O fantasma da raça ausente na Reforma Sanitária

Em nosso imaginário, que imagens representam o processo que revolucionou a saúde no Brasil? Em um contexto de mobilização, qual era o papel da população negra em sua construção? “Sankofiar” a memória dessas lutas pode abrir novos caminhos para o SUS

Por Sophia Rosa Benedito*, em Outra Saúde

Após quase quatro décadas da 8ª Conferência Nacional de Saúde (CNS), durante entrevista que realizei com uma militante da enfermagem que viveu o evento, escutei a seguinte problematização: “Olha para a mesa da Oitava. Faz esse exercício. Eram todos homens. Todos brancos.”

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Maternidade: como valorizar o trabalho de cuidado?

Os esforços (não-remunerados) das mães são “a infraestrutura que sustenta o capitalismo”. Que políticas podem ser implementadas para transformar esse cenário? Leia trecho de livro recém-publicado pela Editora Fósforo que debate alternativas

Excerto de “Matrescência: sobre a metamorfose da gravidez, do parto e da maternidade”

Por Lucy Jones*, em Outra Saúde

Retratar o trabalho de cuidado como algo fácil, que qualquer um pode fazer sozinho, é uma forma de justificar a desvalorização e a baixa remuneração dos cuidadores. Ao naturalizar o trabalho de cuidar dos filhos e criá-los, a sociedade pode obscurecer e mistificar o que ele realmente é: a infraestrutura que sustenta o capitalismo. Sem trabalhadores, não há trabalho. O maior setor de nossa economia é, na verdade, o trabalho não remunerado. Em 2016, o Escritório Nacional de Estatística do Reino Unido [ONS, na sigla em inglês] revelou que o valor do cuidado infantil não remunerado — maternidade, paternidade, criação de filhos — era de 351,7 bilhões de libras. Ao todo, o trabalho doméstico não remunerado equivalia a 63,1% do produto interno bruto (PIB). [1]

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Cerrado perdeu 38% de água em rios e lagoas

75% dos municípios perderam superfície de água em corpos hídricos naturais e 71% viram áreas de reservatórios aumentarem; mudança foi mais acentuada no sul do bioma e no Matopiba

Por Lucas Guaraldo, em EcoDebate

A área de corpos hídricos naturais do Cerrado, como rios e lagoas, diminuiu 38% desde 1985, uma redução de cerca de 348 mil hectares, aponta levantamento coordenado por pesquisadores do IPAM (Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia) para a quinta coleção do MapBiomas Água. No mesmo período, corpos hídricos antrópicos, como reservatórios e barragens hidrelétricas, passaram a ocupar uma área 87% maior, com um acréscimo de 496 mil hectares.

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As linhas de sangue que cortam a Palestina

Livro mostra o terror das políticas expansionistas de Israel combinadas ao ódio étnico. Em arte e texto, desvela o “fascismo com fascismo se paga” do sionismo sob salvaguarda da Europa – e a dor, revolta e esperanças por trás da crueldade sistemática e espetacularizada

Por Yuri Martins-Fontes*, em Outras Palavras

O livro do artista, historiador da arte e militante brasileiro Marcelo Guimarães Lima – em português, Palestina: tragédia e esperança no século XXIi– é uma edição cuidadosa que conjuga reflexão crítica e expressão artística para enfrentar o maior drama humanitário do século: o genocídio continuado do povo palestino por Israel, massacre que tem apoio político e militar dos Estados Unidos e da União Europeia, além de contar com a aprovação massiva da população judaica-israelenseii.

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Toda voz universal é divina ou totalitária. Entrevista com Adriana Cavarero

IHU

Adriana Cavarero é uma filósofa que fez da escuta um método. Professora de Filosofia Política na Universidade de Verona, onde hoje é professora emérita e preside o comitê científico do Hannah Arendt Center for Political Studies, formou-se na antiga filosofia grega, e foi de Platão e de Homero que retirou a matéria de toda a sua obra: a suspeita de que o pensamento ocidental, ao erigir o logos em medida do humano, silenciou aquilo que teimava em cantar.

