Modalidade permitiu conciliar estudo e emprego, mas expôs precarização e criou o senso comum do “desinteresse escolar”. Sua crise ultrapassa limites do currículo. A escola do século XXI deve ir além de ampliar matrículas e reconstruir sentidos pertencimento
Por Roberto Rafael Dias da Silva*, em Outras Palavras
Poucos espaços educacionais revelam de forma tão explícita as contradições da democratização da educação brasileira quanto o ensino médio noturno. Historicamente associado às juventudes trabalhadoras, às trajetórias escolares interrompidas e às camadas populares urbanas, o noturno constituiu uma das principais estratégias de ampliação do acesso à escolarização no Brasil contemporâneo. Entretanto, sua expansão também tornou visíveis os limites de uma democratização frequentemente construída mais pela ampliação quantitativa das matrículas do que pela efetiva transformação das condições de permanência, aprendizagem e reconhecimento dos estudantes.
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