Minerais críticos: O neocolonialismo ronda o Brasil. Por Reinaldo Dias*

Corporações avançam sobre recursos naturais brasileiros cruciais e devastam territórios. Casos em Goiás e Vale do Jequitinhonha são emblemáticos. País aceitará novo ciclo de dependência e extrativismo? Como construir políticas soberanas e resgatar a indústria nacional

Em Outras Palavras

A disputa pelos chamados minerais críticos tornou-se um dos eixos centrais da geopolítica contemporânea. A transição energética, apresentada ao mundo como resposta à emergência climática, depende de um conjunto de matérias-primas sem as quais não há carro elétrico, turbina eólica, painel solar ou data center. Lítio, terras raras, nióbio, grafita, níquel e cobre passaram a ocupar, nas estratégias de segurança das grandes potências, o lugar que o petróleo ocupou ao longo do século XX. E, como ocorreu com o petróleo, a corrida por esses recursos vem acompanhada de pressões, ameaças e ingerências sobre os países que os possuem.

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Eleições e a ameaça do bolsonarismo  adaptável. Por Edgar Silva dos Anjos

As últimas pesquisas mostram que o desgaste de Flávio Bolsonaro resistiu ao atrito de escândalos e confirma base consolidada. Poderia um herdeiro político sem o “carisma disruptivo” do pai mostrar-se ainda ajustável a grande mídia e empresariado?

Em Outras Palavras

Quando escrevi, em abril, que o perigo não estava na repetição de Bolsonaro, mas em sua capacidade de adaptação, tratava-se de uma hipótese sobre um processo que ainda se anunciava mais do que se mostrava e que dependeria do tempo da campanha para adquirir materialidade. Esse teste veio de forma particularmente dura. Foram precisamente os meses que separam aquele texto deste que acumularam sobre a candidatura de Flávio Bolsonaro um volume de desgaste que, em outra configuração do eleitorado, provavelmente produziria uma queda mais profunda e duradoura. O áudio divulgado pelo Intercept, no qual o senador aparece solicitando recursos ao dono do Banco Master para financiar o filme sobre o pai, o rompimento público de Michelle Bolsonaro, em vídeos nos quais denunciou grosserias e seu afastamento das decisões, o tarifaço que se seguiu aos acenos a Washington, o constrangimento da visita de Milei ao Brasil para declarar apoio: tudo isso se concentrou num intervalo curto e se ofereceu ao noticiário como a crônica de uma derrocada anunciada. A derrocada, no entanto, não veio.

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Um decálogo para soberania digital

Em um momento decisivo do processo eleitoral, encontro nesta quarta-feira (26/8) lança um programa para a autonomia tecnológica do país, em busca do compromisso de candidatos. Evento reunirá lideranças políticas, hackers, pesquisadores, ativistas e movimentos sociais

Por Rede pela Soberania Digital

O digital já organiza o trabalho, a educação, a comunicação, os serviços públicos e a própria democracia. Dos minerais críticos para equipamentos, planejamento energético sustentável, o letramento e acesso digital às plataformas e inteligência artificial, quais candidatos afirmarão compromisso em superar a dependência externa e colocar o desenvolvimento tecnológico a serviço das pessoas e do bem comum?

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Os caminhos para a reeleição de Lula. Por Paulo Kliass*

A seis semanas do páreo, a campanha do presidente está morna. Faltam propostas arrojadas para enfrentar a precarização, o endividamento e as bets. E um pacto com a população: não alterar os pisos da Saúde e Educação nem desvincular a previdência do salário-mínimo

Em Outras Palavras

Faltam apenas seis semanas para o primeiro turno das eleições. A polarização entre as candidaturas de Lula e Flávio Bolsonaro permanece em alta, atuando como fator bastante inquietante para as forças políticas efetivamente preocupadas com o futuro da democracia no Brasil. Um dos aspectos que mais chamam a atenção é a dificuldade enfrentada pelo presidente da República em conseguir superar as barreiras para elevar os índices de aprovação de seu governo. Passados quase quatro anos do início de seu terceiro mandato, a incerteza a respeito dos resultados do pleito se mantém e a possibilidade de retorno da extrema direita ao Palácio do Planalto não pode mais ser descartada a priori.

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Daniel 2,1-49 na luta anti-imperialista: divino e humano são “carne e unha”. Por frei Gilvander Moreira[1]

Para o mês da Bíblia, setembro, em 2026, somos convidados/as a refletir sobre e a partir do livro de Daniel, um profeta apocalíptico que gera esperança onda a esperança está por um fio. Detenhamo-nos no grande projeto bíblico da estátua gigante de pés de barro do livro de Daniel, narrada em Daniel 2,1-49, que simboliza todos os sucessivos impérios opressores e exploradores, com seus poderes econômico, político e ideológico, na esperança de que ele nos inspire a assumir posturas e compromissos na militância pela construção de uma sociedade anti-imperialista, justa e solidária, diante dos atuais, grandes e brutais projetos do capitalismo, em sua fase neoliberal, neocolonial.

