Quando a crueldade vira currículo

Por Maria Luiza Süssekind, Le Monde Diplomatique Brasil

Ela não gostava de segundas-feiras. Na manhã de 29 de janeiro de 1979, Brenda Ann Spencer abriu fogo contra a escola em frente à sua casa, em San Diego. Matou o diretor, matou o zelador, feriu crianças e um policial. Quando perguntaram por que, respondeu apenas que não gostava de segundas-feiras. A frase percorreu o mundo, inspirou a Banda de rock punk Bottom Rats a compor o sucesso I Don’t Like Mondays e transformou um atentado em memória coletiva lembrando que “seu pai sempre pensou que ela era uma menina de ouro” (The Fine Art of Surfacing, 1979).

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Justiça Federal reafirma proteção à liberdade de expressão científica ao julgar improcedente ação do CFM contra a pesquisadora Ligia Bahia

Na Abrasco

A Justiça Federal reafirmou a proteção à liberdade de expressão científica ao julgar improcedente a ação movida pelo Conselho Federal de Medicina (CFM) contra a pesquisadora associada à Abrasco e professora da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Ligia Bahia. Na sentença, o juiz federal José Carlos Motta reconhece que as manifestações da pesquisadora ocorreram no contexto de um debate público sobre temas de relevante interesse social e científico e estão amparadas pela liberdade de expressão. O magistrado também rejeitou os pedidos de indenização, retratação pública e retirada da entrevista que deu origem ao processo.

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MPF aciona Justiça para impedir paralisação do Programa Parakanã e cobra ampliação de até 80% no orçamento da AXIA Energia

Ação foi protocolada na Justiça Federal e aponta risco de colapso na assistência a 31 aldeias da Terra Indígena Parakanã, entre os municípios de Novo Repartimento e Itupiranga, no sudeste do Pará, após o fim do convênio previsto para 11 de julho

Por Daniel Vinagre, Tapajós de Fato

O Ministério Público Federal (MPF) ingressou com uma ação na Justiça Federal pedindo, em caráter de urgência, que a AXIA Energia S.A. (antiga Eletronorte) na operação da Usina Hidrelétrica (UHE) de Tucuruí, seja obrigada a manter o Programa Parakanã em funcionamento e ampliar imediatamente os recursos destinados às ações de compensação e mitigação dos impactos causados pela hidrelétrica ao povo indígena Awaeté Parakanã.

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MPF celebra acordo com Colégio Militar do Rio para assegurar política de cotas em concurso para professores

Solução extrajudicial corrige falhas identificadas no edital, preserva concurso em andamento e garante maior efetividade às ações afirmativas previstas na nova Lei de Cotas

Procuradoria da República no Rio de Janeiro

O Ministério Público Federal (MPF) celebrou acordo com o Colégio Militar do Rio de Janeiro (CMRJ) para adequar o concurso público destinado ao provimento de cargos da Carreira de Magistério do Ensino Básico, Técnico e Tecnológico (EBTT) às regras da Lei nº 15.142/2025, que ampliou a política de cotas nos concursos públicos. A solução consensual foi construída após a instauração de inquérito civil e o envio de recomendação pelo MPF, que apontou restrições ilegais à inscrição de candidatos cotistas em parte das especialidades oferecidas pelo certame.

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Cuidados paliativos: 86% das pessoas que precisam de auxílio no fim da vida são abandonadas. Entrevista especial com Angelo Atalla

Médico defende cuidados paliativos no fim da vida e amenização total da dor em pacientes terminais. “O alívio deve ser na dor total: física, espiritual e emocional”, diz

Por: Edição Patricia Fachin, em IHU

Nos últimos anos, cresceu o número de países que legalizaram a prática da eutanásia ou do suicídio assistido em seus territórios. O ato de proporcionar uma morte sem dor ou sofrimento, no entanto, encobre outra realidade: a negligência dos cuidados paliativos no fim da vida. A observação foi feita pelo médico hematologista Angelo Atalla, que há 50 anos dedica-se à medicina. “O drama da eutanásia é uma discussão que estamos enfrentando cada vez mais. Ele está sangrando as famílias”, disse em videoconferência ministrada no Instituto Humanitas Unisinos – IHU. O evento integra o Ciclo de Estudos “A morte e o morrer. O direito a viver com dignidade até o fim”, promovido pelo IHU neste semestre e concluído no dia 30-06-2026.

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Mais um 10 de julho na Amazônia negra

Em 10 de julho de 1884, quatro anos antes da Lei Áurea, o estado do Amazonas aboliu a escravidão. Para além de uma data, artigo de Juarez Silva propõe uma reflexão do contexto da época e como os aspectos se desdobraram posteriormente

Por Juarez Silva Jr, da Amazônia Real

A data faz referência à assinatura do ato de abolição da escravidão no Amazonas, no ano de 1884, posterior ao ato da abolição na capital da então província no dia 24 de maio do mesmo.

