Falta de creche universal, licença ampliada ou rede de apoio afastam milhões de mães do mercado de trabalho e precarizam trabalho doméstico. O que sai mais caro: financiar políticas públicas ou a renda perdida, o aumento da informalidade e as crianças sem cuidado?
Por Cynthia Freitas, em Outras Palavras
Quando uma mulher recalcula o orçamento da família depois que o filho nasce, há uma conta que não cabe na planilha: a do tempo. Uma criança pequena pede entre dez e doze horas de presença adulta por dia, todos os dias, sem pausa de fim de semana, sem férias coletivas, sem feriado prolongado. Esse trabalho existe, é medido por estatísticas oficiais e move parte significativa da economia brasileira. Mas continua tratado como problema privado, resolvido na cozinha de cada casa, à custa da renda, da carreira e da saúde mental de quem assume o turno.
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