A imprensa como ideologia. Por Luiz Marques

A neutralidade da imprensa é a mais eficaz das ideologias: faz o golpe parecer democracia e o genocídio, conflito

Em A Terra é Redonda

1.

Que entendimento de democracia desenvolve a mídia corporativa? Resposta: a de que a democracia é um sistema político onde se desenrola um permanente confronto de opiniões. A definição não faz distinção entre os pontos de vista, o que abre a janela às fake news magnificadas por robôs para manipular os receptores das mensagens. O objetivo é orientar a opção dos consumidores e a tendência dos eleitores para formatar o gosto dos brasileiros.

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Sigilo Supremo: sob Toffoli, ação contra mineração ilegal em Minas tem futuro incerto

Servidores temem impunidade e denunciam relações de ex-secretária de Meio Ambiente; investigados foram soltos

Por Leandro Aguiar | Edição: Bruno Fonseca, Agência Pública

Em setembro de 2025, quando foi deflagrada a Operação Rejeito – que mirava um grupo de empresários da mineração e membros do alto escalão do governo de Minas Gerais e do governo federal suspeitos de crimes ambientais, corrupção e lavagem de dinheiro -, Wallace Alves, presidente do Sindicato dos Servidores Estaduais do Meio Ambiente de MG (Sindsema), pensou: “a gente não estava doido”.

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INSS perdeu 56% dos servidores e lida com onda de burnout enquanto fila de pedidos explode

Em 20 anos, órgão já perdeu 24 mil postos de trabalho, enquanto fila de novos pedidos já ultrapassa 3 milhões

Por Rafael Oliveira | Edição: Ed Wanderley, Agência Pública

Miucha Cicaroni, 47, vinha empurrando com a barriga os sintomas. O ritmo de trabalho intenso e a pressão por metas continuavam causando ansiedade. Ela já havia sofrido um burnout, um esgotamento extremo devido à realidade do trabalho, anos antes, em 2021. Era setembro de 2025 e ela, que atuava justamente na concessão de benefícios como o auxílio-doença a quem precisa se afastar do trabalho, percebeu que era a hora de parar. Buscou um médico, que confirmou o diagnóstico: um novo burnout.

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MPF vai investigar disseminação de conteúdos que incitam violência contra a mulher em redes sociais

Investigação mira a trend “quando ela diz não”, que utiliza humor para naturalizar agressões físicas e incitar o feminicídio

Procuradoria-Geral da República

A Procuradoria Federal dos Direitos do Cidadão (PFDC), órgão do Ministério Público Federal (MPF), determinou, nesta terça-feira (10), a abertura de procedimentos investigatórios para apurar a propagação de conteúdos que incentivam a violência contra a mulher em plataformas digitais. O foco da investigação é a trend denominada “uppercut meme – when she says no (quando ela diz não)”, que associa a recusa feminina em interações afetivas ou sexuais a reações violentas. A iniciativa, formalizada por meio de despacho, busca apurar a responsabilidade de criadores, plataformas e usuários envolvidos na naturalização da violência contra a mulher e na incitação ao feminicídio.

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Até quando o governo sustentará os novos manicômios?

Financiamento de Comunidades Terapêuticas é decisão do núcleo político do governo – vide reuniões de Gleisi com seus representantes. Grande erro: além de ir contra os princípios do SUS, fortalecê-las amplia o poder de setores conservadores

Por Thessa Guimarães, em Outra Saúde

O governo federal encontra-se hoje em uma encruzilhada sobre o futuro da política brasileira de saúde mental: manter ou retirar as Comunidades Terapêuticas (CTs) do arranjo institucional da Rede de Atenção Psicossocial (RAPS), bem como do Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde (CNES). Continue lendo “Até quando o governo sustentará os novos manicômios?”

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PIB de 2,3%: o “ajuste fiscal” sabota Lula. Por Paulo Kliass

Como em mandatos anteriores, esperavam-se ações robustas neste ano eleitoral. Cenário se complica com a projeção fraca do PIB para 2026 – muito distante da meta de 5%. Não é acidente, mas um projeto gestado no ministério da Fazenda

Em Outras Palavras

O presidente Lula iniciou o último ano deste seu terceiro mandato com grandes dificuldades na seara política e no campo eleitoral. Praticamente todas as pesquisas de opinião divulgadas em 2026 apontam para uma continuidade de altos índices de desaprovação de seu governo e com o crescimento das intenções de voto no candidato da extrema direita, Flávio Bolsonaro. Estamos a menos de sete meses do primeiro turno das eleições gerais e presidenciais, envolvidos em um quadro de adversidades para superar a complexa realidade apresentada pelas pesquisas e pelas vozes das ruas. Continue lendo “PIB de 2,3%: o “ajuste fiscal” sabota Lula. Por Paulo Kliass”

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Superar monotonia alimentar não é volta ao passado

Lutar pela diversidade, enfrentando o uso indiscriminado de ultraprocessados e antibióticos em animais, e a concentração produtiva, seria romântico? Por que alguns pesquisadores ignoram avanços científicos que podem superar o modelo predatório?

