A desintrusão da Terra Indígena Munduruku representou um momento crucial de reconfiguração territorial, mas a retirada física de garimpeiros não encerrou o conflito. A ação inaugurou novas dinâmicas e pressões, tais como desestruturação de cadeias econômicas informais associadas ao garimpo e aumento de atuação de facções criminosas no território urbano
Por Aiala Couto, da Amazônia Real
O garimpo ilegal em Jacareacanga, no sudoeste do Pará, deve ser compreendido como um fenômeno territorial complexo, que extrapola a dimensão econômica da extração aurífera e se inscreve como elemento estruturante da produção do espaço na Amazônia contemporânea. Inserido no Vale do Tapajós, o município encontra-se em uma zona de fricção permanente entre territórios tradicionalmente ocupados pelo povo Munduruku, unidades de conservação ambiental, interesses empresariais e redes ilícitas articuladas à economia do ouro. Nesse contexto, o território não pode ser reduzido a suporte físico da atividade minerária, mas precisa ser analisado como construção social e política, atravessada por relações de poder, conflitos e processos contínuos de territorialização, desterritorialização e reterritorialização.
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