Falta uma peça no quebra-cabeças que permitirá tornar o país independente das big techs. Mais de 90% dos investimentos em TI não são feitos pelo Estado. Poderiam estimular um setor tecnológico nacional vibrante. Por interesses, e falta de políticas, alimentam e prolongam a dependência
Por James Görgen, em Outras Palavras
Muito se tem escrito e falado sobre a relação entre Estados nacionais, e suas estruturas de serviços digitais e autoridades regulatórias, e as empresas de tecnologia estrangeiras conhecidas como big techs. Discute-se a famosa nuvem soberana, localização de dados, aplicações de inteligência artificial e governo eletrônico. Faz sentido estudar muito este segmento, uma vez que envolve bilhões de reais em recursos públicos que saem do bolso do contribuinte. Essa lente, mais que necessária, não é suficiente para entender o fenômeno da soberania digital de forma integral. Ela obscurece uma ecologia densa de atores intermediários — telcos, fintechs, agrotechs, edtechs, bancos públicos e privados, cooperativas de dados e consórcios empresariais — que ocupam posições estratégicas na infraestrutura digital e nos serviços de tecnologia da informação do país. Continue lendo “Soberania Digital: o papel esquecido das empresas privadas”