Brasil: O que une os ricos decadentes e os pobres ressentidos. Por Paulo Gracino Junior

Análise sobre um ponto cego do debate recente sobre economia, voto e antipetismo. Quem está por cima vê ameaça a seu status. O precarizado quer subir. A direita os une. O elevador social não precisa descer para que alguém experimente a sensação de queda

Em Outras Palavras

No início dos anos 1990, Jorge Aragão lançou Identidade, samba que começava com os seguintes versos:

Elevador é quase um templo
Exemplo pra minar teu sono
Sai desse compromisso
Não vai no de serviço
Se o social tem dono, não vai

Era, antes de tudo, uma canção sobre racismo e identidade negra, mas a imagem do elevador captava algo mais amplo sobre a sociedade brasileira: lugares não servem apenas para acomodar pessoas; também dizem quem pode estar onde, ao lado de quem e em que condições. Mais de três décadas depois, parte daquilo que a canção reivindicava foi alcançada, sem que as hierarquias denunciadas por Aragão tenham desaparecido. Universidades se expandiram, o transporte aéreo se popularizou, direitos do trabalho doméstico foram ampliados e grupos historicamente mantidos em posições subalternizadas conquistaram maior presença e reconhecimento em espaços antes muito mais fechados. Em alguma medida, o elevador começou a parar em andares onde antes não parava.

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Assim se encara a ultradireita. Por Antonio Martins

Multidões saem às ruas e se engajam nas redes, desfazendo o mito de que é difícil mobilizar as maiorias. Bolsonarismo acena com corte radical nos serviços públicos, mas recua. Lula ainda resiste a reconquistar quem se decepcionou com governo

Por Antonio Martins, em Outras Palavras

A centelha foi lançada em Niterói na segunda-feira (5/10), ainda na ressaca do resultado de domingo. Alguém propôs aos estudantes da Universidade Federal Fluminense (UFF) tirar o nó na garganta gritando nas ruas contra as ameaças do “neo”-fascismo à democracia e à própria ideia de Brasil. Faltam registros escritos (oh, ditadura das imagens!), mas no vídeo uma voz feminina e jovem cumpre, em menos de um minuto, o que faltou a Lula 3, ao longo de quase quatro anos. Convida a lutar por uma pauta clara e popular: o fim da jornada 6×1, um orçamento digno para a Educação, “para o bandejão, para os nossos cursos”. Ressalta a submissão de Flávio a Trump. Conclui: “ser jovem é ser antifascista, é lutar pelo poder do povo”.

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Eleições 2026: a ascensão da extrema-direita ameaça a Constituição. Entrevista especial com Robson Sávio

“O desafio central deste 2º turno é discutir se o Brasil aprofundará o projeto constitucional de 1988 ou se caminhará para uma redefinição desse pacto em direção a um Estado mínimo”, alerta o pesquisador

IHU

Por pouco menos de 3%, o bolsonarismo não triunfou neste 1º turno. Flávio Bolsonaro está um passo à frente de Lula, que precisa insurgir, voltando a inspirar quem está indeciso para uma possível reeleição, manutenção da democracia (em construção) e da própria Constituição de 1988. Mais do que prometer o mesmo, o petista precisa urgentemente projetar novos futuros em diálogo com a prosperidade que o povo deseja.

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Tribunal do Trabalho da 8ª Região decide pela continuidade da ação de trabalhador contra a Volkswagen por trabalho escravo no Pará

Decisão da 1ª Turma avança e permite que Justiça do Trabalho examine em breve o mérito de denúncia sobre violações ocorridas há cerca de quatro décadas na Fazenda Vale do Rio Cristalino

CPT Regional Pará

A 1ª Turma do Tribunal Regional do Trabalho da 8ª Região (TRT-8), em Belém, deu nesta quinta-feira um passo considerado decisivo para a continuidade de uma das ações movida por um dos trabalhadores contra a Volkswagen do Brasil por trabalho escravo. Neste novo passo, a maioria  decidiu que a denúncia não prescreve e que as violações ocorridas na antiga Fazenda Vale do Rio Cristalino, no sul do Pará, durante as décadas de 1970 e 1980, devem ir a julgamento. Em primeira instância, a empresa foi condenada a reparar o trabalhador com indenização de R$ 2 milhões.