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Contra decisão do STJ, AirBnb usa tática de lobby de mobilização

Proibição de aluguel por temporada é questionada por “clubes de anfitriões” recrutados pela própria empresa

Por Aline Melo | Edição: Natalia Viana, em Agência Pública

No dia 3 de junho, usuários brasileiros do Airbnb receberam um e-mail incomum, em tom de denúncia. “Não à proibição do aluguel por temporada!”, dizia o assunto. Assinado pelo “Time Airbnb”, o texto dizia que uma decisão recente do Superior Tribunal de Justiça (STJ) “fere a Constituição” e convocava os destinatários a assinar um abaixo-assinado. “Esse tipo de decisão pode prejudicar não só a comunidade de anfitriões, seus familiares e centenas de milhares de profissionais, como os de limpeza e donos de pequenos negócios, mas também os próprios hóspedes, que terão menos opções de hospedagem”, dizia. Embora o Airbnb não divulgue quantos são seus usuários no Brasil, o alcance do e-mail foi massivo, uma vez que a plataforma afirma ter mais de 1 milhão de acomodações no Brasil. 

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A surpreendente ascensão da esquerda nos EUA

Como os socialistas estão vencendo batalhas importantes no Partido Democrata, ao propor pautas ligadas aos direitos e ao Comum. Os papéis de Bernie Sanders, Mamdani e Alexandra Ocasio. A resposta de Trump: um nervoso “apelo à Ordem”…

Por Daniel Kersffeld, em Outras Palavras

No mesmo momento em que a influência poderosa de Donald Trump impulsiona a ascensão da extrema-direita na América Latina, um fenômeno oposto se dá [nos] Estados Unidos. No interior do Partido Democrata, uma corrente que se coloca de forma clara à esquerda está vencendo um número inédito de eleições primárias, em cidades importantes. Seu triunfo enfraquece as correntes vistas como favoráveis às corporações ou à política imperial norte-americana. O fenômeno é considerado pelo próprio New York Times como um das principais tendências políticas atuais no país.

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Dowbor: Elogio do gratuito e do universal

Nas sociedades contemporâneas, distintos arranjos produtivos podem funcionar. Os mercados têm seu papel. Mas Saúde, Educação, Conhecimento e tudo o indispensável para vidas dignas e proveitosas precisa estar em outra esfera. Somos seres humanos, não clientes

Por Ladislau Dowbor*, em Meer | Tradução: Antonio Martins, em Outras Palavras

Ronald Reagan proclamou que o Estado não é a solução, mas o problema.
Com Margaret Thatcher, abriu-se caminho para o desmantelamento
do Estado de bem-estar social, que mantinha um equilíbrio razoável
entre os interesses públicos e privados.
Com Trump, a situação atingiu dimensões absurdas.
Simplificar as complexas questões de organização em uma
sociedade funcional, e principalmente oferecer à população um alvo para culpar,
certamente funciona em termos políticos. Mas a questão não é encontrar culpados,
e sim organizar a sinergia entre os atores econômicos e políticos.
Não existe uma solução única para todos na complexa sociedade moderna.
Ladislau Dowbor

A necessidade de mudanças drásticas na disciplina econômica nunca foi tão urgente.
A humanidade enfrenta crises existenciais, com a saúde do planeta
e os desafios ambientais tornando-
se grandes preocupações. 1
Jayati Ghosh

Uma abordagem prática consiste em analisar como diferentes áreas de atividade podem se apoiar mutuamente. Como consultor da ONU, organizei iniciativas de desenvolvimento em diversos países, principalmente pobres, e constatei que era prático demonstrar como diferentes áreas de atividade poderiam funcionar melhor se se reforçassem umas às outras. É possível apoiar a produção agrícola, mas isso também exige infraestrutura. A produção estaria na esfera privada, cada agricultor é dono de sua parcela de terra, regulamentada pelos mercados, mas a infraestrutura, como estradas ou energia, exigiria planejamento e financiamento públicos. Organizar a sinergia entre as diferentes áreas, em vez de procurar culpados, é claramente o caminho a seguir.

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Amazônia e o grave risco de privatizar as rodovias

Concessão de trecho da BR-364, adquirido em leilão sem concorrentes, marca retorno do Grupo Opportunity à região. Sua ligação com o agro é conhecida. Empreendimentos ocorrem em paralelo ao fim da moratória da soja e já marcados por ausência de participação social

Por Jacob Binsztock*, em Outras Palavras

Contextualização

O Programa de Concessões de Rodovias Federais foi lançado em 1995 no apogeu das políticas neoliberais, tendo consentido cerca de 10 mil km de estradas, segundo informações divulgadas pelo BNDES. É importante destacar que o mercado de concessões rodoviárias do país é constituído por 70 Sociedades de Propósitos Específicos (SPE), financiadas pelo Estado por intermédio de recursos do BNDES e complementados com a participação do mercado de capitais, emitindo debêntures em projetos de longo prazo e contemplados com benefícios fiscais.

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