O projeto que nos devolve à jaula. Por Leonardo Mosimann Estrella

A extrema direita brasileira prospera explorando o que há de mais primitivo no humano. Encontra terreno fértil num país de formação crítica rarefeita, cujo espaço público foi entregue a algoritmos estrangeiros 

No Le Monde Diplomatique Brasil

O primeiro turno de 4 de outubro mostrou que a doença não passou. O projeto político que tentou romper a ordem democrática terminou a apuração à frente, com 47,03% dos votos válidos, contra 45,16% do atual presidente. Seu fundador cumpre pena de 27 anos por tentativa de golpe, sem direitos políticos. Ainda assim, o projeto sobrevive a ele. Não estamos diante de um líder, mas de um modo de organizar afetos: um sistema que não convence pela razão, e sim pelo estímulo ao medo, ao ódio e ao gozo da humilhação alheia. 

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Terras de comunidade quilombola em Rio Pardo (RS) são reconhecidas

No Incra

O território da comunidade quilombola Rincão dos Negros, localizada no município de Rio Pardo, no Rio Grande do Sul, foi reconhecido por meio da Portaria do Incra nº 2.252/2026, publicada nesta quarta-feira (7) no Diário Oficial da União. A área declarada possui 572 hectares.

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‘Não queremos voltar a chorar’: mulheres Yanomami lançam manifesto contra Flávio Bolsonaro

Fome, violência, malária e outras doenças provocaram a morte de 420 crianças por causas evitáveis durante a crise humanitária instalada no governo de Jair Bolsonaro; Lideranças temem que eleição do candidato do PL impulsione o retorno de garimpo ilegal e crise sanitária na terra indígena

Por Isabel Harari, no Repórter Brasil

DA TERRA INDÍGENA YANOMAMI (RR) — “Eu não quero o filho do Bolsonaro. Não quero nossos filhos cheios de malária de novo”, alerta Noemia, a primeira a falar em um vídeo gravado pelas mulheres Yanomami contra a eleição de Flávio Bolsonaro, no final de setembro. O material faz parte de um manifesto lançado por lideranças femininas para o segundo turno das eleições gerais deste ano. 

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Voto feminino, senha para mudar o Brasil

No casamento entre capitalismo, rentismo e desmonte social reside a barbárie contemporânea. Vítimas deste tormento, as mulheres o enfrentam em uma eleição após a outra e mantêm a luta por um país que não tenha a desigualdade como fundante

Por Magda Barros Biavaschi e Marilane Teixeira, em Outras Palavras

No próximo 25 de outubro, o Brasil irá às urnas para uma das decisões mais cruciais da história política recente. Não se trata apenas de optar por um programa de governo ou por um partido, ainda que essas sejam questões essenciais; trata-se da escolha radical entre dois caminhos indissociáveis: o do avanço civilizatório ou o do retrocesso.Esse chamado ecoa com força especial junto às mulheres, inclusive em relação àquelas que não têm mais obrigação legal de votar, mas que, com o voto, poderão fortalecer a cidadania democrática. Dados da pesquisa Quaest, de 28 de setembro1, expõem com nitidez esse cenário. Hoje, as mulheres representam 52,8% do eleitorado nacional. Enquanto 40% aposta na continuidade do avanço civilizatório em andamento, 29% tende a votar no caminho do retrocesso, consolidando uma vantagem para o primeiro grupo de 11 pontos percentuais. São as mulheres as grandes guardiãs do pacto social democrático brasileiro.

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Perguntas incômodas sobre os que não votaram. Por Rafael Guerra de Oliveira

A longa espera pela consulta, pela vaga, pela casa, pelo ônibus, pelo futuro está levando dezenas de milhares a desistir da política. Serão “pobres de direita”? Ou é preciso refletir sobre uma esquerda que pede confiança apenas por ser menos ruim que a alternativa?

Em Outras Palavras

“As pessoas não são más, elas só estão perdidas. Ainda há tempo.”
– Criolo, “Ainda Há Tempo”

Talvez seja difícil encontrar frase melhor para pensar o Brasil que chega a este segundo turno. Não porque as pessoas estejam simplesmente “perdidas” – e muito menos porque exista eleitor moralmente superior a outro –, mas porque uma democracia começa a adoecer quando uma parcela enorme da população deixa de enxergar na política um lugar onde sua vida possa efetivamente mudar.

