Para escancarar a misoginia das ditaduras

Regimes militares na América Latina atingiram particularmente as mulheres. Estupros em massa, gravidezes forçadas, esterilizações e servidão sexual foram usados para disciplinamento social. Muitas calaram sobre o que viveram, por medo de represálias e do descrédito

Por Claudia Bacci*, para a coluna da Biblioteca Virtual do Pensamento Social
Edição: Maurício Ayer (TEL/UnB), Projeto Caminho de Formiga.

A elaboração de memórias coletivas dolorosas na América Latina se reativa a cada aniversário dos golpes de Estado e dos conflitos armados que atravessaram a região nas décadas de 1960 a 1980. No Cone Sul, esses marcos recentes incluem os 60 anos do golpe no Brasil (1964-1985), os 50 anos dos golpes no Chile (1973-1990) e no Uruguai (1973-1985), e neste ano, os 50 anos do golpe na Argentina (1976-1983). Os regimes de terror político-social e de espoliação econômica impostos pelas ditaduras militares –com ativa participação de setores civis– deixaram marcas profundas em nossas sociedades e continuam produzindo disputas públicas. No que segue, vou apresentar um dos nós do passado ditatorial na região: a violência de gênero no tratamento dos crimes das ditaduras.

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Saneamento: Recalcular o planejamento territorial

Especulação viola e se apropria do Estatuto das Cidades. E camadas sociais empobrecidas submetem-se à “ilegalidade estratégica”, sob ameaça perpétua. Estrutural, a crise urbana não será revertida com pequenas reformas. Reflexões a partir da tragédia de Juiz de Fora

Por Ricardo de Sousa Moretti*, em Outras Palavras

Dias desses, depois de uma viagem a Minas Gerais que teve que ser totalmente replanejada, fiquei a pensar sobre o planejamento e suas fragilidades, sobre a necessidade de incorporar nas suas dinâmicas o ato de replanejar. Sobre a necessidade de aceitar e acolher com serenidade as mudanças de planos, como parte intrínseca do planejamento. A necessidade de repensar o planejamento ficou acentuada pela tragédia ocorrida em Juiz de Fora e Zona da Mata, com dezenas de mortos e dramas humanos de várias naturezas, com problemas que foram agravados pela forma inadequada como se deu e tem se dado a expansão urbana nas nossas cidades.

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O corpo como sentença: a fogueira contra Erika Hilton

Ela não é mulher – tem pênis! A agressão à parlamentar, pela suposta ausência de um órgão definidor do seu ser, reitera um dos elementos estruturantes da misoginia: definir a mulher pela vagina. Aqui, machismo e transfobia, mais uma vez, caminham juntos

Por Berenice Bento*, em Outras Palavras

Desconheço um momento em nossa história em que uma pessoa trans tenha sido vítima de tamanha violência simbólica como a deputada federal Erika Hilton. O jornalista, com ares de dono da verdade, diz: “Ela não é uma mulher. Não tem útero. Não tem vagina. Não procria.” O apresentador falastrão repete. O cientista político, usando seu título de doutor, reitera. A deputada estadual teatraliza e potencializa a violência. Do doutor ao apresentador sem formação acadêmica, todos atearam fogo na imensa fogueira pública contra a deputada. Quando nos movemos em debates morais, esqueçam da formação acadêmica, da classe social e outros marcadores sociais. As questões morais atravessam transversalmente as relações sociais e borram fronteiras entre direita e esquerda.

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Como Flávio Bolsonaro quer trazer guerra de Trump ao Brasil

No afã de voltar ao poder, ultradireita submete-se ainda mais a Washington. Tentativa de classificar PCC como “terrorista” obedece à Doutrina Donroe. Há um antídoto: defender soberania, em diálogo com a rejeição cada vez maior das maiorias aos EUA

Por Almir Felitte*, em Outras Palavras

À medida em que as eleições gerais brasileiras se aproximam, algumas dúvidas vão se consolidando como certezas. Se há algum tempo já era fato que a disputa se daria entre Lula e algum nome que substituísse o encarcerado Jair Bolsonaro representando a extrema-direita, hoje, já se pode dar quase como certo que este nome será o de seu filho Flávio.

