Crédito de carbono para florestas: – 4. Cobenefícios sociais e de biodiversidade

Artigo avalia se, de fato, o mercado voluntário de carbono leva benefícios e bem estar às populações locais, na biodiversidade e na floresta e como. Os autores destacam à dificuldade de se obter dados concretos e dizem que muitos projetos são implementados em regiões onde a governança florestal é historicamente complexa e a posse da terra permanece obscura ou contestada.

Por Thales A.P. West, Kelsey Alford-Jones, Philippe Delacote, Philip M. Fearnside, Ben Filewod, Ben Groom, Clemens Kaupa, Andreas Kontoleon, Tara L’Horty, Benedict S. Probst, Federico Riva, Claudia Romero, Erin O. Sills, Britaldo Soares-Filho, Da Zhang, Sven Wunder e Francis E. Putz, em Amazônia Real

Um dos principais atrativos dos projetos REDD+ para compradores no VCM (mercado voluntário de carbono) é seu potencial de gerar cobenefícios: financiar ações que simultaneamente mitiguem as mudanças climáticas, protejam a biodiversidade e apoiem comunidades locais em países em desenvolvimento [1]. No entanto, avaliar se esses projetos realmente geraram cobenefícios também requer avaliações robustas de impacto, idealmente baseadas em análises contrafactuais e dados longitudinais, que muitas vezes faltam. Por exemplo, a Verra promoveu seu premiado projeto certificado com pastores no norte do Quênia como um caso de sucesso; no entanto, investigações subsequentes revelaram que o projeto não conseguiu gerar os benefícios climáticos alegados nem as melhorias prometidas para as comunidades locais, levando à sua suspensão [2]. Embora a busca por cobenefícios seja tentadora (e certamente comercializável), ela vai contra a Regra de Tinbergen, que afirma que atingir metas políticas múltiplas e distintas — como redução de emissões de carbono, proteção da biodiversidade e apoio à comunidade — requer um número equivalente de instrumentos políticos independentes e bem definidos ([3]; cf. [4]). Continue lendo “Crédito de carbono para florestas: – 4. Cobenefícios sociais e de biodiversidade”

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Justiça Federal atende MPF e proíbe uso irregular de agrotóxicos em território quilombola em Goiás

Liminar determina que proprietário de fazenda e aplicador de defensivos respeitem distanciamento mínimo do Quilombo Mesquita

Ministério Público Federal em Goiás

A Justiça Federal atendeu ao pedido de tutela de urgência (liminar) formulado pelo Ministério Público Federal (MPF) e determinou que o proprietário de uma fazenda e o responsável pela exploração agrícola da área não apliquem agrotóxicos em desacordo com as normas de distanciamento mínimo do território da Comunidade Quilombola Mesquita, em Luziânia (GO). A decisão busca interromper danos ambientais e à saúde da comunidade tradicional causados pelo uso irregular de substâncias químicas em lavouras situadas dentro da área quilombola. Continue lendo “Justiça Federal atende MPF e proíbe uso irregular de agrotóxicos em território quilombola em Goiás”

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Sem justiça territorial, mercado de carbono tem demandado títulos de terra no Brasil e na Colômbia

Por Pedro Martins e Daniela Mendonza*, no Tapajós de Fato

Como evento paralelo à COP 30 sobre Mudança do Clima realizada em Belém (PA), a Cúpula dos Povos, uma construção coletiva de organizações do mundo inteiro por soberania popular e justiça climática, foi um encontro de movimentos populares e organizações da sociedade civil onde tivemos a oportunidade de conectar resistências. Neste marco da Cúpula 2025, ressaltando a metodologia de enlaçamento que a caracterizou, visibilizamos e denunciamos os impactos do mercado de carbono, especialmente aqueles relacionados com a grilagem e a apropriação de terras que ocorrem em países como Brasil e Colômbia. Continue lendo “Sem justiça territorial, mercado de carbono tem demandado títulos de terra no Brasil e na Colômbia”

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Juristas pedem que tribunal internacional investigue ação na Venezuela

Captura de Maduro pelos EUA é crime de tomada de refém, afirmam

Lucas Pordeus León – Repórter da Agência Brasil

Um grupo de juristas e de organizações sociais e de direitos humanos pediu ao Tribunal Penal Internacional (TPI) a abertura de investigação preliminar para apurar possíveis crimes contra a humanidade cometidos pelos Estados Unidos (EUA) em águas internacionais do Caribe e na invasão da Venezuela. Continue lendo “Juristas pedem que tribunal internacional investigue ação na Venezuela”

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Dialética do bem e do mal. Por Luiz Marques

A condição humana é uma dialética inextricável entre o bem e o mal, uma dualidade que a política e a moral tentam, em vão, simplificar em narrativas unidimensionais

Em A Terra é Redonda

1.