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MPF destaca caráter estrutural de processo sobre população em situação de rua e aponta omissões da prefeitura do Rio

Para órgão, acordo da prefeitura com o MPRJ não garante implementação do comitê de monitoramento e nem prevê metas efetivas

MPF

O Ministério Público Federal (MPF) defendeu, em nova manifestação apresentada à Justiça Federal, a continuidade da ação civil pública que busca garantir a implementação efetiva de políticas públicas para a população em situação de rua no município do Rio de Janeiro (RJ). Para o MPF, o termo de ajustamento de conduta (TAC) firmado em 2026 entre o município e o Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ) não é suficiente para solucionar as violações de direitos discutidas no processo nem justifica o encerramento da ação.

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Compreender o antipetismo e (re)começar. Por Rodrigo de Faria

No A Terra é Redonda

A derrota de 4 de outubro de 2026 é o fim da República de 1988 e do lulopetismo, exigindo inflexão radical e reconstrução do campo progressista sem dependência messiânica

1.

O dia 4 de outubro de 2026 precisa ser entendido como fim. Mais que o fim de uma era na qual Lula foi um protagonista como poucos, certamente o fim da República falida na qual estamos desde a Constituição de 1988. Este dia será lembrado e analisado como o fatídico dia no qual, pelo voto, a população brasileira legitimou políticos e partidos fascistas.

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MPF questiona dados sobre abordagens no programa Tolerância Zero no Rio

Prefeitura apresentou à Justiça apenas números brutos e omitiu registros sobre grupos vulneráveis, apreensões e autos de infração

Procuradoria da República no Rio de Janeiro

O Ministério Público Federal (MPF) relatou à Justiça Federal que o município do Rio de Janeiro não cumpriu integralmente a determinação judicial de apresentar informações detalhadas sobre a execução das operações de fiscalização no programa Tolerância Zero.

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Precisamos ser mais do que os fiadores da agonia. Por Isadora Szklo

No blog da boitempo

Recentemente, precisei passar por uma pequena cirurgia odontológica não coberta pelo plano e me choquei com os orçamentos recebidos. A cirurgia é rotineira, mas os valores ultrapassavam completamente minhas possibilidades de gasto. Descobri uma clínica-escola com valor acessível e optei por fazer lá, mesmo não me sentindo segura no ambiente. O dia da cirurgia foi marcado por uma série de pequenas violências médicas e eu, aos 34 anos, boquiaberta e deitada na cadeira do dentista, me senti fracassada por não poder pagar por uma experiência melhor para algo tão simples.

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Cerrado brasileiro perdeu 13,9 milhões de hectares de margens de rios

Área desmatada equivale ao território do estado do Acre

Fabíola Sinimbú – Repórter da Agência Brasil

O bioma Cerrado perdeu 13,9 milhões de hectares de vegetação nativa, localizadas em até 500 metros de rios e outros cursos de água, entre os anos de 1985 e 2025. Equivalente ao estado do Amapá em tamanho, a área representa mais de um quarto, 26,9%, de toda a cobertura verde convertida em outros usos no período.

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Regra de 1968, ano do AI-5, embasa exonerações de professoras na rede estadual paulista

Três docentes contestam exonerações na justiça e uma delas morreu antes de reaver cargo

Por Camila Borges, Agência Pública

Em janeiro deste ano, Veruschka de Sales Azevedo passou pouco mais de uma hora contando à Agência Pública como perdera o cargo de professora na rede estadual de ensino de São Paulo. Ela chorou algumas vezes durante o encontro que foi finalizado com certa esperança: “O meu retorno será triunfante”, disse. Enquanto aguardava o desfecho do seu caso, ela organizava um livro com relatos de professores também investigados por meio de Processos Administrativos Disciplinares (PAD) na Secretaria de Educação de São Paulo (SEDUC). “A gente precisa registrar isso em tudo quanto é lugar.” Doutora em história, Veruschka tinha 24 anos de magistério, cerca de vinte deles na mesma escola de Guarulhos onde estudara antes de ser exonerada em maio de 2024 num PAD que se iniciou em 2017. Entre a abertura do processo e a exoneração, passaram-se sete anos e seis meses.

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