Inspirado na filosofia africana de Mogobe Ramose e pela história do Quilombo Mesquita, em Cidade Ocidental, Goiás, pesquisador defende que a pluridiversidade das comunidades quilombolas revela uma forma de existência fundada na ancestralidade, na reciprocidade e na multiplicidade das cosmopercepções
Por: Márcia Junges, em IHU
Os quilombos costumam ser compreendidos a partir da resistência histórica à escravidão e da luta permanente pela garantia de seus territórios. No entanto, essa leitura, embora fundamental, revela apenas parte da complexidade dessas comunidades. Na entrevista a seguir, Manoel Barbosa Neres, docente na Universidade de Brasília (UnB), propõe um deslocamento decisivo: compreender a experiência quilombola a partir da pluridiversidade, ou, em seus próprios termos, da pluriversalidade do ser. Inspirada pelo pensamento de Mogobe Ramose, essa perspectiva rompe com visões homogêneas da existência e afirma uma realidade constituída por múltiplas formas de vida, temporalidades, saberes e cosmopercepções que coexistem sem se reduzirem umas às outras.
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