A narrativa da ‘sustentabilidade’ na chamada ‘bioeconomia’ reproduzida em programas governamentais podem, na verdade, estar mascarando projetos de exploração predatória que ampliam a degradação ambiental e aumentam a desigualdade. Este tema é tratado no presente artigo, no qual o autor questiona o documento lançado no início deste mês pelo governo federal, apontando imprecisões e falta de transparência
Por Philip Martin Fearnside, da Amazônia Real
O que é “bioeconomia”?
Em 1º de abril (ironicamente, o “Dia da Mentira”), o governo federal lançou o resumo executivo de 85 páginas do novo Plano Nacional de Desenvolvimento da Bioeconomia [1]. O termo “bioeconomia” tem grande apelo porque todos são a favor, desde os povos indígenas (por exemplo, [2]) até o agronegócio (por exemplo, [3]). Mas a questão essencial é: “o que é bioeconomia?”. A apresentação do novo plano enfatiza os benefícios sociais da “bioeconomia”, especialmente para os povos indígenas e comunidades tradicionais. Isso indica que o foco do plano será a promoção da extração de produtos não madeireiros de florestas nativas e a promoção do uso desses produtos, por exemplo, como fontes de novos fármacos.
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