Os esforços (não-remunerados) das mães são “a infraestrutura que sustenta o capitalismo”. Que políticas podem ser implementadas para transformar esse cenário? Leia trecho de livro recém-publicado pela Editora Fósforo que debate alternativas
Excerto de “Matrescência: sobre a metamorfose da gravidez, do parto e da maternidade”
Por Lucy Jones*, em Outra Saúde
Retratar o trabalho de cuidado como algo fácil, que qualquer um pode fazer sozinho, é uma forma de justificar a desvalorização e a baixa remuneração dos cuidadores. Ao naturalizar o trabalho de cuidar dos filhos e criá-los, a sociedade pode obscurecer e mistificar o que ele realmente é: a infraestrutura que sustenta o capitalismo. Sem trabalhadores, não há trabalho. O maior setor de nossa economia é, na verdade, o trabalho não remunerado. Em 2016, o Escritório Nacional de Estatística do Reino Unido [ONS, na sigla em inglês] revelou que o valor do cuidado infantil não remunerado — maternidade, paternidade, criação de filhos — era de 351,7 bilhões de libras. Ao todo, o trabalho doméstico não remunerado equivalia a 63,1% do produto interno bruto (PIB). [1]
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