Superar monotonia alimentar não é volta ao passado

Lutar pela diversidade, enfrentando o uso indiscriminado de ultraprocessados e antibióticos em animais, e a concentração produtiva, seria romântico? Por que alguns pesquisadores ignoram avanços científicos que podem superar o modelo predatório?

Por Ricardo Abramovay e Arilson Favareto, em Outras Palavras

É impressionante o volume e a importância das publicações vindas de revistas científicas, de organizações multilaterais (públicas e privadas) ou de movimentos sociais sobre a ameaça representada pela gigantesca concentração da oferta agroalimentar global em alguns poucos produtos. Em dezembro de 2023, o Fórum Econômico Mundial lançou um relatório devastador denunciando não só os prejuízos dos ultraprocessados à saúde humana, mas propondo que as políticas agrícolas modernas devem se pautar menos pelo empenho em aumentar a oferta do que pelo estímulo a práticas produtivas regenerativas. O trabalho mostra que os custos ocultos do sistema agroalimentar (ou seja, os prejuízos que ele traz à saúde humana e aos serviços ecossistêmicos pelos quais as empresas nada pagam) superam tudo o que o mundo gasta para comer. Continue lendo “Superar monotonia alimentar não é volta ao passado”

Ler maisSuperar monotonia alimentar não é volta ao passado

Educação: o nó estrutural do magistério no Brasil

Ensino brasileiro consolidou-se como um sistema abrangente – mas estruturalmente desigual. Gargalo central é a carreira docente, com remunerações incompatíveis e condições que adoecem e afastam da profissão. Por que sua valorização é sempre adiada?

Por Celso Pinto de Melo, em Outras Palavras

“A equidade não é um efeito colateral da excelência educacional;
é o seu ponto de partida.”
– Pasi Sahlberg [1]

Universalização sem direito à aprendizagem

O Brasil universalizou o acesso à escola ao longo das últimas décadas, especialmente a partir da expansão do ensino fundamental nos anos 1990. Mas não universalizou o direito efetivo à aprendizagem. Construiu-se um sistema formalmente abrangente, porém estruturalmente desigual em resultados, permanência escolar e trajetórias pós-escolares [2-4]. Continue lendo “Educação: o nó estrutural do magistério no Brasil”

Ler maisEducação: o nó estrutural do magistério no Brasil

Soberania Digital: o papel esquecido das empresas privadas

Falta uma peça no quebra-cabeças que permitirá tornar o país independente das big techs. Mais de 90% dos investimentos em TI não são feitos pelo Estado. Poderiam estimular um setor tecnológico nacional vibrante. Por interesses, e falta de políticas, alimentam e prolongam a dependência

Por James Görgen, em Outras Palavras

Muito se tem escrito e falado sobre a relação entre Estados nacionais, e suas estruturas de serviços digitais e autoridades regulatórias, e as empresas de tecnologia estrangeiras conhecidas como big techs. Discute-se a famosa nuvem soberana, localização de dados, aplicações de inteligência artificial e governo eletrônico. Faz sentido estudar muito este segmento, uma vez que envolve bilhões de reais em recursos públicos que saem do bolso do contribuinte. Essa lente, mais que necessária, não é suficiente para entender o fenômeno da soberania digital de forma integral. Ela obscurece uma ecologia densa de atores intermediários — telcos, fintechs, agrotechs, edtechs, bancos públicos e privados, cooperativas de dados e consórcios empresariais — que ocupam posições estratégicas na infraestrutura digital e nos serviços de tecnologia da informação do país. Continue lendo “Soberania Digital: o papel esquecido das empresas privadas”

Ler maisSoberania Digital: o papel esquecido das empresas privadas

A “transição energética” nas mãos dos rentistas

Como grandes empresas e fundos de investimento dominaram os parques eólicos e solares no Brasil. A colaboração do Estado para a captura. Efeitos: caos elétrico, tarifas abusivas e, pior, devastação, roubo de terras e expulsão de comunidades

Por Bruno Barcella, em Outras Palavras

No artigo “A ‘COP da Verdade’ e a ficção das finanças verdes”, publicado nesta revista em um momento particularmente importante, às vésperas da realização da COP em Belém do Pará, a pesquisadora Isadora Cruxên foi certeira e provocativa ao tensionar os fundamentos da chamada agenda das finanças verdes no Brasil. Ao examinar o caso do saneamento básico, a autora mostrou como a sustentabilidade vem sendo progressivamente reconfigurada sob a lógica da financeirização. Por trás do marketing “verde” e das debêntures subsidiadas, argumenta o texto, há uma escolha política clara: transformar direitos e políticas públicas em ativos rentáveis. Continue lendo “A “transição energética” nas mãos dos rentistas”

Ler maisA “transição energética” nas mãos dos rentistas

Após resistência, ocupação nos trilhos da Samarco é suspensa com avanços na pauta ambiental

Em Jornada Nacional de Luta, camponesas conquistam compromisso da mineradora para reflorestar 2 mil hectares nos assentamentos da Bacia do Rio Doce e seguem mobilizadas por justiça

