Pensadora decolonial vê, na resistência palestina, um teste decisivo para a humanidade. Cresceu em meio às lutas de libertação africana. Aos 16, já figurava em relatórios policiais. Enquanto Vaticano pede perdão e “vigília” contra a escravidão, ela exige abolição real
Por Thiago Gama, em Outras Palavras
A 25 de maio de 2026, veio à luz a encíclica Magnifica Humanitas, do Papa Leão XIV — um documento que, entre seus capítulos mais densos, contém uma frase que nenhum de seus predecessores havia pronunciado com tanta franqueza: “em nome da Igreja, peço sinceramente perdão.” O perdão é pela escravização. Pela cumplicidade das instituições eclesiásticas na montagem do aparato colonial. Pela legitimação, durante séculos, de práticas que o próprio documento admite terem sido “reguladas e, em alguns casos, autorizadas” pela Sé Apostólica a pedido de soberanos — os mesmos soberanos que financiaram a expansão portuguesa pelo Atlântico e pelo Índico.
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