Aluguel: Assim Mamdani enfrenta a crise de moradia

Cidade congela valor para locação de um milhão de imóveis. Como inquilinos se organizaram e desmascararam a especulação. A aposta do prefeito na educação cidadã para enfrentar a burocracia municipal. E as novas lutas por moradia digna que podem emergir

Por Tara Raghuveer*, no The New York Review | Tradução: Rôney Rodrigues, em Outras Palavras

Em junho de 2026, o Conselho de Diretrizes de Aluguel de Nova York (Rent Guidelines Board, RGB) aprovou por sete votos a um o congelamento dos aluguéis (rent freeze), uma das principais promessas de campanha do prefeito democrata Zohran Mamdani, um jovem socialista de apenas 34 anos e origem muçulmana que assumiu o cargo em janeiro. Com uma campanha vibrante e arrojada, propôs saídas ao altíssimo custo de vida em Nova York e prometeu tornar a cidade mais acessível aos trabalhadores, com três bandeiras centrais: implantar a tarifa zero, universalizar o acesso à creche e congelar o preço dos alugueis. Agora, esta última sai do papel: a partir de outubro, os aluguéis regulado não poderão ser reajustados nos contratos que começarem ou forem renovados até setembro de 2027. A medida alcança cerca de um milhão de apartamentos. A atuação dos movimentos de inquilinos foi crucial — entre eles, o Housing Justice for All, coalizão estadual de organizações de inquilinos e pessoas sem moradia de Nova York da qual o próprio Mamdani militou.

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Cidades: o porquê de uma mobilidade feminista

Marcado pela ideia do homem provedor, transporte urbano prioriza trajeto casa-emprego. Rotas do trabalho reprodutivo seguem negligenciadas. Quais são elas? Como desenhar ambientes seguros e cidades que acolham mulheres e o Cuidado?

Por Jovana Božović*, no Eurozine | Tradução: Rôney Rodrigues, em Outras Palavras

O ambiente urbano nunca foi neutro em termos de gênero. Nas discussões críticas sobre a desigualdade de gênero, a divisão binária do espaço em esferas pública e privada frequentemente surge como um tema central. Os assuntos públicos – e, portanto, a esfera pública e a mobilidade – são dominados por homens desde a antiguidade, enquanto a esfera privada tem sido vista predominantemente como o domínio das mulheres e da vida familiar. Segundo a teoria urbana feminista, essa compreensão do espaço tanto ilustra quanto reproduz as tradicionais relações de poder baseadas no gênero.

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Para enfrentar a grita por “novo ajuste fiscal”

Mídia e economistas neoliberais alardeiam: dívida do Estado está se tornando “insustentável”; é preciso cortar radicalmente o gasto público. Para enfrentar esta campanha interesseira, vale examinar o papel da moeda e das relações econômicas e sociais que sua emissão produz

Por Luiz Martins de Melo*, em Outras Palavras

A dívida estatal é, na verdade, a riqueza financeira do setor privado. A contenção de gastos sem investimentos reais paralisa a economia. Portanto, temos que começar a derrubar os mitos sobre moeda, dívida pública e política fiscal disseminados todos os dias na mídia.

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Lula e a Defesa: proteger o país sem atiçar o militarismo

Invasão da Venezuela expõe vulnerabilidade do Brasil e importância do reaparelhamento militar. Mas precisa vir acompanhada de reforma das Forças Armadas, para não fortalecer nem os privilégios castrenses, nem possíveis aventuras antidemocráticas

Por Márcio Ferreira*, em Outras Palavras

Durante boa parte da redemocratização brasileira, a esquerda tratou o tema da defesa nacional com evidente desconforto. O trauma produzido por vinte e um anos de ditadura militar transformou qualquer aproximação com as Forças Armadas em terreno politicamente sensível. A defesa passou a ser percebida, muitas vezes, como pauta pertencente ao campo conservador, enquanto a esquerda concentrou suas energias nas agendas de direitos sociais, redistribuição de renda e ampliação da cidadania.

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Onde está o SUS nos programas dos candidatos?

O que as plataformas eleitorais revelam (e escondem) sobre o futuro da Saúde? Propostas variam de promessas de ampliação de serviços a entrega total ao setor privado. Resta uma questão: como ampliar o sistema público se o Brasil segue amarrado pelo ajuste fiscal?

