A extrema direita brasileira prospera explorando o que há de mais primitivo no humano. Encontra terreno fértil num país de formação crítica rarefeita, cujo espaço público foi entregue a algoritmos estrangeiros
No Le Monde Diplomatique Brasil
O primeiro turno de 4 de outubro mostrou que a doença não passou. O projeto político que tentou romper a ordem democrática terminou a apuração à frente, com 47,03% dos votos válidos, contra 45,16% do atual presidente. Seu fundador cumpre pena de 27 anos por tentativa de golpe, sem direitos políticos. Ainda assim, o projeto sobrevive a ele. Não estamos diante de um líder, mas de um modo de organizar afetos: um sistema que não convence pela razão, e sim pelo estímulo ao medo, ao ódio e ao gozo da humilhação alheia.
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