Que Brasil emerge das cenas da 8ª Conferência?

Em documentário do encontro que marcou a Reforma Sanitária, há 40 anos, imagens de uma utopia conquistada. As faces da participação popular, os discursos históricos, as presenças insólitas… Como assistir a esse registro hoje, para pensar o SUS do amanhã?

Por Bruno Cesar Dias*, em Outra Saúde

A parteira Joana entoou uma cantiga que denunciou a miséria dos que morrem por não ter o comer frente à ganância dos que comem para morrer. Um insuspeito Waldir falou pausadamente da emoção constituinte como prenúncio de uma verdadeira revolução. O sindicalista Tenório defendeu a participação dos trabalhadores nas decisões do setor, enquanto a sanitarista Sonia evocou a afirmação da cidadania como estratégia de rompimento da desigualdade e afirmação da soberania. Das arquibancadas do Ginásio Nilson Nelson, em Brasília, homens e mulheres, que efusivamente respondiam, apoiavam ou criticavam a condução dos trabalhos da mesa, queriam ver suas propostas e lutas mudarem e transformarem um país. Eles sabiam que eram protagonistas do nascimento da participação da sociedade nos rumos das políticas de saúde. Acontecia, há 40 anos, a 8ª Conferência Nacional de Saúde (8ª CNS). 

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Gaza: Há luz no fim do túnel para o Ocidente?

Não haverá mais vida na Faixa – casas reconstruídas, escolas, hospitais –, porque Israel não pode tolerar a memória do que praticou. Igualmente brutais são a censura e o silêncio frente ao terror. Há redenção enquanto o sionismo existir?

Por Wolfgang Streeck*, em Outras Palavras

Livros utilizados pelo autor: Didier Fassin, Moral Abdication: How the World Failed to Stop the Destruction of Gaza, Londres, Verso, 2024, 128 pp. | Pankaj Mishra, The World After Gaza, Londres, Fern Press, 2025, 292 pp.

A destruição de Gaza, o extermínio da sua sociedade, terminará antes de ambos se completarem absolutamente? Não, se o governo de Israel, a maioria dos seus cidadãos e os Estados Unidos conseguirem o que querem. Israel nunca fará as pazes com o povo palestino, nem em Gaza, nem em Jerusalém, nem na Cisjordânia. Enquanto houver palestinos entre o rio e o mar, eles serão um obstáculo para Israel e a missão não estará cumprida.

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O paradoxo no mercado de trabalho brasileiro

Pesquisa revela distância entre estatísticas e sentimento da população. Maior ocupação não equivale a qualidade. Predomina a insegurança em relação ao futuro. Menor taxa de desemprego da série histórica coincide com recorde de informalidade – e tema será chave nas eleições

Por Erik Chiconelli Gomes, em Outras Palavras

O sentimento de quem vive do trabalho: entre a estatística e a experiência concreta

Os indicadores de mercado de trabalho costumam ser apresentados sob uma linguagem técnica que, ao traduzir vivencias humanas em percentuais e medias moveis, acaba por ocultar a dimensão mais concreta da relação entre pessoas e trabalho. A nona edição dos Indicadores de Qualidade do Trabalho da Sondagem de Mercado de Trabalho do FGV IBRE, divulgada em 16 de marco de 2026, traz dados que obrigam a uma leitura mais atenta. Segundo o levantamento, 53,6% dos entrevistados afirmam que conseguir trabalho no pais esta difícil ou muito difícil, ao passo que 34,3% projetam que a situação tenderá a piorar nos próximos seis meses. Não se trata, portanto, de um exercício abstrato de projeção macroeconômica, mas de uma percepção enraizada na experiência cotidiana de quem busca emprego, negocia salários e convive com a incerteza.

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Pobres, desindustrializados e desarmados – com orgulho

De Fernando Henrique a Fernando Haddad, país trocou a ideia de um projeto nacional pelo atendimento aos dogmas do mercado – em especial os “ajustes fiscais”. Resultados são pobreza, atraso, fragilidade militar, desindustrialização. A página tarda a ser virada

Por Manoel Casado*, em Outras Palavras

Demos para nos gabar de nossas profundas vulnerabilidades. Pressionados por um mundo cada vez mais ávido por nossas riquezas, mercado doméstico e localização estratégica, batemos no peito: não mexam conosco, ninguém é mais humilde que o Brasil. Essa parece ser a tônica adotada pelo presidente Lula e por parte de seus ministros, notadamente Fernando Haddad. Sair do Mapa da Fome, reiterar que não nos preparamos para guerra alguma e apostar sobretudo nas vantagens naturais do país são apresentados como grandes trunfos nacionais. Seria cômico, não fosse trágico.

