Em Nova Orleans, vodu feito com um boneco de agente do ICE expressa a ira dos perseguidos. Na Itália, um ex-ministro de ultradireita teme o pai – feiticeiro – de uma política negra que insultou. Por que, após séculos de perseguições, certas práticas espirituais continuam vivas?
Por Fabiane Albuquerque, em Outras Palavras
Brujería (Feitiçaria, 2023) é um filme de Christopher Murray que se passa na Ilha de Chiloé, no Chile, no final do século XIX, e mostra a feitiçaria usada como resistência e luta contra os colonizadores alemães. A protagonista, Rosa Raín, busca justiça após o assassinato do pai e se envolve com a sociedade secreta de feiticeiros chamada La Recta Provincia, que existiu de fato na história chilena. Ao descobrir seus poderes e presenciar aqueles do seu povo, ela e o grupo passam a ser perseguidos e presos. É um filme que mistura drama histórico com realismo mágico, trazendo a espiritualidade indígena como arma política e cultural descolonial (processo histórico de superação do colonialismo formal. Os poderes invocados, além de causar medo, provocavam a ira dos alemães que, embora não acreditassem no que chamavam de “crenças primitivas”, mantinham sob controle os povos originários e suas práticas. E, em muitas situações, até solicitavam os “serviços” espirituais dos nativos para resolveram os próprios problemas. (mais…)





