“Escritoras como Carolina Maria de Jesus e Conceição Evaristo geram movimentos de representatividade indispensáveis para a saúde antirracista e feminista do país”, afirma a escritora
Por: Luana de Oliveira, em IHU
A hegemonia de um país também se decifra nas palavras escritas na literatura. De acordo com o Grupo de Estudos em Literatura Brasileira Contemporânea da Universidade de Brasília (UnB), cerca de 2,5% dos livros publicados no Brasil são de autoria de autores pretos ou pardos, algo completamente absurdo em um país onde 56% de sua população é predominantemente preta ou parda. O racismo estrutural assola corpos onde os espaços ainda são limitados por um sistema patriarcal dominado pela branquitude e pelo masculino. É nesse contexto que a literatura afro-brasileira emerge quebrando barreiras, impulsionando vozes negras em um cenário global. Contar histórias é ultrapassar o limite das entrelinhas e reescrever seu espaço na história, de forma a inspirar novas gerações de pessoas a conquistarem seus espaços de representação. Escritoras como Maria Firmina dos Reis (primeira romancista negra da América Latina) são uma inspiração para escritoras negras que partilham as histórias, a partir de uma literatura potente que produz novos imaginários. A sociedade ainda precisa compreender a importância dessas obras, de tal modo que elas não sejam discutidas e tiradas das prateleiras apenas em novembros de Consciência Negra.
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