Aquela a que estamos assistindo – de modo tão próximo e perturbador nas últimas semanas – é uma época marcada “pelo medo e pela incerteza. E não devemos nos iludir: os demônios que nos perseguem não vão evaporar”. Até porque – explica o filósofo polaco e sociólogo Zygmunt Bauman, um dos grandes pensadores da modernidade fugidia em que vivemos – a sua origem tem a ver com os mesmos elementos constitutivos da nossa sociedade e das nossas vidas.
No IHU
A reportagem é de Davide Casati, publicada no jornal Corriere della Sera. A tradução é de Moisés Sbardelotto. Eis a entrevista.
Professor Bauman, diante da corrente de ataques desses dias, a Europa se vê fazendo as contas com um abismo de medo e de insegurança. Que respostas podem preenchê-lo?
As raízes da insegurança são muito profundas. Elas afundam no nosso modo de vida, são marcadas pelo enfraquecimento dos laços interpessoais, pelo desmoronamento das comunidades, pela substituição da solidariedade humana pela concorrência sem limites, pela tendência de confiar nas mãos dos indivíduos a resolução de problemas de relevância mais ampla, social. O medo gerado por essa situação de insegurança, em um mundo sujeito aos caprichos de poderes econômicos desregulados e sem controles políticos, aumenta, se difunde para todos os aspectos das nossas vidas. E esse medo busca um objetivo para se concentrar. Um objetivo concreto, visível e ao alcance das mãos. Continue lendo “As respostas aos demônios que nos perseguem. Entrevista com Zygmunt Bauman”