Por Matheus Teixeira, da Página do MST

Após mais de 24 horas de resistência, coragem e organização, cerca de 700 mulheres do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) decidiram suspender, na manhã desta terça-feira (10), o “trancamento” dos trilhos da Estrada de Ferro Vitória-Minas, no município de Tumiritinga, Minas Gerais. Continue lendo “Após resistência, ocupação nos trilhos da Samarco é suspensa com avanços na pauta ambiental”

Ler maisApós resistência, ocupação nos trilhos da Samarco é suspensa com avanços na pauta ambiental

Mulheres ocupam fazenda marcada por violência e trabalho escravo no Tocantins

por Evandro Rodrigues, em CPT

Mais de 400 pessoas, em sua maioria mulheres, ocuparam a Fazenda Santo Hilário, área pública de 2.462 hectares localizada em Araguatins, no Bico do Papagaio, norte do Tocantins. A mobilização denuncia a permanência irregular de um fazendeiro associado a práticas de grilagem, violência no campo e exploração de trabalho escravo. Continue lendo “Mulheres ocupam fazenda marcada por violência e trabalho escravo no Tocantins”

Ler maisMulheres ocupam fazenda marcada por violência e trabalho escravo no Tocantins

Juiz estadual do Maranhão condena empresário por racismo contra comunidade do Quilombo Pau Pombo, no município de Santa Helena

Acusado foi condenado a dois anos de reclusão, mas teve pena substituída por dois anos de limitação dos fins de semana e multa equivalente a três salários mínimos

Por Everton Antunes, em CPT

No mês de fevereiro, o Juiz de Direito José Ribamar Dias Júnior, da Comarca de Santa Helena (MA), condenou o empresário Luís Nurgel Costa Leite por crime de discriminação racial contra a comunidade do Quilombo Pau Pombo. O acusado cumprirá dois anos de limitação dos fins de semana, além de uma multa de três salários mínimos – anteriormente, a pena consistia em dois anos de reclusão. Continue lendo “Juiz estadual do Maranhão condena empresário por racismo contra comunidade do Quilombo Pau Pombo, no município de Santa Helena”

Ler maisJuiz estadual do Maranhão condena empresário por racismo contra comunidade do Quilombo Pau Pombo, no município de Santa Helena

Guarani Mbya são abandonados após trabalho em condição análoga à escravidão em colheita no RS

Fazenda de olivais e empreiteira são denunciadas por não fornecer água, estrutura de alojamento e cobrança por transporte, o que pode configurar servidão por dívida

Por Guilherme Cavalli, do Cimi

Quinze indígenas do povo Guarani Mbya foram abandonados na rodoviária de Pelotas (RS) após trabalharem por duas semanas em condições análogas à escravidão na colheita de azeitonas. O caso ocorreu na Fazenda Serra dos Tape, no município de Canguçu, no sul gaúcho. Segundo os trabalhadores, o grupo foi abandonado sem o pagamento integral pelo trabalho realizado, sem alimentação e sem condições de retorno às suas comunidades. Continue lendo “Guarani Mbya são abandonados após trabalho em condição análoga à escravidão em colheita no RS”

Ler maisGuarani Mbya são abandonados após trabalho em condição análoga à escravidão em colheita no RS

Suspensão de desintrusão na TI Uru-Eu-Wau-Wau reacende tensão fundiária

Lideranças indígenas temem aumento de ameaças após suspensão determinada pelo ministro Gilmar Mendes; conflito envolve assentamentos criados pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) dentro da área demarcada em Rondônia

Por Nicoly Ambrosio, da Amazônia Real

Manaus (AM) – A recente decisão do ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que suspendeu a desintrusão em parte da Terra Indígena Uru-Eu-Wau-Wau reacendeu o alerta entre lideranças indígenas sobre novas ameaças ao território, localizado em Rondônia. A medida interrompe um processo de desintrusão iniciado em setembro de 2025 pelo Governo Federal, que previa a retirada de ocupantes não indígenas da área para garantir a preservação do território e das formas de vida dos povos que vivem na região, entre eles os Jupaú (Uru-Eu-Wau-Wau), Amondawa, Oro Win, Juma e ao menos cinco grupos isolados. Continue lendo “Suspensão de desintrusão na TI Uru-Eu-Wau-Wau reacende tensão fundiária”

Ler maisSuspensão de desintrusão na TI Uru-Eu-Wau-Wau reacende tensão fundiária

Liderança feminina na ciência é tema de evento realizado na Fiocruz Bahia

Por Dalila Brito, Fiocruz/BA

A abertura do evento foi realizada pela Vice-Diretora de Ensino e Informação da Fiocruz Bahia, Clarissa Gurgel, que falou sobre a importância de reunir mulheres com trajetórias inspiradoras, incentivando meninas e mulheres. Gurgel também ressaltou o comprometimento da instituição com a campanha contra o feminicídio, ressaltando que esse precisa ser um compromisso não apenas das mulheres, mas também dos homens e de toda a sociedade. “É importante que tenhamos homens como nossos aliados para que tenhamos um espaço seguro para que possamos exercer a nossa liderança de forma efetiva”, afirmou. Continue lendo “Liderança feminina na ciência é tema de evento realizado na Fiocruz Bahia”

Ler maisLiderança feminina na ciência é tema de evento realizado na Fiocruz Bahia