Terras raras: Congresso pode votar retrocesso total

Estudo expõe perigos do projeto que institui Política de Minérios Críticos. Ele reforça a condição exportadora-primária do país, desprotege setor e cria categoria genérica de minerais estratégicos. Promove “festa de benefícios fiscais” e agrava riscos ambientais

Por Inesc

Os minerais críticos despontam como uma nova face do extrativismo em países do Sul Global, que se vale do discurso da sustentabilidade como propulsor de novos projetos e regulamentações. Trata-se de um conjunto de minérios com aplicação em determinadas cadeias produtivas associadas às indústrias da transição energética, do processamento intensivo de dados e da indústria bélica/militar, além de outros usos.

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Nancy Fraser: Gaza e o colapso do Ocidente

Genocídio substituirá Auschwitz, como símbolo máximo da barbárie. Em seu rastro, regimes liberais desmascaram-se, ao se perderam em repressão e racismo. Oxalá esta desconstrução possa, um dia, favorecer os palestinos e outra ordem mundial

Por Nancy Fraser, na New Left Review, em Outras Palavras

Os significados de Gaza continuam a se desdobrar. Relatórios eloquentes e bem documentados, como os da Relatora Especial da ONU para os Territórios Ocupados; obras cinematográficas aclamadas como A Voz de Hind Rajab (2025); poesias como Se Eu Tiver Que Morrer (2024), de Refaat Alareer; análises de historiadores palestinos como Rashid Khalidi e juristas como Rabea Eghbariah — todas essas peças e muitas outras abordaram a importância da investida em estilo terra arrasada de Israel, seus repetidos ataques a locais de distribuição de ajuda e “zonas seguras”, suas táticas de cerco e fome, seu deslocamento de milhões de palestinos para aqueles “desertos impensáveis de escombros, esgoto e corpos em decomposição” descritos pelo Relatora da ONU1.

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“Só falta a posse”: famílias celebram desapropriação após 14 anos de luta em Santa Catarina

Área da Fazenda Fontana foi destinada à reforma agrária por decreto assinado em março pelo presidente Lula

Por Gabriela Thomaz, da Página do MST

A história do pré-assentamento Egídio Brunetto começa ainda em outra região do estado. As 17 famílias que hoje vivem na área já estiveram acampadas em Major Vieira, no Planalto Norte, em uma área da União explorada há décadas por uma madeireira.

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“É essencial que a esquerda pare de julgar a classe trabalhadora que vota na direita.” Entrevista com Judith Butler

Apenas algumas horas após receber um doutorado honorário da UAB, essa importante voz da teoria feminista analisa as causas e possíveis soluções para a ascensão do totalitarismo

IHU

Judith Butler (Cleveland, Ohio, 1956) entra no saguão do hotel após uma longa caminhada matinal por Barcelona, ​​cidade que visita com frequência e onde acaba de receber um doutorado honoris causa da Universidade Autônoma de Barcelona (UAB). “O mundo é muito confuso, mas caminhar clareia a mente”, afirma. Uma das principais vozes da teoria feminista e da filosofia pós-materialista, Butler confessa que tem dificuldade em ser otimista. “Sou otimista por necessidade, embora seja verdade que não se deve abandonar a esperança nem deixar a realidade ter a última palavra”, declara, enquanto pondera sobre o que beber durante a entrevista ao elDiario.es.

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Nota Pública sobre o cerco imposto pelo Governo do Pará e as violações de direitos humanos no PA Maria da Glória

CPT

A Comissão Pastoral da Terra – Regional Pará, junto com outras organizações e movimentos populares, emitiram Nota Pública denunciando as violações de direitos humanos cometidas pelo governo do Estado do Pará contra cerca de mil famílias que ocupam, desde a sexta-feira (1º de maio), uma área de 4.869 hectares – terras conhecidas como “Fazenda Entre Rios” – que o governo federal pretende transformar no Assentamento Maria da Glória, no município de Marabá.

