Wikifavelas: As sementes de Marielle Franco

Por Caique Azael, em Outras Palavras

Desde 2018, o dia 14 de março nunca mais foi o mesmo. São oito anos desde a brutal execução de Marielle Franco, então vereadora pelo PSOL no Rio de Janeiro, e Anderson Gomes, seu motorista. Em 2026 temos um elemento novo na história: finalmente, após anos de muita pressão popular, em particular das lutas que sua família travou ao longo do caminho, o Supremo Tribunal Federal (STF) concluiu o julgamento dos mandantes do assassinato de Marielle e escancarou um ecossistema do crime que persiste no estado do Rio de Janeiro. 

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Onde você guarda o seu estuprador? Por Danú Gontijo

“Mandato da masculinidade” torna homens suscetíveis a praticar violência. Gozo não é sexual; é de poder. E o machismo cotidiano é a argamassa do estupro. O silêncio e o “passar de pano” são onde se nutrem as violências sistemáticas contra as mulheres

Em Outras Palavras

Diante de tantos casos de estupro que abarrotaram a mídia estes dias, me vi tomada de muita raiva. Uma adolescente de 17 anos foi estuprada coletivamente pelo ex-namorado e seus comparsas. O estupro de uma senhora de 71 anos pelo motorista do ônibus, uma criança de 12 anos tendo estupros diários chancelados pelo Tribunal de Justiça de Minas Gerais. O estupro, inclusive, de uma freira de 82 anos, assassinada em seguida. Não sou de xingar, mas nesses momentos me vem um sonoríssimo “filhos da puta” à cabeça. Só que não poderia haver equívoco maior. Esse xingamento é só mais um sinal de como a nossa linguagem é patriarcal. Estupradores não são filhos da puta, muito menos filhos da mãe. São filhos do patriarcado, porque são o ápice da expressão patriarcal em todo seu horror.

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O último refluxo de Jair. Por Sara Goes

O drama clínico do ex-presidente vai além da medicina. Seu corpo e o projeto político decadente do clã passam a funcionar do mesmo jeito: contaminados pelo próprio excesso. E a viabilidade eleitoral de seu herdeiro cresce das entranhas em decomposição do pai

Em Outras Palavras

Na manhã de 13 de março de 2026, o Corpo de Bombeiros foi acionado para atender o ex-presidente na Papudinha. Às 8h50, Jair Bolsonaro deu entrada no hospital DF Star em uma ambulância do Samu, com febre alta e queda súbita na saturação de oxigênio. O boletim oficial, assinado pelos médicos Brasil Caiado, Antônio Aurélio de Paiva Fagundes Júnior e Allisson B. Barcelos Borges, confirmou um quadro de broncopneumonia bacteriana bilateral, de provável origem aspirativa.

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Como frear a fúria destrutiva em 2026?

Professor provoca: grande sintoma da crise política do Brasil é a perda dos “afetos democráticos”, hoje sequestrados pelo ódio. Mas, quando a desconfiança impera na sociedade, a saída passa por políticas públicas concretas, como a taxação dos super-ricos

Renato Janine Ribeiro em entrevista a Thiago Gama, em Outras Palavras

Professor titular de Ética e Filosofia Política da Universidade de São Paulo (USP), o ex-ministro Renato Janine Ribeiro é uma das vozes mais lúcidas e sofisticadas do pensamento crítico brasileiro contemporâneo. Filósofo formado pela USP, com mestrado pela Université de Paris-I, Panthéon-Sorbonne, doutorado pela USP e pós-doutorado pela British Library, Janine Ribeiro construiu uma trajetória ímpar que articula o rigor acadêmico com a intervenção pública qualificada. Foi ministro de Estado da Educação entre abril e outubro de 2015, no governo da presidenta Dilma Rousseff, e diretor de Avaliação da Capes (2004-2008), onde dirigiu as avaliações trienais de mais de 2.500 cursos de pós-graduação no Brasil. Atualmente, preside a Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) – mandato de julho de 2021 a julho de 2025 – e é pesquisador sênior do CNPq. Sua obra, vasta e multifacetada, transita da exegese dos clássicos da filosofia política – com destaque para seus estudos sobre Thomas Hobbes, que lhe renderam os livros A Marca do Leviatã e Ao Leitor Sem Medo – à análise aguda da realidade brasileira.

