, federação não. Por Valerio Arcary

Há uma dialética inteligente em lutar pela construção de um partido socialista que vai além dos limites do PT e, ao mesmo tempo, lutar ao lado do PT e do governo Lula contra o bolsonarismo. A ideia de que deve existir um só partido de esquerda parece atraente, mas não é progressiva

“A ambição nunca descansa. A ambição não ouve a razão alheia”
(Sabedoria popular portuguesa).

Em A Terra é Redonda

1.

Ainda que não tenha sido ainda deliberado, formalmente, é previsível que o PSol venha a decidir pelo apoio à candidatura de reeleição de Lula desde o primeiro turno sem uma grande controvérsia interna. Ao contrário do contexto de 2022, prevalece no partido a compreensão de que seria um erro uma candidatura própria, em função dos riscos colocados pela ofensiva de Donald Trump na América Latina, os resultados recentes de eleições na Argentina e Chile, e a implantação da extrema direita no Brasil liderada pelo neofascismo. (mais…)

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Palestina, terra santa. Por Jean Tible*

Palestina emerge como metáfora e chave de leitura para as lutas globais, conectando a máquina de morte israelense às violências contra indígenas e periféricos no Brasil

A Terra é Redonda

1.

Protestos pelas vidas palestinas eclodem em tantos pontos do planeta, da Malásia aos EUA, de Londres a Bogotá. Esses compõem uma terceira onda das revoltas globais (Sri Lanka, Sérvia, Nepal, Bangladesh, Indonésia, Filipinas, Madagascar, Marrocos, Peru e mais), depois da primeira a partir do fim de 2010 (Tunísia, Egito, Síria, Espanha, Grécia, Occupy, Taksim, 2013 brasileiro e tantas) e da segunda em 2019 (Sudão, Hong Kong, coletes amarelos, vidas negras importam, Chile, Equador, Colômbia, Haiti e Argélia, dentre outras), travada parcialmente pela pandemia. (mais…)

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