A máxima “Eu sou humano, nada do que é humano me é estranho” (“Homo sum, humani nihil a me alienum puto”) foi criada pelo dramaturgo romano Terêncio no século II a.C., e popularizada por Karl Marx e Friedrich Nietzsche. Significa que decodificamos os sentimentos, os atos e as falhas dos indivíduos faltosos, que transgridem as leis. Mas a familiaridade com as experiências tortas no âmbito da espécie é uma carga incômoda, para nossa necessidade sociocultural de idealizações simbólicas. Continue lendo “Dialética do bem e do mal. Por Luiz Marques”

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Justiça acolhe pedidos do MPF e torna definitiva a proibição de turismo ilegal em território indígena no Pará

Sentença confirma que empresa não pode atuar sem o devido licenciamento ambiental, consulta prévia aos indígenas e aprovação da Funai

Ministério Público Federal no Pará

A Justiça Federal acolheu pedidos do Ministério Público Federal (MPF) e tornou definitiva a proibição de atividades turísticas irregulares promovidas pelas empresas Acute Angling e Amazon Peacock Bass na Terra Indígena Nhamundá-Mapuera, na região do Território Wayamu, no noroeste do Pará. A sentença, publicada no final de dezembro, confirma a decisão liminar de setembro de 2022, que já havia suspendido as operações no local. Continue lendo “Justiça acolhe pedidos do MPF e torna definitiva a proibição de turismo ilegal em território indígena no Pará”

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Justiça climática: Como crise ambiental fez governos e empresas sentarem no banco dos réus

Em 10 anos, comunidades, jovens e indígenas passaram a recorrer a tribunais internacionais diante da inação dos governos

Por Isabel Seta | Edição: Ed Wanderley, Agência Pública

Assim que Mauricio Terena começou a trabalhar em um projeto com os Tenharim, lideranças do povo indígena falaram do problema das crescentes invasões que assolam o território, localizado às margens da rodovia Transamazônica, no sul do Amazonas. Elas estavam insatisfeitas, porque não havia previsão de nenhuma operação do governo federal para retirar madeireiros, garimpeiros e ocupantes ilegais da Terra Indígena (TI) Tenharim Marmelos. As lideranças sabiam: se nada fosse feito, a situação iria piorar. Continue lendo “Justiça climática: Como crise ambiental fez governos e empresas sentarem no banco dos réus”

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Trump usa imagens de ação na Venezuela para recados políticos e controle narrativo

Nicolás Maduro preso foi a imagem mais curtida e compartilhada da Casa Branca no X desde outubro de 2025

Por Guilherme Cavalcanti, Wanessa Celina | Edição: Ludmila Pizarro, em Agência Pública

A captura do presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, completa 10 dias nesta segunda-feira, 12 de janeiro. Mesmo com o repúdio das Nações Unidas e da maioria dos países membros da Organização e do esforço do jornalismo local para transmitir informações seguras, a realidade da Venezuela sem Maduro está colocada, mesmo com a possível manutenção do chavismo. Continue lendo “Trump usa imagens de ação na Venezuela para recados políticos e controle narrativo”

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Venezuela: a Europa prostrada

Passividade diante da agressão de Trump custará caro, e não apenas porque a Groenlândia está ameaçada. Continente parece incapaz tanto de defender o direito internacional quanto de atuar como um sujeito autônomo, num tempo de transformações geopolíticas

Por Raul Noetzold, em Outras Palavras

I. A Venezuela no centro de uma ordem em crise

A crise venezuelana costuma ser apresentada no debate público europeu e norte-americano como um fenômeno isolado, resultado exclusivo de decisões internas, autoritarismo político ou má gestão econômica. Essa leitura, no entanto, ignora deliberadamente o contexto histórico mais amplo no qual a Venezuela se insere: o de uma América Latina sistematicamente tratada como zona de influência estratégica dos Estados Unidos desde o século XIX. Continue lendo “Venezuela: a Europa prostrada”

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O Agente Secreto: Pra não morrer na praia. Por Luiz Eduardo Soares

Para mascarar a finitude e evitar os riscos da construção de um futuro comum, Brasil pode, como Fernando, condenar-se à indiferença e solidão. Mas se o país é capaz desse filme, pode salvar-se do enredo medíocre e decadente em que se meteu

Por Luiz Eduardo Soares, em Outras Palavras

A metamorfose de Wagner Moura nas cenas finais de O Agente Secreto insinua paradoxos que oferecem pistas formidáveis para a identificação do enigma que nós somos -nós, o formigueiro magnífico cravado nos trópicos. Nomear o enigma, acercar-se dele, não significa desvendá-lo, mas talvez nos deixe mais perto do cão sem plumas e do coração selvagem das coisas que perdemos no fogo. Perto o suficiente para impedir que continuemos a negar sua existência. Perto o bastante pra sentir o cheiro de enxofre e queimar as pontas dos dedos. O incêndio guardado na caixinha de música da vovó é a mais poderosa arma de destruição em massa -como o cinema feroz e delicado, arrebatador e rigoroso, popular e sofisticadíssimo de Kleber Mendonça. Afinal, se nosso país é capaz desse filme, é perfeitamente capaz de salvar-se do enredo medíocre e decadente em que se meteu. Continue lendo “O Agente Secreto: Pra não morrer na praia. Por Luiz Eduardo Soares”

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