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Direito à moradia e os tentáculos do neoliberalismo em tempos de emergência climática. Entrevista especial com Elenise Felzke Schonardie

Como as catástrofes devem ser enfrentadas de modo a combatermos as desigualdades causadas pelo capital, questiona a doutora em Ciências Sociais

Por: Luana de Oliveira, em IHU

O direito humano à moradia em locais com acesso público e qualidade de vida é algo longínquo na realidade de muitos brasileiros. Normalmente, populações periféricas, que deveriam ser vistas como centro, vivem à margem de uma sociedade capitalista que as afunda na lama, derrubando seus corpos em meio à emergência climática. A desigualdade pode ser acentuada de diversas formas. E, com os eventos extremos, fica claro quem mais sofre diante da catástrofe climática, em meio a um governo neoliberal que visa o lucro, a abandonar os grandes centros periféricos.

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MST realiza ocupações em áreas de monocultura e denuncia especulação imobiliária na Grande João Pessoa

Ação na Grande João Pessoa integra Jornada Nacional das Mulheres Sem Terra e pressiona por destinação de áreas improdutivas

Por Carla Batista, da Página do MST

Na madrugada do último domingo (22), cerca de 300 famílias mobilizadas pelo Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra realizaram ocupações em duas áreas na Grande João Pessoa. As ações ocorreram em uma área de Gramame, na zona sul da capital paraibana, e no município do Conde, às margens da BR-101, e fazem parte da Jornada Nacional das Mulheres Sem Terra, mobilização anual que articula reivindicações por Reforma Agrária Popular.

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Mulheres do Cerrado se reúnem no Oeste da Bahia e reafirmam: “Tudo é político quando você é mulher”

CPT

Entre os dias 20 e 22 de março, a Aldeia Kiriri, em Barreiras (BA), foi território de encontro, resistência e celebração. Mais de 120 mulheres de diferentes povos e comunidades participaram do 4º Encontro e Feira das Mulheres pelo Cerrado do Oeste da Bahia, realizado pela Articulação de Mulheres pelo Cerrado.

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Seminário que debate impactos de projetos hidroviários e da mineração sobre Pantanal e Cerrado acontece em Corumbá (MS) nos dias 26 e 27 de março

Organizado pela CPT no Mato Grosso do Sul, a articulação das CPT’s do Cerrado e a Diocese de Santa Cruz de Corumbá, o evento busca fomentar estratégias de fortalecimento dos povos e territórios frente aos megaprojetos

Por Comunicação Romaria Cerrado & Pantanal, em CPT

Nos dias 26 e 27 de março, Corumbá recebe o Seminário “Nas Águas Sagradas do Cerrado e Pantanal, Correm os Segredos Sagrados das Águas”, que acontece no Instituto Federal do Mato Grosso do Sul, Campus Corumbá – localizado na Rua Pedro de Medeiros, 941 – Popular Velha. O evento antecede a II Romaria do Cerrado e a I Romaria do Pantanal, que também serão realizadas em Corumbá entre os dias 03 e 06 de junho de 2026.

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Coordenação da Articulação das Pastorais do Campo se reúne em Brasília para definir prioridades de 2026

Pastorais traçam caminhos para fortalecer a unidade das pautas principais dos povos e comunidades tradicionais em relação aos direitos e à denúncia de violações

Por Cláudia Pereira | APC, no Cimi

A coordenação da Articulação das Pastorais do Campo (APC) realizou, no dia (17), sua primeira reunião presencial do ano na Casa Dom Luciano de Almeida, em Brasília (DF). O encontro teve como objetivo central avaliar as ações desenvolvidas em 2025 e consolidar a agenda institucional para os próximos meses, com objetivo no fortalecimento da unidade entre as pastorais e na resistência dos povos do campo, das florestas e das águas.

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Cimi denuncia na ONU escalada da violência contra os Pataxó após avanço na demarcação

Pronunciamento ocorreu nesta quarta-feira (25) durante 61ª Sessão do Conselho de Direitos Humanos, em Genebra, e lembrou alertas feitos pela própria ONU

No Cimi

Em pronunciamento nesta quarta-feira (25) na 61ª Sessão do Conselho de Direitos Humanos da ONU, em Genebra, o integrante da equipe internacional do Conselho Indigenista Missionário (Cimi), Paulo Lugon, expôs a grave situação do povo Pataxó no extremo sul da Bahia. A fala cruzou informações sobre a Terra Indígenas (TI) Comexatibá, as recentes prisões de lideranças, consideradas arbitrárias, fruto de criminalização, e o alerta feito pela relatora da ONU Mary Lawlor, que chamou a atenção da comunidade internacional para um cenário de racismo e criminalização da luta indígena no Brasil – com destaque ao extremo sul da Bahia.

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