Como camponeses se organizam, desde os anos 80, em torno de um Brasil sem venenos. As pontes criadas com a cidade e a Academia. A luta por políticas públicas. E o futuro entrevisto: outra cosmovisão no campo, a partir das tramas da vida
Por Daniel Lemos Jeziorny e Marcos Abrahão Cardoso, em Outras Palavras
Agroecologia: ferramenta para resistir à inaceitabilidade fantasmagórica
O modelo produtivo tido como moderno, que fundamentou a prosperidade do modelo de civilização dominante, apresenta sinais de exaustão e perda de eficiência, além de ser inadequado para lidar com a nova realidade climática (CRS Report, 2023). A Revolução Verde – impulsionada pelo expressivo avanço no setor químico a partir da Segunda Guerra Mundial – resultou em custos ambientais de magnitude equivalente aos seus resultados econômicos. Um modelo fortemente calcado no uso abusivo de agrotóxicos e de fertilizantes. Estes, utilizados com um elevado índice de “desperdício”, visto que apenas 17% das aplicações são real- mente absorvidas pelas plantas, para depois serem consumidas na alimentação (Erisman et al, 2008). O material residual alcança os cursos d’água e contribui na proliferação de algas e formação de zonas mortas, num real sufocamento da vida aquática (Jonhson; Harisson, 2015). O uso de fertilizantes químicos é responsável também pela emissão de grandes quantidades de gases de efeito estufa, tanto que o agronegócio é o maior emissor desses gases no Brasil.
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