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Segurança: Para tirar a esquerda do labirinto. Por Luiz Eduardo Soares*

Outras Palavras

Há três perguntas diferentes sobre as mudanças desejáveis na segurança pública: (A) O que devemos construir nessa área, a longo prazo, em paralelo à redução das desigualdades e ao enfrentamento ao racismo estrutural, para que a democracia brasileira se consolide e aprofunde? (B) O que se deve propor ao futuro governo Lula, a partir de 2027, considerando a manutenção de uma correlação de forças que limite a vontade progressista? (C) Qual deve ser o discurso sobre segurança pública na campanha de 2026?

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Ferrovia e obras de infraestrutura ameaçam território sagrado A’uwẽ Xavante, denunciam lideranças

Documento divulgado após assembleia na TI Parabubure alerta para impactos ambientais, pressão fundiária e riscos a cemitérios e áreas de coleta tradicional

Por Adi Spezia, do Cimi

Reunido em assembleia, o povo A’uwẽ Xavante denunciou o avanço desenfreado de grandes empreendimentos e obras de infraestrutura no entorno de territórios sagrados. O evento ocorreu entre os dias 5 e 7 de março de 2026, na Aldeia Wairenê, na Terra Indígena Parabubure, em Campinápolis (MT).

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Política para povos e comunidades tradicionais de terreiro e matriz africana avança com a reunião do Comitê Gestor

Reunião consolidou o planejamento das ações e aprovação do calendário para 2026

No MIR

O Comitê Gestor da Política Nacional de Povos e Comunidades Tradicionais de Terreiro e Matriz Africana (CGPNTPMA) se reuniu, nesta quinta-feira (12), no Edifício Parque Cidade Corporate, em Brasília.  

Entre as pautas discutidas estavam o planejamento e aprovação do calendário de reuniões para 2026 e atualização do plano de ações da política em execução pelos demais ministérios integrantes. 

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Funai, Polícia Federal e Ibama desarticulam esquema de exploração ilegal de madeira em terra indígena na divisa entre Mato Grosso e Rondônia

Na Funai

A Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai), por meio da Coordenação-Geral de Fiscalização (CGFis), vinculada à Diretoria de Proteção Territorial (DPT), participou da Operação Erisícton de combate à exploração ilegal de madeira extraída da Terra Indígena (TI) Roosevelt, localizada na divisa entre Mato Grosso e Rondônia, onde habitam os povos Cinta Larga. A operação da Polícia Federal ocorreu no dia 23 de fevereiro, com apoio da autarquia indigenista e do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama).

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Belo Sun: mineradora canadense é acusada de pressionar indígenas na Volta Grande

Após decisão judicial que restabeleceu licença da Belo Sun, indígenas acampam, denunciam pressões e encerram diálogo

Por Leandro Barbosa | Edição: Thiago Domenici, Agência Pública

Em dezembro de 2025, dez associações indígenas, representando os povos Juruna (Yudjá) e Arara da Volta Grande do Xingu, aprovaram, em assembleia, uma ata que anulava oficialmente a consulta prévia que a mineradora canadense Belo Sun afirmava ter realizado no processo de licenciamento. No documento, as comunidades declararam o procedimento inválido e determinaram a suspensão de quaisquer tratativas com a empresa. O recado era claro: o diálogo coletivo estava encerrado.

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Perna Cabeluda: como lenda que levou Recife ao Oscar ajudou a retratar a ditadura

Lenda que ganha projeção em filme de Kleber Mendonça Filho nasceu com traços policialescos em plantão jornalístico em PE

Por Duda Sousa | Edição: Ed Wanderley, Agência Pública

Enquanto Hollywood distribui estatuetas de ouro no Oscar deste domingo (15) – em que o filme brasileiro O Agente Secreto, de Kleber Mendonça Filho, concorre a Melhor Filme, Melhor Filme Internacional, Direção de Elenco e Ator, pela performance de Wagner Moura – um fantasma recifense atravessa discretamente o tapete vermelho. A Perna Cabeluda reapareceu na obra como quem nunca saiu de cena, não mais correndo pelas praças nos anos 1970, mas insinuada na atmosfera de desconfiança que o filme recria e exporta ao mundo para o cinema. 

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