Em Taqui Pra Ti
“Na escola, nossas crianças estão aprendendo a juntar letrinhas, mas essas letrinhas não dizem nada sobre os índios. As crianças aprendem a ser brancas e isto não está certo”. (Fernando, 79 anos, conselheiro kaingang da T.I. Nonoai).
– Deixa de ser criança: Não chora! Te comporta! Não faz besteira.
Essa frase não tem qualquer sentido se traduzida para a língua kaingang. Quem afirma isso é um novo doutor indígena na praça, o kaingang Josué Carvalho que defendeu, na última segunda (29), na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) a tese “Enquanto os adultos brincam: introdução aos processos próprios de ensino-aprendizagem da criança kaingang“. Ele usa “criança” no título porque escreveu a tese em português, mas diz que o termo é inadequado para dar conta da realidade que descreve, na qual a infância é vista com outros olhos, sem conotação depreciativa. Continue lendo “A criança Kaingang e as letrinhas da escola, por José Ribamar Bessa Freire”









