Cem anos da Questão Meridional, de Gramsci

por Theófilo Rodrigues e Rita Matos Coitinho, no blog da Boitempo

O ano de 2026 marca o centenário de um clássico da literatura marxista. Trata-se de “Alguns temas da questão meridional”, artigo redigido por Antonio Gramsci entre setembro e outubro de 1926, pouco antes de sua prisão pelo regime fascista de Mussolini em 8 de novembro daquele ano. O texto foi escrito em um contexto de ascensão do fascismo e refluxo das lutas operárias italianas, quando o dirigente comunista buscava compreender os limites históricos da unificação nacional e as dificuldades para a construção de uma hegemonia revolucionária na Itália.

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Os impérios também assinam rendição. Por Antonio Martins

Por que o cessar-fogo assinado ontem põe em dúvida o poder militar dos EUA e a hegemonia do Ocidente. Como a guerra desnudou a ultradireita e seu projeto de supremacismo. O que a América Latina, agora alvo de Washington, pode aprender

Por Antonio Martins, em Outras Palavras

Em julho de 2025, o analista político chinês Victor Hao olhou para o projeto de Donald Trump e traçou um paralelo histórico que provocou surpresa. O esforço do presidente dos EUA para superar, por meio de um choque, o prolongado declínio de seu país poderia ricochetear de forma tão dramática — previu ele — como o de Mikhail Gorbachev para reformar o combalido sistema soviético. Trump seria, na profecia de Hao, o coveiro do império americano e da hegemonia do Ocidente. Onze meses depois, em 17 de junho de 2026, o presidente dos EUA assinou no Palácio de Versalhes, sob o olhar impávido de Emmanuel Macron, um acordo de cessar-fogo com o Irã. Negociações mais extensas, envolvendo as capacidades nucleares de Teerã e as indenizações a serem pagas por Washington, começarão em 19/6, na Suíça. Tudo ainda é provisório, frágil e sujeito a abalos (em especial, de sabotagens de Israel). Mas tornou-se impossível não lembrar de Hao, por três motivos complementares.

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Missão Josué de Castro: qual o futuro do combate à fome?

Com a insegurança alimentar em foco, vozes do campo e da cidade reúnem-se em Brasília para debater a contradição brasileira. A partir de relatos de diversos territórios, organizações articulam nova plataforma política para fortalecer a agroecologia

Por Kauany Rocha, em Outras Palavras

Realizado nos dias 1, 2 e 3 de junho, o I Encontro Nacional para a Transformação dos Sistemas Agroalimentares, promovido pela Missão Josué de Castro em parceria com a Fundação Banco do Brasil (FBB), reuniu mais de 10 organizações nacionais em Brasília, integrando movimentos populares, lideranças sindicais e representantes de instituições públicas. A escolha da capital federal como sede buscou dar visibilidade institucional às discussões realizadas nos três dias. O evento, realizado no auditório da Associação de Docentes da Universidade de Brasília (ADUnb) unificou vozes do campo e da cidade em torno de debates acerca da importância da valorização da agricultura familiar para o combate à fome no país.

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Lições de Paulo Freire contra as fake news

Produzir mentiras é muito mais fácil do que educar – e as pessoas as “engolem”, temendo parecer idiotas. Talvez seja preciso resgatar a pedagogia anti-autoritária e humana do educador, sensível ao Outro que é inferiorizado e acossado pela ultradireita

Por Leonardo Bernardes*, em Outras Palavras

Mais uma eleição se aproxima e a esquerda se vê de novo na tarefa de desmentir as falsidades da extrema-direita, como Sísifo a rolar eternamente sua pedra. À esquerda falta a consciência de uma assimetria fundamental que pode ser formulada em termos simples: enganar é mais fácil do que educar. Educar é mais difícil, porque para se deixar educar é preciso uma virtude que só pode nascer numa cultura radicada em perspectivas filosóficas: a virtude de ser capaz de aceitar a própria ignorância.

