Segredo, classe, violência e o consumo dos corpos das meninas
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Por Joana Monteleone | Edição: Mariama Correia, Agência Pública
No final do século XIX, em Londres, circulava discretamente uma revista erótica intitulada The Pearl. Não era vendida em bancas nem destinada ao grande público. Impressa em tiragem reduzida, distribuída por assinatura, lida em círculos restritos, fazia parte de uma sociabilidade masculina que combinava curiosidade literária, transgressão e distinção. Figuras como Richard Francis Burton — explorador, tradutor de textos eróticos orientais, frequentador de clubes privados — orbitavam esse universo onde o erotismo não era apenas consumo, mas marcador de pertencimento. O valor não estava apenas no conteúdo, mas no acesso. Ler o que poucos podiam ler era um privilégio. Compartilhar o que não podia circular publicamente produzia cumplicidade. Continue lendo “Epstein e a pedofilia como mercadoria de luxo da elite global”










