Em 17 de abril de 1996, o Brasil assistiu ao Massacre de Eldorado dos Carajás: 21 camponeses assassinados e 69 mutilados pela Polícia Militar do Pará, sob o governo de Almir Gabriel (PSDB). Quase três décadas depois, as lentes de João Roberto Ripper, que documentou o horror e as provas do crime, ganham novo fôlego com a digitalização de seu acervo histórico na Fiocruz. Nesta entrevista exclusiva à Amazônia Real, o mestre da “Fotografia do Bem Querer” relembra os bastidores do massacre, a convivência com Sebastião Salgado no rastro do sangue e a urgência de usar a imagem como ferramenta política contra o esquecimento
Por Alberto César Araújo, em Amazônia Real
Manaus (AM) – A data tornou-se um marco divisório para os movimentos sociais ao ser instituída como o Dia Nacional de Luta pela Reforma Agrária. A iniciativa partiu da Via Campesina, uma articulação internacional fundada há 33 anos, e se consolidou na Jornada Nacional de Lutas em Defesa da Reforma Agrária. Organizada em todo o País, a jornada reafirma a centralidade da luta pela terra no Brasil e a importância de implantar um projeto de reforma agrária que desenvolva o campo, produza alimentos saudáveis e combata a fome. Em seu início, a mobilização foi estigmatizada pela imprensa hegemônica, que a apelidou de “Abril Vermelho”. Contudo o movimento superou a tentativa de criminalização e apropriou-se do termo, ressignificando-o como símbolo de resistência.
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