Por Glauco Faria, em Outra Saúde

Em sua fala durante a realização da 78ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) em Niterói, no final de julho deste ano, a professora da UFRJ Ligia Bahia refletiu sobre o detalhamento das plataformas eleitorais de candidatos em eleições passadas e aquilo que é feito depois que os vencedores tomam posse. Segundo ela, esses documentos teriam pouca importância prática para os governos, pois nem todos os compromissos ali elencados se tornam realidade. Mas, para a pesquisadora, eles são reveladores pelo que não dizem. “O que não está previsto na plataforma não acontecerá”, pontuou na ocasião.

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Justiça suspende reintegração de posse após identificar sobreposição com aldeia Kapinawá em PE

Decisão da Vara Única de Ibimirim impede retirada de famílias da Aldeia Igrejinha até que Funai e Incra esclareçam situação fundiária

Cimi Regional Nordeste

A Justiça de Pernambuco suspendeu o cumprimento de uma ordem de reintegração de posse que poderia atingir famílias do povo Kapinawá na Aldeia Igrejinha, Terra Indígena (TI) Kapinawá, em Ibimirim, no Sertão do Estado. A decisão, assinada em 18 de agosto pelo juiz Daniel Luís de Oliveira, da Vara Única da Comarca de Ibimirim, determinou a interrupção imediata do mandado e proibiu qualquer remoção de famílias ou destruição de moradias, cercas, plantações e benfeitorias até nova deliberação.

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Impunidade após seis anos do massacre nos rios Abacaxis e Mari-mari (AM) é relatada à Organização das Nações Unidas

A organização internacional Human Rights Watch (HRW) apresentou Carta ao Relator Especial sobre execuções extrajudiciais, sumárias ou arbitrárias das Nações Unidas, relatando o abuso dos policiais

Por Lígia Apel, do Cimi Regional Norte I

Há seis anos, no estado do Amazonas, acontecia um dos mais cruéis ataques contra a vida dos povos indígenas e ribeirinhos, executado por pessoas nas engrenagens do poder público e que abusam dessa posição. Um contingente de pelo menos 11 policiais chegou de forma hostil nas comunidades dos rios Abacaxis e Mari-mari, município de Nova Olinda do Norte, e, com requintes de crueldade, torturaram, assassinaram, ocultaram cadáveres e congelaram em um freezer uma criança de apenas seis anos. À época, o comando da Polícia Militar do estado era assumido pelo ex-comandante Ayrton Ferreira do Norte, pelo ex-secretário de Segurança Pública e coronel, Louismar Bonates, pelo tenente Moacir Gama Menezes e pelo investigador da polícia civil Eberth Ribeiro da Silva.

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“Não há dúvidas” de que megaprojeto de mineração de potássio sobrepõe território Mura, reafirma Funai

Em Autazes, mineradora canadense avança sobre áreas comprovadamente tradicionais em meio a denúncias de ameaça, cerceamento e ausência de consulta às comunidades

Cimi

Na última sexta-feira (14), diante de representantes da Secretaria-Geral da Presidência da República (SGPR), do Ibama e dos Ministérios de Minas e Energia (MME) e dos Povos Indígenas (MPI), a Diretoria de Demarcação de Terras Indígenas da Funai confirmou, pela segunda vez, que o megaprojeto da mineradora canadense Potássio do Brasil está sobreposto ao território tradicional do povo Mura em Autazes (AM): “embora não tenham sido definidos os limites no estudo [de identificação e delimitação], já há uma proposta e não há dúvidas de que a área do empreendimento sobrepõe áreas de moradia e circulação dos Mura”.

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MPF destaca em seminário necessidade de transparência sobre impactos da IA e exploração de minerais

Órgão ainda apontou a obrigatoriedade das consultas livres, prévias e informadas às comunidades tradicionais sobre os projetos e empreendimentos

Procuradoria Regional da República da 3ª Região

Falta de transparência sobre os efeitos da inteligência artificial (IA). Esse foi um dos destaques do seminário Infraestrutura de Inteligência Artificial, Exploração de Minerais Críticos e Uso da Água: segurança hidrológica e proteção das comunidades tradicionais. O evento foi realizado de forma online na última quarta-feira (12).

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Nota Política da APIB sobre o enfraquecimento da Moratória da Soja e seus impactos no aumento de desmatamento e violações aos direitos dos povos indígenas do Brasil

Na APIB

A Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (APIB), organização nacional composta por organizações indígenas de todas as regiões do país, alerta a comunidade internacional para o agravamento das ameaças aos direitos territoriais dos povos indígenas no Brasil.

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