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Nota técnica: julgamento do STF que inicia nesta sexta pode consolidar “grave esvaziamento” dos direitos territoriais indígenas

Cimi destaca os pontos mais críticos para os direitos indígenas em debate neste julgamento, que avalia os embargos nas ações que tratam da constitucionalidade da Lei 14.701/2023

Cimi

Nesta sexta-feira (19), o Supremo Tribunal Federal (STF) volta a julgar os recursos relacionados à Lei 14.701/2023, conhecida como Lei do Marco Temporal e, com isso, poderá redefinir os rumos dos direitos territoriais indígenas no Brasil. A lei, promulgada pelo Senado Federal em dezembro de 2023, cria entraves que barram as demarcações de terras indígenas (TIs) e facilitam a sua exploração econômica por não indígenas.

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Projeto de Lei sobre abuso policial da força é rejeitado por “bancada da bala” na Câmara

Proposta é baseada em morte de mulher de 31 anos, baleada por uma PM sem reagir à abordagem, em São Paulo

Por Duda Sousa | Edição: Ludmila Pizarro, em Agência Pública

A morte de Thawanna Salmázio, de 31 anos, baleada por uma policial militar durante uma abordagem na zona leste de São Paulo, no dia 3 de abril, repercutiu no Congresso Nacional. Ele serviu de base para o Projeto de Lei (PL) 1750/2026, que propõe aumentar a pena para homicídios praticados por agentes de segurança pública em situações de uso excessivo da força.

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Justiça Federal atende MPF e determina que Incra prossiga com processo de titulação de terra quilombola no Paraná

Sentença estabelece 90 dias para a apresentação de cronograma para conclusão do procedimento da comunidade quilombola Casa da Quimbanda

Procuradoria da República no Paraná

A Justiça Federal do Paraná determinou que o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) e a União deem andamento imediato ao processo administrativo sobre a titulação das terras da comunidade quilombola Casa da Quimbanda, localizada no município de Uraí, no norte do estado. A decisão atende a um pedido feito pelo Ministério Público Federal (MPF), que acionou o Poder Judiciário para combater a demora do governo federal em avaliar a regularização fundiária da área.

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Maria do Chá: guardiã de raízes no Mata Cavalo (MT), território quilombola acompanhado pelo Incra

O nome é Maria Pinto de Morais. Mas, na comunidade quilombola Mata Cavalo de Baixo, localizada no território Mata Cavalo, no município de Nossa Senhora do Livramento (MT), ela é Maria do Chá.

Na Funai

O apelido nasceu há três décadas. Em 1996, Maria chegou à beira da antiga Fazenda São Carlos, junto com cerca de 20 descendentes de quilombolas que buscavam reivindicar o direito à terra. Na época, estava com dois filhos e enfrentou uma fase marcada pela falta do básico para sobreviver. “A luta foi daquelas pesadas. Não tínhamos salário, e quem vinha para cá tinha que abrir mão de tudo. Nossa casa eram as folhas de bacuri. Ficamos sem comida e sem água. Não estava acostumada a ver criança chorando de fome”, relata.

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Estado regula o crime e lucra com a violência, afirma Jacqueline Muniz ao GGN

Especialista desconstrói o mito do “Estado paralelo” e revela como a economia política do crime se infiltra nas instituições

Por GGN

Em entrevista ao canal TV GGN no Youtube, na noite de quarta (17), a socióloga e especialista em segurança pública Jacqueline Muniz desmistificou a ideia de que exista um “Estado paralelo” ou ausente no Brasil. Segundo ela, o crime organizado não invade o Estado, mas é o próprio Estado que atua como uma agência reguladora das atividades ilícitas. A pesquisadora explicou que a circulação de mercadorias ilegais pelo país exige a conivência e a facilitação de agentes públicos, demonstrando que as fronteiras entre o legal e o ilegal são extremamente frágeis e maleáveis.

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‘Ilhado’ nos EUA, será difícil Eduardo Bolsonaro voltar a se candidatar após condenação

Após trânsito em julgado, ex-deputado teria que cumprir pena para tentar diminuir prazo de inelegibilidade, diz advogado

Por Maira Escardovelli | Edição: Ludmila Pizarro, Agência Pública

A condenação do ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) pela Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) é mais um golpe nas ambições políticas do filho 03 do ex-presidente Jair Bolsonaro. A sua possível permanência nos Estados Unidos, onde está desde fevereiro de 2025, pode, indiretamente, dificultar a sua participação em eleições no Brasil.

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