Israel vive colapso moral. Evocar memórias de perseguição já não aplaca as críticas a seus crimes bárbaros. Sua defesa incondicional vem justamente dos governos mais fascistas do mundo. E a promessa de segurança judaica, que legitimou o poder sionista, revela-se engodo…
Por Berenice Bento*, em Outras Palavras
Primeiro tempo: a derrota moral
Durante décadas, uma das bases da legitimidade internacional de Israel esteve assentada em uma narrativa segundo a qual seria não apenas um Estado necessário à segurança dos judeus, mas uma democracia excepcional em uma região hostil, sustentada por um exército submetido a rigorosos princípios éticos. A expressão “o exército mais moral do mundo” condensava essa autoimagem. Gaza produziu uma fratura exposta nessa narrativa, com poucas possibilidades de recomposição. São os relatórios de organismos internacionais, as imagens produzidas pelos próprios soldados que chegam a todos os celulares do mundo, os testemunhos de palestinos, jornalistas e organizações de direitos humanos, as cenas de destruição sistemática de bairros inteiros, de celebração da morte e da devastação, de humilhação e violência contra prisioneiros (inclusive estupros filmados), que tornaram cada vez mais difícil sustentar a imagem de uma guerra conduzida em nome de uma moralidade excepcional.
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