O lulismo parece esgotado, apesar de sua enorme importância histórica. Um novo projeto exige relançar reformas estruturais e fugir do eleitoralismo
Por Antonio Martins – Outras Palavras
[Artigo em seis partes. Leia também a hipótese 1]
À primeira vista, pode parecer inapropriado e cruel examinar as insuficiências da lulismo no momento em que ele é arrancado do governo por um conluio das elites, e em que o próprio Lula está ameaçado de prisão arbitrária e injusta. Mas a impressão é falsa. Primeiro, porque a crítica é a melhor homenagem que se presta aos processos de transformação aos quais nos sentimos ligados, intelectual ou afetivamente. Enxergar seus erros, superá-los, é permitir que estes processos não se percam no tempo, mas passem o bastão e re-existam, no bojo do novo que precisa surgir – e também receberá, um dia, a merecida crítica. Segundo, porque uma visão dialética do golpe implica ir além da denúncia das elites. Elas sempre buscarão derrubar governos que ameaçam sua dominação. Cabe investigar por que foram capazes; que debilidades exploraram; como evitar que tais elas se repitam. Continue lendo “O Brasil sob o golpe: seis hipóteses polêmicas (II)”