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CPT repudia violência no campo e se solidariza com vítimas em Itaetê, na Chapada Diamantina (BA)

CPT

A Comissão Pastoral da Terra manifesta total solidariedade à família vítima de grave atentado ocorrido na madrugada do dia 30 de abril de 2026, na Serra de Chapadinha, município de Itaetê, na Chapada Diamantina.

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Tem Virtude Um Programa de Bioeconomia? Por Cândido Grzybowski

O Governo Federal há pouco tempo anunciou um programa de bioeconomia para o Brasil. Parece algo bom, mas o foco não é uma mudança estrutural. Trata-se de tirar partido do fato do Brasil ser ainda detentor de grandes florestas e rica biodiversidade natural para explorar num contexto de capitalismo globalizado. Uma coisa é extrativismo de produtos naturais, algo que fazemos desde a conquista e colonização portuguesa, com a extração destrutiva do “pau brasil” para o nascente capitalismo europeu. Extrativismo intenso que nos legou a própria identidade nacional como Brasil, país de lenhadores e de extrativismo florestal, como nos lembram sempre intelectuais indígenas, para quem este território era a Pindorama (país das palmeiras).  O anúncio de um novo programa de bioeconomia, no marco de vantagem comparativa no mercado capitalista, nasce encurralada e de modo algum pode ser vista como mudança de paradigma transformador.

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MPF garante no TRF1 a nulidade de títulos privados em território indígena entre MT e PA

Acórdão acolheu parecer do Ministério Público Federal e negou o pagamento de indenização por “terra nua” em área da TI Apiaká-Kayabi

Procuradoria Regional da República da 1ª Região

Por unanimidade, a Terceira Turma do Tribunal Regional da 1ª Região (TRF1) acolheu parecer do Ministério Público Federal (MPF) e reformou a sentença que garantia o pagamento de indenização por “terra nua” a particulares que alegavam posse sobre áreas da Terra Indígena Apiaká-Kayabi, na divisa entre Mato Grosso e Pará. O acórdão reafirmou que territórios tradicionalmente ocupados por povos originários são bens inalienáveis da União, o que anula qualquer título de propriedade privada sobre essas regiões.

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Carta Aberta “Belo Monte: dez anos de operação, mais de uma década de danos sem reparação”

Sociedade civil divulga documento que evidencia os impactos da hidrelétrica e reforça necessidade de justiça

Por Tapajós de Fato

Neste 5 de maio, que marca dez anos desde o início da operação da Usina Hidrelétrica de Belo Monte, no Pará, organizações da sociedade civil divulgaram uma carta aberta, intitulada Belo Monte: dez anos de operação, mais de uma década de danos sem reparação. O documento apresenta um balanço crítico do período e aponta a persistência de violações sem reparação adequada.

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Por que precisamos de Raimundo Pereira. Por Antonio Martins

Seus jornais vibraram com as lutas políticas e culturais que questionaram o Brasil nos anos 70, até derrotar a ditadura. O eco de suas criações estará presente quando o país perceber que deve resgatar o jornalismo. Em textos, três vivas ao seu legado

No Outras Palavras

Em 1971, aos 30 anos, Raimundo Pereira coordenou a edição épica da revista Realidade sobre a Amazônia. Eram tempos de fartura e paixão. Uma equipe de 12 jornalistas e fotógrafos brilhantes instalou-se na região por 6 meses, percorreu 148 mil quilômetros e produziu (depois de mais três meses de edição) 328 páginas legendárias. Levaram o Esso, então o prêmio mais importante e disputado na imprensa, e são até hoje objeto de estudo obrigatório nos cursos de jornalismo. Foi por meio delas (e dos 300 mil exemplares vendidos, num país de população 2,5 vezes menor que a atual) que, por exemplo, os Yanomami tornaram-se um assunto do debate nacional.

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