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Audiência Popular Impactos do Super El Niño no Amazonas: não dá para esperar secar para fazer o que precisa ser feito

Mais de 130 representações da sociedade civil do Amazonas traçam estratégias para enfrentamento do maior fenômeno de afetação das mudanças climáticas em 2026

Por Lígia Apel, do Cimi Regional Norte I

O Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) e suas parceiras, instituições de pesquisa e defesa hídrica brasileiras, confirmam a configuração do El Niño para os próximos meses em seu Boletim nº 2 sobre o Painel El Niño 2026-2027: “Os modelos indicam probabilidade de 100% de permanência do fenômeno até, pelo menos, o início de 2027, com alta probabilidade de ocorrência de um El Niño muito forte, quando as anomalias/desvios de Temperatura da Superfície do Mar (TSM) no Oceano Pacífico Equatorial poderão ficar acima de 2,0°C”. O alerta do Boletim indica que o fenômeno trará mudanças climáticas extremas para todo o continente.

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Nota Pública da APIB em defesa dos direitos originários e contra a indenização por terra nua como condição para a demarcação de terras indígenas

Na APIB

A Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (APIB), organização que representa os povos indígenas a nível nacional, formada por organizações indígenas de base de distintas regiões do país, vem a público reafirmar a posição histórica do movimento indígena brasileiro de que as terras tradicionalmente ocupadas pelos povos indígenas não são mercadorias e não podem ser tratadas como propriedade privada a ser comprada pelo Estado para, somente depois, serem reconhecidas e demarcadas. Somos contrários à transformação do pagamento de indenização por terra nua em regra, etapa obrigatória ou condição prévia para a efetivação dos direitos territoriais indígenas.

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Cultivar a terra é defender a vida e a soberania alimentar

A soberania alimentar começa em pequenos gestos: guardar sementes, cultivar um quintal produtivo, compartilhar mudas e incentivar outras pessoas a produzirem parte do que consomem

Por Maria da Conceição Cruz*, Le Monde Diplomatique Brasil

Defender a vida começa pela nossa família. É a partir desse princípio que compreendo a agroecologia e a soberania alimentar. Cuidar da terra, produzir alimentos saudáveis e compartilhar os conhecimentos que recebemos das gerações que vieram antes de nós são formas concretas de proteger a vida em todas as suas dimensões.

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Mulheres negras e a refundação da política brasileira

Reter, burlar ou repassar tardiamente recursos de campanha destinados a candidaturas negras constitui uma forma de violência política de raça e gênero, operada para perpetuar a política como feudo exclusivo da branquitude e do patriarcado 

Por Janira Sodré, no Le Monde Diplomatique Brasil

No dia 26 de agosto de 2026, a Articulação de Mulheres Negras Brasileiras lançará o Manifesto das Mulheres Negras Brasileiras pelo Pacto do bem Viver, em Brasília. A recente história pública do Brasil não pode ser narrada sem o protagonismo político das organizações de mulheres negras. Ao longo das últimas quatro décadas – do efervescente processo constituinte dos anos 1980 à consolidação das Marchas Nacionais de Mulheres Negras –, o movimento social articulado por esse corpo político coletivo transformou, de forma irreversível, a gramática do debate público nacional. Não se tratou de uma exigência para a inserção em uma estrutura dada, mas de um desvelar da natureza estrutural e estruturante do racismo e do patriarcado na formação do Estado nacional, refundando perspectivas críticas sobre soberania popular, participação social, transformações estruturais, amplificação da democracia, cidadania e os direitos humanos.  

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Meta usa influenciadores para direcionar debate sobre proteção a crianças nas redes

No Brasil, empresa promove ideia de que as suas ferramentas são melhor que leis que proíbam o acesso dos mais jovens

Por Aline Melo | Edição: Bruno Fonseca, Agência Pública

Uma investigação do Projeto de Transparência em Tecnologia (Tech Transparency Project, TTP, em inglês), centro de informação e pesquisa da organização sem fins lucrativos Campaign for Accountability (CfA), revela como a Meta vem mobilizando influenciadores, grupos de pais, organizações da sociedade civil e especialistas para promover seus próprios mecanismos de proteção infantil e influenciar o debate sobre novas leis de segurança digital em diferentes países, inclusive no Brasil.

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