Por Ricardo Abramovay e Arilson Favareto, em Outras Palavras

É impressionante o volume e a importância das publicações vindas de revistas científicas, de organizações multilaterais (públicas e privadas) ou de movimentos sociais sobre a ameaça representada pela gigantesca concentração da oferta agroalimentar global em alguns poucos produtos. Em dezembro de 2023, o Fórum Econômico Mundial lançou um relatório devastador denunciando não só os prejuízos dos ultraprocessados à saúde humana, mas propondo que as políticas agrícolas modernas devem se pautar menos pelo empenho em aumentar a oferta do que pelo estímulo a práticas produtivas regenerativas. O trabalho mostra que os custos ocultos do sistema agroalimentar (ou seja, os prejuízos que ele traz à saúde humana e aos serviços ecossistêmicos pelos quais as empresas nada pagam) superam tudo o que o mundo gasta para comer. Continue lendo “Superar monotonia alimentar não é volta ao passado”

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Educação: o nó estrutural do magistério no Brasil

Ensino brasileiro consolidou-se como um sistema abrangente – mas estruturalmente desigual. Gargalo central é a carreira docente, com remunerações incompatíveis e condições que adoecem e afastam da profissão. Por que sua valorização é sempre adiada?

Por Celso Pinto de Melo, em Outras Palavras

“A equidade não é um efeito colateral da excelência educacional;
é o seu ponto de partida.”
– Pasi Sahlberg [1]

Universalização sem direito à aprendizagem

O Brasil universalizou o acesso à escola ao longo das últimas décadas, especialmente a partir da expansão do ensino fundamental nos anos 1990. Mas não universalizou o direito efetivo à aprendizagem. Construiu-se um sistema formalmente abrangente, porém estruturalmente desigual em resultados, permanência escolar e trajetórias pós-escolares [2-4]. Continue lendo “Educação: o nó estrutural do magistério no Brasil”

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Soberania Digital: o papel esquecido das empresas privadas

Falta uma peça no quebra-cabeças que permitirá tornar o país independente das big techs. Mais de 90% dos investimentos em TI não são feitos pelo Estado. Poderiam estimular um setor tecnológico nacional vibrante. Por interesses, e falta de políticas, alimentam e prolongam a dependência

Por James Görgen, em Outras Palavras

Muito se tem escrito e falado sobre a relação entre Estados nacionais, e suas estruturas de serviços digitais e autoridades regulatórias, e as empresas de tecnologia estrangeiras conhecidas como big techs. Discute-se a famosa nuvem soberana, localização de dados, aplicações de inteligência artificial e governo eletrônico. Faz sentido estudar muito este segmento, uma vez que envolve bilhões de reais em recursos públicos que saem do bolso do contribuinte. Essa lente, mais que necessária, não é suficiente para entender o fenômeno da soberania digital de forma integral. Ela obscurece uma ecologia densa de atores intermediários — telcos, fintechs, agrotechs, edtechs, bancos públicos e privados, cooperativas de dados e consórcios empresariais — que ocupam posições estratégicas na infraestrutura digital e nos serviços de tecnologia da informação do país. Continue lendo “Soberania Digital: o papel esquecido das empresas privadas”

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A “transição energética” nas mãos dos rentistas

Como grandes empresas e fundos de investimento dominaram os parques eólicos e solares no Brasil. A colaboração do Estado para a captura. Efeitos: caos elétrico, tarifas abusivas e, pior, devastação, roubo de terras e expulsão de comunidades

Por Bruno Barcella, em Outras Palavras

No artigo “A ‘COP da Verdade’ e a ficção das finanças verdes”, publicado nesta revista em um momento particularmente importante, às vésperas da realização da COP em Belém do Pará, a pesquisadora Isadora Cruxên foi certeira e provocativa ao tensionar os fundamentos da chamada agenda das finanças verdes no Brasil. Ao examinar o caso do saneamento básico, a autora mostrou como a sustentabilidade vem sendo progressivamente reconfigurada sob a lógica da financeirização. Por trás do marketing “verde” e das debêntures subsidiadas, argumenta o texto, há uma escolha política clara: transformar direitos e políticas públicas em ativos rentáveis. Continue lendo “A “transição energética” nas mãos dos rentistas”

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