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Sem Terra ampliam mobilização contra despejo de cinco mil famílias em Alagoas

Mobilização na capital Maceió reúne mais de 1000 trabalhadores e trabalhadoras rurais em pressão contra o despejo das famílias das áreas das usinas Laginha e da Guaxuma

Da Página do MST

Na manhã desta terça (7), os camponeses e camponesas em luta na capital Maceió desde a última segunda-feira, realizam uma marcha pelo centro da cidade e ocupam a frente do Tribunal de Justiça de Alagoas, ampliando a mobilização dos Sem Terra contra o despejo das famílias que vivem hoje nas áreas ocupadas das antigas usinas Laginha e Guaxuma. Ao todo cinco mil famílias estão sob ameaça nessas áreas. A ação em Maceió já conta com a ocupação da frente do Palácio do Governo, há mais de 24 horas.

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O que o legado de Tereza de Benguela e Lélia Gonzalez nos ensinam sobre o 25 de Julho?

A data denuncia as violências contra as mulheres negras e reafirma a importância da luta coletiva contra o racismo, sexismo e as desigualdades; no Brasil também marca o Dia Nacional de Tereza de Benguela

Por Elizana Monteiro, Paula França e Aline Luana Oliveira, da Página do MST

O dia 25 de julho não é apenas uma data comemorativa, mas, acima de tudo, trata-se de um marco político da luta das mulheres negras da América Latina e do Caribe. Instituída em 1992, em Santo Domingo, na República Dominicana, durante o 1º Encontro de Mulheres Afro-Latino-Americanas e Afro-Caribenhas, a data nasce da urgência de denunciar as muitas violências impostas às mulheres negras e de afirmar uma agenda coletiva de enfrentamento ao racismo, ao sexismo e às desigualdades de classe.

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Os direitos indígenas pela metade

Artigo analisa como interpretações restritivas da Constituição, políticas compensatórias e negociações sobre direitos originários esvaziam as garantias constitucionais asseguradas aos povos indígenas

Por Roberto Liebgott, do Conselho indigenista Missionário (Cimi) Regional Sul e advogado indigenista

Uma das estratégias mais eficazes para negar direitos não é suprimi-los por completo, mas garanti-los apenas pela metade. No caso dos povos indígenas, essa tem sido uma prática recorrente nos campos político, jurídico e administrativo: transformar direitos constitucionais em concessões parciais, compensações precárias ou medidas paliativas, esvaziando seu conteúdo e impedindo sua plena efetivação.

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Democracia em Preto e Branco: Assista na Fatoflix

Joanne Mota, na Fatoflix

“Democracia em Preto e Branco”, dirigido por Pedro Asbeg, é muito mais do que um documentário sobre futebol, rock ou política. É uma viagem a um Brasil em que diferentes vozes encontraram um mesmo compasso para desafiar o medo e afirmar que democracia não é um presente concedido pelos poderosos, mas uma construção cotidiana feita por gente comum. O filme lembra que, quando o povo ocupa os espaços da vida pública, até um estádio pode se transformar em tribuna.

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‘Brasileiros são como nós’: como refugiados palestinos assistiram aos jogos do Brasil

Um campo de refugiados em Beirute lembra as comunidades do Brasil durante jogos da seleção

Por Giovanna Vial | Edição: Bruno Fonseca, Agência Pública

Maha Mahmmoud Mourah recebeu a reportagem da Agência Pública na entrada do campo de refugiados de Burj Al Barajneh, no subúrbio sul de Beirute, capital do Líbano. Ela vestia uma abaya preta – traje tradicional islâmico que cobre o corpo feminino do pescoço aos pés – e um hijab de mesma cor – lenço tradicional usado por mulheres muçulmanas para cobrir os cabelos e orelhas – , deixando apenas seu rosto à mostra.

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