Eu não sou cinéfilo. Digo isso logo de início. Sem a armadura da análise técnica, terminei o filme em silêncio. Esse é o sinal mais honesto de que algo aconteceu naquelas duas horas e dezessete minutos.
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Frantz Omar Fanon nasceu em 1925 na Martinica, uma ilha caribenha que a França nunca tratou como país, apenas como território, e morreu de leucemia em 1961, num hospital militar nos Estados Unidos. Tinha apenas 36 anos, e partiu sem ver a independência que ajudou a construir. Psiquiatra, filósofo político, pan-africanista, marxista, ele deixou uma obra que influenciou movimentos de libertação na África do Sul, na Palestina, no Sri Lanka, nos Estados Unidos. Mas o que fez de Fanon uma figura singular não foi apenas o alcance geográfico das suas ideias, foi a precisão com que ele nomeou algo que outros descreviam apenas por fora: a colonização como violência psíquica, como deformação do sujeito, como projeto de fabricar seres humanos que aprendem a se enxergar pelos olhos de quem os oprime. Essa tese atravessa seus dois livros centrais, Pele negra, máscaras brancas, de 1952, e Os condenados da Terra, de 1961.
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