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MPF garante a condenação de ex-coordenador da Funai que incitou violência contra indígenas do Vale do Javari (AM)

Justiça atendeu a pedido MPF e reconheceu danos a povos isolados; indenização de R$ 100 mil financiará ações no território

MPF

A Justiça Federal atendeu a pedido do Ministério Público Federal (MPF) e condenou o ex-coordenador regional da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) no Vale do Javari Henry Charlles Lima da Silva ao pagamento de R$ 100 mil por dano moral coletivo. A condenação é resultado de declarações feitas pelo ex-servidor durante reunião na aldeia Marubo, em junho de 2021, na qual encorajou o uso de violência contra indígenas em isolamento voluntário que vivem na região.

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Juro cumprir a Constituição que pretendo mudar? Por Sylvia Debossan Moretzsohn

Declaração de Flávio Bolsonaro após vitória parcial no primeiro turno mostra que a catástrofe anunciada é ainda pior do que se imagina

Por Sylvia Debossan Moretzsohn, no Substack

Pode ter sido um arroubo diante do resultado do primeiro turno e da ampliação da bancada da extrema-direita no Congresso, mas não deixa de ser muito interessante saber que Flávio Bolsonaro, talvez já se considerando eleito, quer mudar a Constituição da República, sob o argumento de que o Brasil não vive uma democracia plena.

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Jornada Sem Terrinha 2026 une memória de Carajás, solidariedade e defesa da democracia

De 5 a 12 de outubro, crianças Sem Terrinha de todo o país organizam estudo, plantio de árvores e mobilização sob o lema “Sem Terrinha em Ação: Da Semente de Eldorado, Sem Terrinha faz história!”; Confira a entrevista!

Por Fernanda Alcântara, da Página do MST

A Jornada Nacional das Crianças Sem Terrinha deste ano tem como eixo os 30 anos do Massacre de Eldorado dos Carajás. Em 17 de abril de 1996, famílias Sem Terra marchavam e bloquearam a rodovia PA-150, no sul do Pará. Na Curva do S, as famílias ficaram cercadas, com tiros e bombas de gás dos dois lados da pista. O saldo foram 19 trabalhadores rurais Sem Terra assassinados no local, dois mortos no hospital e cerca de 69 mutilados. Os julgamentos que se seguiram não produziram justiça, e a impunidade segue como marca do caso. Por isso o MST insiste em levar essa história para dentro das escolas.

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Rede Soma dos Quintais das Mulheres da Amazônia se reúne para cuidar de quem cuida

Mais de 40 mulheres, representando 24 organizações de defesa dos direitos das mulheres da Amazônia, se reúnem e criam um espaço de vida, memória, saberes, afetos, plantas, histórias, práticas de cuidado e resistência

Por Lígia Apel, do Cimi Regional Norte I

“Estar com vocês hoje é lembrar que eu estou viva ainda, independentemente de ter depressão, de ter violência, de sofrer ameaça, eu estou viva, eu tenho minha vida. E eu estou aqui compartilhando com vocês sem medo. Sem medo de ser mulher, de ser eu indígena, de contar a história da cultura do meu povo, do que eu estou aprendendo com o meu povo”. Assim se manifestou Larissa Karitiana, integrante da Comissão Pastoral da Terra (CPT) de Rondônia, sobre como se sentiu ao participar do Seminário da Rede Soma dos Quintas, Bioma Amazônia, realizado de 25 a 27 de setembro, na Chácara Dom Luciano, em Manaus.

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A normalização do fascismo. Por Fernando Sarti Ferreira & Lincoln Secco

Em A Terra é redonda

Uma das facetas do fascismo é o colaboracionismo. O colaboracionismo também foi uma modalidade de normalização do nazismo

1.

Há pouco mais de uma década, no rescaldo das manifestações de 2013 e do processo eleitoral de 2014, já era possível pressentir que algo havia se rompido dentro da Nova República e, mais precisamente, que um velho conhecido voltava a espreitar a sociedade brasileira. Contudo, há um evento que pode ser considerado o verdadeiro divisor de águas e que, à época, e até hoje, é tratado de maneira fortuita.

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