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Data centers: a nova face da dependência brasileira. Entrevista especial com Vinícius Sousa de Oliveira

Soberania e desenvolvimento digital e econômico do Brasil dependem de alternativas que enfrentem a dependência das multinacionais, afirma o pesquisador

Por: Patricia Fachin, em IHU

Se a influência das big techs está em evidência no processo eleitoral que se aproxima, a atuação dos grandes fundos de financiamento internacional no Brasil nem sempre recebe a mesma atenção no debate público. No entanto, por meio da atuação deles, está em curso “um processo de operacionalização do território nacional” a partir da expansão dos data centers, fundamentais para a manutenção dos serviços digitais, pontua Vinícius Sousa de Oliveira.

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STF derruba lei da grilagem no TO e MST celebra vitória na Feira da Reforma Agrária

O STF derrubou uma lei do Tocantins que permitia a apropriação de terras públicas. A decisão foi celebrada pelo MST como vitória na luta pela Reforma Agrária

Por Carol Azevedo e Elian Matos, da Página do MST

Na última sexta-feira, 27 de março de 2026, o Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu, por unanimidade, pela inconstitucionalidade da Lei Estadual nº 3.525, de 8 de agosto de 2019, do Estado do Tocantins. A decisão ocorreu no julgamento da Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) 7550, que contesta normas que permitiam a regularização de terras públicas por meio de títulos paroquiais.

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Lançamento do livro “Rebeldia Camponesa: reforma agrária e agroecologia no Brasil”

A publicação é realizada pela Rede Social de Justiça e Direitos Humanos e a Via Campesina, em parceria com a Comissão Pastoral da Terra, o MST e Clacso, e terá lançamento online nesta segunda, 30 de março, às 16h

CPT

O livro “Rebeldia Camponesa: reforma agrária e agroecologia no Brasil” retrata as conquistas obtidas pelas comunidades quilombolas e assentamentos rurais face aos esforços para silenciar a rebeldia camponesa no Brasil. As questões agrárias e ambientais persistem e exigem uma organização constante na luta pela reforma agrária e a agroecologia para a garantia de direitos.

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Mulheres que Curam: indígenas Apurinã lançam cartilha de medicina ancestral

Mais de 100 mulheres Apurinã do polo-base Tumiã, em Lábrea (AM), reúnem saberes sobre plantas medicinais da floresta e lançam a cartilha Sytuwakuru: Mulheres que Curam

Por Daniel Lima, do Cimi Regional Norte 1 – equipe Lábrea

No dia 19 de março de 2026, mês dedicado às mulheres e às suas lutas, a aldeia Morada Nova, localizada na Terra Indígena Acimã, em Lábrea (AM), foi cenário de um momento histórico para o povo Apurinã: o lançamento da cartilha Sytuwakuru: Mulheres que Curam. O evento reuniu mulheres de diversas aldeias e territórios que integram o polo-base Tumiã, celebrando não apenas a conclusão de um trabalho coletivo, mas também a força, a resistência e a sabedoria das mulheres indígenas.

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Assentamento do MST em Campos terá agroindústria para produção de alimentos

Nova unidade fabril terá capacidade para processar frutas em polpas e geleias, além de beneficiar tubérculos como aipim e batata-doce

MST

O assentamento Zumbi dos Palmares, localizado em Campos dos Goytacazes, deu início nesta semana ao projeto Campo-Cidade. A iniciativa, realizada pela Escola Estadual de Formação e Capacitação à Reforma Agrária (Esef) em parceria com a Petrobras, prevê a construção de uma agroindústria de beneficiamento de frutas e centros de capacitação em economia solidária e agroecologia na região Norte Fluminense.

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Líder indígena morto na ditadura, Marçal Tupã é anistiado 43 anos após sua morte

Marçal Souza Tupã-Y, da etnia Guarani-Kaiowá, foi assassinado em 1983

Agência Brasil

A Comissão de Anistia declarou anistiado nesta sexta-feira (27), post-mortem, Marçal Souza Tupã-Y, renomado líder indígena brasileiro da etnia Guarani-Kaiowá. A decisão unânime dos conselheiros da Comissão de Anistia ocorre 43 anos após o assassinato do indígena, ocorrido em 25 de novembro de 1983. 

A anistia política post mortem foi concedida com base na lei que repara pessoas atingidas por atos de exceção com motivação política entre 1946 e 1988.

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